Archive for Setembro, 2014

EM TEMPO DE ELEIÇÕES NÃO PODE FALTAR O REVOLUCIONÁRIO POEMA DE BRECHT, “O ANALFABETO POLÍTICO”

Setembro 30, 2014

Bertold Brecht Berliner Ensemble

A estética é a política das artes. A aisthésis é a sensibilidade que os gregos passaram para o mundo como estética. Daí que a sensibilidade tem dois movimentos. Um como captadora da matéria exterior para ser transformada em representação-mental. E outra como condição de vivenciar os objetos que se apresentam como objetos-utilidade e objetos estéticos: artes.

Como política das artes a estética movimenta duas formas. A forma de conteúdo e a forma de expressão. O que significa que uma obra de arte conduz essas formas sensíveis como sensibilização do sujeito-estético, o espectador.

Assim, entende-se que a obra de arte é um movimento cuja sensibilidade desloca o espectador de seu estado atual para um estado inatual que, posteriormente, passa a ser o novo atual com outras formas de conteúdo e expressão. A elevação estética. Essa vivência faz do sujeito-estético um ser rejubilado pela potência-arte. Aí sua condição política.

É o que atualiza no sujeito-estético o poema O Analfabeto Político, de Brecht. O poeta libera as palavras de suas cadeias gramatical e sintática manifestas na linguagem comum, elevando-as às suas potências revolucionárias. Por isso, que as ditaduras perseguem os poetas.

O Analfabeto Político

O pior analfabeto

É o analfabeto político,

Ele não ouve, não fala,

nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,

o preço do feijão, do peixe, da farinha,

do aluguel, do sapato e do remédio

dependem das decisões políticas.

O analfabeto político

é tão burro que se orgulha

e estufa o peito dizendo

que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,

da sua ignorância política

nasce a prostituta, o menor abandonado,

e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista,

pilantra, corrupto e o lacaio

das empresas nacionais e multinacionais.

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VOCÊ VAI AO ANIVERSÁRIO DE 50 ANOS DA MAFALDA? AQUELA MENININHA QUE GRITOU: “PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!”

Setembro 29, 2014

mafalda

No dia 29 de setembro de 1964, em Buenos Ayres, apareceu pela primeira vez nas páginas da revista argentina Primeira Plana, uma menininha que iria afetar o mundo com suas expressões e conteúdos hilários e muito inteligentes movimentados por uma criativa rebeldia. Essa menininha eterna é chamada de Mafalda. Cujo pai não é ninguém menos que o famoso e premiadíssimo desenhista e escritor argentino, Quino.

Hoje, dia 29 de setembro de 2014, no auge de sua continua meninice Mafalda, completa 50 anos. Uma infância cujo devir se mantém em uma variação continua de criatividade. Premiadíssima no mundo inteiro, junto com seu pai, Mafalda, iniciou sua cartografia de desejos humorísticos e protestadores quando enunciou, na década de 60, sua histórica crítica ao mundo conturbado proferindo “Parem o mundo que eu quero descer!” Essa enunciação pessoal, mas com reflexo coletivo já mostrava suas críticas à realidade perversa da economia e da política.

Seu devir/criança possibilitou que fosse traduzida para vinte idiomas e que tivesse, entre suas premiações na França Espanha e países da América Latina, uma estatua esculpida em San Telmo. Mas Mafalda, como socialista-crítica do mundo desumano, não realizou seus atos políticos, sozinha. Contou com a companhia de dois parceiros. Susanita, que gosta de marocagem e tem a ideia fixar de casar com um rico, e Manolito, materialista-capitalista, que sonha em ser o proprietário de uma rede de supermercados.

O talento revolucionário de Malfada chegou a afetar vários intelectuais e artistas. Como foi o caso do semiólogo, sociólogo e escritor Umberto Eco que a chama de “heroína enraivecida”. Pois é assim, amada pelas crianças e adultos que ela completa hoje seu jubiloso 50 anos.

