VIVA O VINIL! ROSA MARIA-VAGANDO

P1000424Hoje o passeio-esquizo bolacha-crioula é a joia-raríssima, a relíquia, a talentosíssima e contagiante cantora Rosa Maria com seu Vagando, gravado pelo Estúdio Eldorado que com a Marcos Pereira mudaram o sentido de gravação no Brasil e abalaram a indústria musical comercial que fazia do artistas um verdadeiro escravo. Escravo em duas concepções: uma, como artista que deveria gravar o gosto dos diretores, quase sempre de péssima sensibilidade, e outras, como explorado em seus direitos trabalhista.P1000426

A gravação dessa joia-raríssima ocorreu entre os meses de dezembro de 1979 e janeiro de1980 e teve como diretor de produção, Antônio De Vincenzo. Coordenador Artístico, Aluízio Falcão. Arranjos e Regências, Edson José Alves. Fotos de Eleonora Severino.P1000428 P1000431

Mas vamos deixar de desesquizar o passeio, para acompanhar os movimentos produzidos por Wladimir Soares que nos apresenta a insinuante e explosiva, Rosa Maria. Vamos por aí!P1000433 P1000434

“Rosa Maria é o próprio poema de Gertrude Stein. “É uma rosa, uma rosa, uma rosa”. E são várias rosas. Até agora, Rosa Maria, era a nossa mais perfeita blues singer, com uma voz quente, envolvente, mágica no seu uso de graves e agudos, com um ritmo sempre contagiante em seu vocal. Agora, ouvindo este disco, descobre-se que ela não se limita a ser uma blues singer. É uma cantora que se sete muito à vontade em qualquer ritmo, emprestando seu talento a valsas, toadas e boleros para, assim, se inscrever na constelação das grandes interpretes brasileiras.

Quando canta, Rosa Maria transforma os sons em poemas, criando música sempre com um apuramento de quem desconhece a palavra concessão. Ou-se, por exemplo, a sua recriação de antigos sucessos de Ângela Maria e Dalva de Oliveira. A sensação é de que ela está cantando uma música inédita. Kalu, num andamento mais lento, está distante do baião que Dalva de Oliveira gravou. O melhor disso é que a comparação é dispensável. A versão original é um clássico. A atual é simplesmente original.

Mas o disco ainda tem outras surpresas e todas elas coincidem com o bom gosto que Rosa Maria teve ao escolher o repertório inédito. Ela não foi trás de compositores medalhões. Preferiu a paciência de ouvir os novos ou pouco consagrados para montar um disco repleto de unidade, coeso na evolução de uma faixa a outra. Enfim, um disco pensado para ser perfeito e plenamente concretizado. O lirismo de Paulinho Nogueira convive na mais absoluta harmonia com o realismo da novata Fátima Guedes e Rosa Maria encontra sempre o tom ideal para conciliar esses extremos. E, convenhamos, isso é tarefa de grande cantora.

Com blues singer, Rosa Maria é explosiva é contagiante. Como interprete de música brasileira, ela é suave e sedutora, sendo que todas essas personalidades coexistem ao mesmo tempo, uma não suplanta a outra. O explosivo tem acontecido apenas ao vivo, nas privilegiadas casas noturnas paulistanas que usam o bom senso para contratá-la como atração. O intimismo e o lirismo agora são um produto do disco. Com isso, aplica-se o número de privilegiados que podem fruir a arte de Rosa Maria, uma cantora que não deve ser exclusiva de happy fews. É a elegância interpretativa de Rosa Maria não é elitista. Isso não é um elogio. Trata-se, apenas, de uma constatação muito natural e verdadeira.”

 Wladimir Soares

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