VIVA O VINIL! – GUILHERME DE BRITO

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Mais uma joia-raríssima! Verdadeira relíquia gravada na década de 70, pelo Estúdio Eldorado. Para o gáudio dos vinilesquizofílicos apresentamos a primeira  bolacha crioula gravada pelo talentosíssimo e inesgotável criador, Guilherme de Brito. Uma obra musical, como se diz acertadamente, monumental. E para monumentalizar ainda mais essa estética musical, Guilherme de Brito, se expressa na bolacha crioula, com o monumental e glorioso Nelson Cavaquinho. Uma das maiores duplas músicas já produzidas pelo cancioneiro brasileiro.P1000470

Como se não bastasse tanto monumentos, a coordenação artística é de Aluizio Falcão, e a produção e direção de estúdio de J.C. Botezeli. E mais a apresentação da bolacha crioula é feita por ninguém mais que Sílvio Lancelloti.P1000471

Deixemos de delongas e vamos ao Silvio.

“Não deve ser fácil produzir música com Nelson Antônio da Silva. Não deve? Muito melhor escrever que não pode. Parece quase impossível porque os talentos imanentes, daqueles que transbordam através da pele embora o mundo, muitas vezes, nem se aperceba disso, os talentos imanentes, dizia eu, são complexos, e não comportam. Se alguém não sabe, Nelson Antônio da Silva prefere responder pelo nome de Nelson Cavaquinho. Nelson Cavaquinho. Pois com ele, com sua voz de eterno gripado, com seu violão dedilhado apenas com o indicador da mão direita, como se a carne fosse uma palheta, com a sensibilidade maravilhosa de Nelson, um cigano urbano, carioca, 68 anos de idade, outro carioca de estirpe juntou seus trapos musicais.

Filho de violonista, irmão de violonista, funcionário trinta anos da Casa Edison, formidável patrocinadora da música popular brasileira no começo do século, Guilherme de Brito  Bolhorst, capricorniano de 1922, encaixou-se ao estro de Nelson com uma perfeição de santo. O que eles fizeram, em três décadas de grande amizade e trabalho comum? Basta um leve passeio por seu repertório para definir sua importância: Quando Eu me Chamar Saudade (Sei que amanhã, quando eu morrer/ Os meus amigos vão dizer/Que eu tinha bom coração), Amor Perfeito (O amor é como a flor/Que nasce e morre/Quando não se espera), Gotas de Luar (Se eu pudesse roubar/As gotas de luar/Que vi brilhar nos olhos teus/Guardava aquele encanto/Pra enfeitar meu prato/Na hora do adeus), A Vida (Se viver é bom/Como é que a vida diz/Tens que sofrer/Pra ser feliz), Não é Só Você (Escondo a minha dor/Pois eu não sei o mal que fiz), Folhas Secas (Quando eu piso em folhas secas/Ciadas de uma mangueira/Penso na minha escola/E nos poetas/Da minha estação primeira), Mulher Sem Alma (Fui tão bom pra ela/Dei meu nome a ela), A Flor e o Espinho (Tire seu sorriso do caminho/Que eu quero passar com a minha dor).

Interrompi o projeto para que o passeio fosse, mesmo, bem leve. Não é justo que minha incontrolável empolgação coma genialidade (enfim, voltei a usar a palavra maldita!) de Nelson e Guilherme seja transmitida, apenas, por meio de um alinhavar de versos sensacionais. Primeiro, debaixo desse papel há um lindo disco a ouvir. Segundo, o lindo disco a ouvir pertence, acima de tudo, ao nobre talento de Guilherme de Brito – o primeiro disco em três décadas de carreira, quem diria. Entre parêntese: Nelson Cavaquinho também padeceu quase toda a sua vida de um anonimato discográfico, do qual só foi resgatado, há seis anos, pelo mesmo obstinado produtor artístico que se responsabilizou pela excelente qualidade deste LP.

Muito bem, paremos aqui. Eu não pretendia cair nas minúcias – uma contracapa não é a sede ideal para críticas ou comentários. Neste espaço se fazem, creio eu, homenagens públicas a quem merece. Homenagens comovidas, sim, mas rápidas. Pois o brilho da obra de Guilherme de Brito (com ou sem Nelson Cavaquinho), a intensidade de seu canto, a riqueza de suas interpretações, ah, esses precisam ser saboreados sem muitas explicações. E depressa. Para que o prezado ouvinte possa repetir a experiência duas, dez, mil vezes. A sua sensibilidade merece”

                                                                 Sílvio Lancelloti

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FACE – A

Me Esquece/Minha Paz/A Flor e o Espinho/Minha Solidão/Meu Dilema/Pranto de Poeta.

FACE – B

Quando Eu Me Chamar Saudade/Rosa do Mato/Mulher Sem Alma/Traço de União/Folhas Secas/O Bem Querer.P1000478

Foto: Severino.

Desenhos de Guilherme de Brito.

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