Essa condição existencial de Mafalda foi sintetizada por seu pai Quino que, no auge de seu criativo e saudável 81 anos, falou em uma entrevista concedida no mês de outubro na inauguração da Feira do Livro em Buenos Ayres.

“Fico surpreso quando vejo que temas que abordei há 50 anos permanecem atuais. Até parece que desenhei a tira hoje. Deve ser porque o mundo continua cometendo os mesmos erros”, observou Quino.

Daí nos perguntarmos: Você vai ao aniversário de 50 anos da Mafalda?

VAI UM CINEMINHA? “OS QUATRO CAVALEIROS”. DOCUMENTÁRIO DE ROSS ASCHCROFT SOBRE A RELAÇÃO DO CAPITAL COM A POLÍTICA

Setembro 28, 2014

Ross Aschcroft mostra em seu premiadíssimo documentário Os Quatro Cavaleiros, a descarada corrupção da política pelo capital financeiro que faz profundas interferências nas decisões dos governos que aparecem como seus dependentes. A perversa participação dos bancos financiando candidaturas que depois de eleita ficam presas as determinações destas empresas.

Um tema atualíssimo, como se pode observar quando comparado com o momento atual das campanhas eleitorais para a presidência da República. Um exemplo claro e incontestável a candidata Marina, inquilina do PSB, envolvida até a medula com o banco Itaú de sua orientadora financeira, Neca Setúbal.

Veja, ouça e analise como essa forma de corrupção causa grandes males ao mundo. É o capital se reproduzindo de forma mais aberrante dominando as principais fontes de riquezas minerais dos povos.

O CINEMA “MISS VIOLENCE”, DO CINEGRAFISTA GREGO, ALEXANDROS AVRANAS, PARA QUEM SABE DO DESESPERO DO SILÊNCIO

Setembro 27, 2014

A estreia do cinema Miss Violence, do cinegrafista grego, Alexandros Avranas, é uma obra prima reveladora da angústia e desespero ontológico humano. O cinema foi premiado em várias mostras de cinema e festivais, mas não é exatamente aí que se encontra o seu valor estético-filosófico, porque outros filmes foram premiados nos mesmos festivais e não carregam a profundidade, a suavidade inquietadora e a revelação do silêncio que desespera.

O cinema Miss Violence, trata de uma família comum com três filhas. Uma ainda criança, uma adolescente e outra pré-adolescente. A linha distributiva dos códigos conflitantes que realizam o silêncio é demonstrada no transcurso do aniversário de Angeliki, de 11 anos, interpretada pela magnifica atriz Chloe Bolota. O avô, um homem autoritário e dominador, interpretado por Themis Panou, depois de dançar com a aniversariante, que se mostra distante durante a dança, pede para ser fotografado junto às três netas. Durante a foto, realizada por um menino, Angeliki mostra a face de seu silêncio desesperador. Na foto as duas irmãs maiores não sorriem. Só quem sorri é a ainda criança. Talvez, pela potência de seu devir-criança, ainda não ter sido capturada pelos códigos opressivos dos agenciamentos dominantes.

Logo em seguida, o avô chama sua mulher e sua filha Eleni, personificada pela bela atriz, Eleni Roussinou, mãe das três, para tirar uma foto. É nesse momento que o silêncio é rompido. Angeliki, olha para a câmara fotográfica seguindo em direção da janela, dá um sorriso e salta. Seu suicídio nos lembra o que os filósofos Deleuze e Guattari afirmaram: todo suicida não quer morrer, quer viver.

O suicídio é a escolha, em liberdade, como diz Sartre, que Angelike realizou. Ele nega a malograda existência que a família burguesa, com sua moral imobilizadora, propaga como a ‘família feliz’. Nessa família o enunciado maior e capturador é o silêncio imposto à vida, diria o filósofo Nietzsche.

