“SEM PENA”, DOCUMENTÁRIO DE EUGENIO PUPPO, NARRA A PERVERSA DEFICIÊNCIA DO SISTEMA PRISIONAL BRASILEIRO

Estreou neste fim de semana em várias capitais do Brasil, o documentário do cinegrafista Eugenio Puppo que narra a perversa ineficiência do sistema prisional brasileiro. O documentário que foi co-produzido pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) tem como objetivo levar o espectador a refletir sobre o sistema prisional com sua estrutura arcaica que mais promove a violência ao presidiário do que propriamente sua socialização. Se é que fora do presídio a sociedade, em sua integridade, se mostra socializada.

Um grande ponto de importância do documentário se encontra no fato do Brasil ser o país que tem a terceira maior população carcerária do mundo, só perdendo para os Estados Unidos e a China. Um dos enunciados que o documentário apresenta é a questão da diminuição da criminalidade por força do aprisionamento. E é o mesmo documentário que responde negativamente. Para isso usa a estatística de que 75% dos presos que são libertos, voltam ao presídio. Outro enunciado é a questão da convivência do preso com seus familiares. Muitos deles são abandonas por seus parentes no transcurso do cumprimento da pena. Um fato que leva o presidiário a perder, ou diminuir, sua esperança em mudar de existência quando terminar de cumprir sua pena. Também outro enunciado se mostra contundente. É a questão do encarceramento abusivo.

O documentário não se postou apenas na situação do preso e seu mundo pessoal, mas foi também envolveu outros personagens do sistema prisional e Justiça como instituição de poder do Estado. Por isso entrevistou juízes, promotores, advogados e especialistas nas questões do sistema de justiça criminal. Um recurso que Eugenio Puppo usa nas entrevistas com estas autoridades é não mostrar seu rosto e sua identidade.

Os ambientes apresentados no documentário já são do conhecimento de grande parte do público, mas o cinegrafista consegue, com sua câmara, possibilitar um novo olhar para que sua indignação se revele mais comprometedora. As selas, o banho de sol, as revistas dos familiares quando chegam no presídio para visitar seus parentes presos, a fiscalização ostensivamente armada pelos guardas, situações produzidas com o único objetivo de oprimir, causar medo e submissão, são narradas para o público de maneira implicante.

Entre outros participantes do documentário estão, o advogado, professor titular de Direito Penal da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Nilo Batista, o antropólogo e ex-secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Soares, o artista plástico, que foi preso por engano acusado de estrupo, Carlos Dias, Verônica Spíndola, que por ter que cumprir pena de sete anos e meios, perdeu a guarda dos filhos e um ex-policial militar preso por assassinato.  

Veja o trailer.

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