A demonstração dessa posição malograda da família burguesa é vista no momento em que as pessoas procuram comentar o caso, a polícia e o serviço social procuram compreende-lo e o avô, em um comportamento desviante, busca afastar essas preocupações, para que tudo volte para sua “normalidade”.

É estética para quem percebe o invisível e ouve o inaudível além da semiótica dominante que pretende que todos sejam sujeitos de seus enunciados.

Veja o trailer e sintam a elevação que esse cinema proporciona. 

O DIA QUE EU DEIXEI DE TORCER PELO FLAMENGO*

Setembro 26, 2014

bola de futebol

Não sei quando comecei a torcer pelo Flamengo. Só sei que quando dei por mim, já era mais um torcedor compondo a massa rubro-negra no Brasil. E quem sabe no mundo. Porque dizem que o Flamengo é como capital: encontra-se em todos os lugares. O que sei mesmo, é que sofri e vibrei de felicidade com as partidas que ele jogava.

Na rua onde morava, na escola e por todos os lugares que passava fazia questão de divulgar meu amor pelo mais querido do futebol brasileiro. Colecionava camisas, calções, chuteiras, álbuns de figurinha com seus jogadores, chaveiros, calendários com seu brasão, lápis, canetas, cadernos, DVDs de seus jogos, CDs com o hino gravado por várias orquestras e cantores. Tudo referente a ele. Eu era o que se poderia afirmar de verdadeiro fã.

Quando completei 11 anos, meu pai, que tinha uma irmã morando no Rio de Janeiro, decidiu que nós íamos passar as férias de julho na cidade maravilho. Foi uma notícia vibrante para mim. Era a oportunidade de conhecer o Maracanã, o maior palco do futebol do mundo, e, quem sabe, assistir um jogaço do meu time do coração, mente, corpo inteiro e alma. Desde o momento que meu pai deu a notícia, eu entrei em uma ansiedade flamenguista. Nunca o mês de julho foi tão importante para mim. Dormia e acordava pensando nesse importantíssimo mês.

Julho chegou e lá fomos nós, eu, minha irmãzinha, minha mãe e meu pai, para a terra do “Cristo Redentor, braços abertos sobre a Guanabara”. Era uma bela sexta-feira. Para mim, naquele momento, era a melhor sexta-feira de minha vida. Durante os minutos que antecediam a aterrissagem e que o avião sobrevoava a cidade, eu disputava a janela com minha irmã. No meu caso, louco para ver se conseguiu vislumbrar o Maracanã.

Já na casa de minha tia, depois dos abraços saudosos e a entrega das lembranças que meus pais haviam levado para ela e sua família, eu pedi ao meu pai para sair e ver a cidade para comprar alguma coisa sobre o Flamengo. Meu pai disse para esperar um pouco, porque estava cansado da viagem e ao mesmo tempo disse que tinha uma surpresa para mim. Contou que havia pedido ao meu tio para ele comprar dois ingressos para o jogo de domingo no Maracanã entre o Flamengo e o Vasco. Tive um ataque de loucura flamenguista. Envolvido pela expectativa da viagem não lembrei do jogaço entre os dois maiores rivais do futebol do mundo.

Chegou à tarde do domingo, e lá fomos nós para o templo da arte futebolística. Eu era verdadeiro pinto no meio do lixo de tanta alegria. Entramos no colosso do futebol, sentamos em nossas cadeiras numeradas, e aumentou minha ansiedade. Eu olhava o estádio em todos os seus pormenores. Era a alegria mesclada com o inusitado da ocasião. Todo momento perguntava para meu pai às horas. Não acredita no que ia vivenciar. Meu perguntava se eu queria alguma coisa como um refrigerante, e eu não queria nada, só ver meu Mengão e poder vibrar.

Quando o meu time despontou na entrada do gramado eu dei grito tamanho, cheio de emoção, que meu pai me segurou, passou a mão na minha cabeça, me deu um beijo e disse que meu sonho já era realidade. Começou o jogo e aconteceu comigo algo que eu não esperava. Eu pensei que quando visse o Flamengo jogando eu ia me concentrar só nele. Não, eu era atraído também pelas jogadas do Vasco. Envolvido, também, pela torcida com seu canto, eu entrei em uma névoa de indiscernibilidade. Parecia que eu havia desmaterializado. Foi então que eu comecei a entender o futebol. Quando eu via um dos times atacando em bando, como um encadeamento de potências, onde o jogador, como um ente individual desaparece, para fazer surgir o devir-jogo coletivo, eu dizia para mim que isso que era o futebol. Não me importava maias que fosse o meu Mengão ou o Vascão do meu tio. O que me importava era vivenciar esse movimento do bando. Essa contínua desterritorialidade. A atualização do virtual gol pelos encadeamentos produtivos proporcionados pelos jogadores-bando.

O jogo terminou empatado em 1 a 1, e meu pai me disse que durante a partida tentou falar comigo, mas parecia que eu estava em transe e não falava nada. Ele me perguntou se eu havia gostado eu respondi que estava maravilhado e que havia feito uma grande descoberta. Ele me perguntou qual fora a descoberta. Eu respondi que eu não torcia pelo Flamengo. Ele tomou um susto e pediu que eu explicasse. E eu expliquei que durante todo esse tempo que dizia torcer pelo Flamengo não era verdade, porque eu não sabia o que era o futebol. Olhei bem em seus olhos, lembro como se fosse agora, e disse que eu descobrira que gostava mesmo era do futebol e que um time sozinho não podia criar. É preciso de outro time. O futebol só existe nos times. E completei afirmando que o Vasco me ajudou a fazer essa descoberta. Ele deu um sorriso meigo e cumplice e saímos do estádio.

De volta às aulas, em uma segunda-feira, ao entrar no pátio da escola, uns colegas vascaínos, tentaram tirar um sarro de mim falando que o Mengão havia perdido de 4 a 0 do Fogão. Eu fui em direção a eles pulando e gritando de alegria o nome do Fogão, Garrincha, Nilton Santos, Zagalo, Jairzinho Amarildo… Os colegas me abraçaram e fomos para a sala. 

*Conto do livro em preparação, Contos Sem Dez Contos.

VIVA O VINIL! TÉO AZEVEDO: BRASIL TERRA DA GENTE

Setembro 25, 2014

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Joia-raríssimo! Relíquia! Um presentaço para os vinilesquizofílicos! Com direito a comentário do insigne poeta, Carlos Drummond de Andrade. Téo Azevedo, compositor e cantor das raízes do Brasil, mostra a singeleza e a suavidade de sua experiência musical no movimento estético da terra.

A bolacha crioula foi gravada no ano de 1979 pelo selo Mourão da Porteira com a marca Campeiro. E é o próprio Téo Azevedo quem apresenta algumas linhas sobre si mesmo como artista.

Leiamos o que ele escreve.P1000483

“Teófilo de Azevedo Filho, nasceu em Pires de Albuquerque, município de Bocaiuva, Norte de Minas Gerias.

Cantador, poeta, vaqueiro e repentista. Tem vários livros publicados, vencedor do 1° Festival Record de Música Sertaneja (1978).

Fez diversas apresentações de Folclore no exterior. Aos 7 anos de idade já cantava nas feiras do Norte de Minas.

Descendente de uma família de folcloristas natos. É filho do cantador Teófilo Izidorio, o criador da toada de Pires.

Sua vida é viajar divulgando a cultura popular do Norte de Minas”.

Téo Azevedo

Agora, leiamos os comentários feitos por algumas personalidades ligadas ao seu trabalho.

“Prezado poeta e amigo Téo, quanta coisa boa e bonita de Minas, você faz.

Desejo que sua carreira artística seja cada vez mais brilhante”

Carlos Drummond de Andrade.

“Que pena!… Que o Téo Azevedo, que me faz lembrar o Augusto Calheiro, considerado por Villas Lobos “A mais brasileira voz popular”… por que? (repito) não me coíbe a felicidade de produzir seu primeiro LP?”

 Ariovaldo Pires (Capitão Furtado)

“O trabalho de Téo Azevedo deve ser pesquisado por todos pois tem tudo para ser analisado.

Rodolfo Coelho Cavalcante “

Rodolfo Coelho Cavalcante – Presidente da Ordem dos Poetas de Cordel do Brasil (Sede em Salvador, Bahia).

“Incrível, além de vencer o Festival da Record, Téo Azevedo ganhou os prêmios de melhor melodia e melhor interprete, uma grande proeza entre tantos finalistas presentes”.

Dirceu Soares

“Este é um disco da simplicidade e honestidade; uma voz autêntica do cantador de nosso sertão numa época em que a cultura importada nos domina. Téo nos traz a cultura popular do maior aboiador do Brasil terra da gente. É ele, Téo Azevedo”.

Mário César Pipa Furtado (Pesquisador de folclore)

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LADO – 1

Calix Bento/Vaquejada de Lamento/Velho Chico/Ternos Pingos de Saudade/Vaqueiro Valente/Asas Partidas.

LDO – 2

Viola de Bolso/Santo Violeiro/Lamento de Vaqueiro/Coletânea de Folguedos/Trovas de Natal/Jogo de Bicho.

MÚSICOS PARTICIPANTES

Miranda-Violão/Téo-Acordeom/Robertinho-Flauta e Clarinete/Gerson-Violino/Rafael D’Angelo-Viola Caipira/Adão-Viola Nordestina/Heleno, Sebastião Marinho e Téo-Ritmo/Robert, Irajá e Toninho-Coral do Miranda/Voz Grave-Cuiabano.

Fotografia realizada em Pires de Albuquerque: Nassau

Técnico de Som: Dezinho.

PROJETO MEMÓRIAS DO DIRETOR E ATOR DE TEATRO, SÉRGIO BRITTO, É LANÇADO NA INTERNET E NO INSTITUTO DE ARTE E CULTURA

Setembro 24, 2014

 

Sérgio Brito, que morreu no ano de 2011, foi um ator, diretor e cenógrafo de suma importância no teatro brasileiro. Sua vida é riquíssima em detalhes artísticos. Além de possuir uma vasta coleção de obras teatrais e de outras artes, ele viveu momentos magníficos junto aos grandes expoentes do teatro brasileiro como Fernanda Montenegro, Nathalia Tinberg, Sérgio Viotti e Ítalo Rossi. 

Pois é exatamente o resultado dessa criativa existência de Sérgio Brito que se encontra sendo lançada na internet e no Instituto de Arte e Cultura do Rio de Janeiro, no Bairro da Glória.  O Projeto Memória, composto por suas coleções e arquivos, é constituído de milhares de manuscritos, fotos, matérias de jornais, programas de espetáculos, 400 peças de teatro de autores nacionais e estrangeiros, coleções de vídeos e DVDs tudo digitalizado com os patrocínios da Petrobrás, Secretaria Estadual de Cultura e da Lei de Incentivo à Cultura. Tudo produto de seus 65 anos de carreira artística.

 O projeto foi todo elaborado por Marília Britto, sobrinha do artista que durante anos trabalhou juntou com ele e selecionando o material. O trabalho teve uma fase catalogada por ela e o próprio Sergio Britto.

“No último ano de vida dele, com o agravamento de seu estado de saúde, começamos a catalogar o acervo, com ajuda dele. Ele guardava tudo e não só sobre a sua carreira. Na verdade, o acervo contempla todos os artistas que conviveram com ele em seus 65 anos de carreira.

Colocamos no site toda a parte de interesse público, como as fotografias, os programas dos espetáculos, a relação de tudo que ele fez na vida, os três livros que publicou e a atuação dele como fundador e professor da Casa de Artes de Laranjeiras (CAL)”, comentou Marília Britto.

Para quem interessar, o endereço virtual é este www.sergiobritto.com

16ª EDIÇÃO DO FESTIVAL DO RIO

Setembro 23, 2014

Começa amanhã, dia 24, a 16ª Edição do Festival do Rio 2014. Um evento que conta com a duração de 15 dias e que faz do Rio a capital oficial do cinema, segundo alguns críticos. O festival contará com as presenças de obras cinematográficas de realizadores de todo o mundo, como é de sua característica. São filmes de géneros e temáticas diferentes que fazem ser o festival um dos mais agitados do universo cinematográfico.

São 350 filmes que serão projetados em vinte salas exibidoras entre eles 70 brasileiros. Durante a realização do festival haverá produção paralela com oficinas, debates, discussões com diretores, workshops no Cine Encontro e do Rio Market. São eventos com força de atração maior em jovens diretores ou estudantes de cinema que pretendem melhorar seus conhecimentos.

O Sal da Terra, o mais recente documentário de Win Wenders, que trata da expedição do brasileiro Sebastião Salgado, e que conta com a participação do brasileiro Juliano Ribeiro Salgado, será quem abrirá o festival. O documentário foi premiado na Mostra Um Certo Olhar, do Prêmio Especial de Cannes. Também marcarão presenças os diretores David Cronenberg, os ingleses Mike Leigh e Ken Loach. O filme de Leigh, Mr. Turner, narra a vida do pintor expressionista Willian Turner, e Loach apresenta Jimmy’s Hall com locação na Irlanda da década de 20. Um filme que apresenta os significados poéticos e políticos do cinegrafista.

A Mostra Fronteiras do festival traz obras de autores que possivelmente não serão exibidas no circuito comercial em razão da temática que tratam. São filmes que narram o que ocorre no planeta como as mudanças politicas em alguns países e as lutas dos povos pela liberdade como mostra o filme A Primeira Baixa referente à desconstrução da Líbia. E como mostra, também, Água Prateada, Um Autoretrato que narra o desmonte da Síria.

O festival tem um ponto de elevação na Mostra que apresenta uma ímpar homenagem ao cinegrafista do cinema clássico italiano: Roberto Rossellini. Serão apresentado documentário do cinegrafista italiano considerado um dos melhores. Cinemas como Roma, Cidade Aberta, Stromboli e Viagem à Itália com as magníficas e talentosas interpretações de Ingrid Bergman e George Sanders.

O festival é patrocinado pelo BNDES, Petrobrás, Secretaria de Cultura do Rio e Riofilm.

É para marcar presença, manos!

 

 

A SUAVE POESIA POLÍTICA DE BERTOLT BRECHT

Setembro 22, 2014

Bertolt Brecht Theather German poetry dialetical

O ignorante da estética-filosófica-política de Bertolt Brecht propaga que ele elimina os sentidos em proveito da razão. Obtuso desconhecimento. Brecht sabe, juntamente com os que fazem usos de suas faculdades intelectivas, que a consciência é um produto que passa pela experiência da matéria real para depois se tornar conteúdo epistemológico. Nisso, ele acaba com a ignorância.

Em seu teatro ele afirma que é preciso ter atenção aos sentidos e aos afetos, sem excluir a operação racional sobre o mundo. Olhar o mundo e analisá-lo para transformá-lo. O que Brecht propõe são atores e públicos que examinam suas condições. Não é possível realizar produção teatral sem os afetos.

Mas, o que ele chama a atenção é para os tipos de afetos. Como a consciência é produzida através da relação do sujeito do conhecimento com o objeto do conhecimento (matéria), é certo que o sujeito em um sistema capitalista tenha sua consciência constituída pelos afetos capitalistas. Para não se tornar prisioneiro dessa consciência é preciso que o sujeito seja histórico. E para ser histórico ele deve ser sujeito da crítica. Como sujeito da crítica ele escapa dos afetos aprisionadores que estão contidos na moral burguesa, muito bem encontrada nos teatros comerciais, onde essa estética trabalha para permanência do mundo burguês. O chamado teatro gastronômico que só serve para o deleite da plateia ignara.

O artista e o público de Brecht é um ser total: afetos e razão como elementos de criação e transformação. Toda obra de Brecht é carregada de suavidade poética política. Suas críticas, seus artigos, seus poemas, seus textos teatrais., etc., tudo se movimenta no mundo da suavidade. Nada de grotesco e embrutecido. Agora, só quem tem abertura para o novo pode vivenciá-lo. O que não é o caso do ignorante de sua estética-filosófica-política.

Vejamos uma breve e intensiva demonstração dessa suavidade poética-política no poema Para Ler de Manhã e à Noite.

Para Ler de Manhã e à Noite

Aquele que amo

Disse-me

Que precisa de mim.

Por isso

Cuido de mim

Olho meu caminho

E receio ser morta

Por uma só gota de chuva.

Todos nós temos que cuidar de nós mesmos, porque o mundo precisa de cada um. E quando cuidamos de nós receamos ser mortos “por uma só gota de chuva”. Como é suave e comprometedor ouvir o companheiro ou a companheiro dizer que precisa da gente. Quando as potências se compõem cria-se um mundo em que a suavidade dos afetos, mostram o quanto somos humanos.

INVERSÃO DO SAMBA “NEGA MALUCA” NO BOLSA FAMÍLIA

Setembro 21, 2014

 

Heitor-dos-Prazeres_Tres-Malandros-na-Sinuca

Quem não sofre populosfobia, quem não é traspassado por um intelecto limitado e quem não é invejoso, sabe que o Programa Bolsa Família não se reduz à mera distribuição de renda para os que vivem na faixa de pobreza. E nem tão pouco, se reduz, ao beneficiado, em uma simples posse de uma cifra financeira.

O Programa Bolsa Família se desdobra em outros territórios sociais encadeando códigos como outros dizeres educacionais, sociais, médicos e econômicos. Quem recebe esse benefício se desterritorializa de seu antigo território de exclusão para se reterritorializar em um território de inclusão. A escola, o atendimento odonto-médico, o supermercado, a compra de objetos para os filhos e outras relações que o benefício proporciona na sociedade constrói a autoestima deste que é beneficiado.

Assim, quem não sofre dessas atrofias intelectual, psicológica e moral, sabe que o Bolsa Família não se reduz a si mesmo. É aí que entra o samba Nega Maluca. “Estava jogando sinuca/Uma nega maluca me apareceu/Vinha com o filho no colo/ E dizia pru povo/Que o filho era meu/Não senhor/Tome que o filho é seu/Não senhor/Guarde o que Deus lhe deu.

Uma jovem tem um filho. O pai desparece. Um dia, o rapaz está jogando sinuca quando a mãe aparece com a criança no colo entregando-a ao rapaz dizendo que a criança é dela, o ele que nega. A confusão está formada: O filho é seu! Não, o filho não é meu. A criança encontra-se na situação de criança filha de mãe solteira, porque o rapaz não quer assumir a paternidade.

Dois seguimentos podem ser compreendidos porque a jovem procurou o pai da criança. Um, ela não quer que o filho seja visto como uma criança sem paternidade. Dois, ela quer, por direito, que o pai assuma a pensão da criança. Nesses segmentos a moral e a economia se mesclam.

Mas, em tempo de Bolsa Família, dois enunciados se mostram. Um, a mãe, abandonada, não procura o pai. Registra o filho no Bolsa Família. Dois, o pai fica com a mãe porque também quer usufruir do Bolsa Família. Em um entendimento simples, o Bolsa Família também tem a função de unir os pais. Dessa forma, o samba, Nega Maluca, entra em inversão.

Entretanto, algum obtuso pode afirmar: O pai ficou com o filho por interesse, e não por amor paterno. Bem, aí já é tema para outro samba.