PÓRTICO DAS ARTES DA AFIN ENUNCIA: “UMA NOITE NEGRA”

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“O pistão d’Armstrong será no dia do Juízo Final o intérprete dos sofrimentos do homem”

Paul Niger

“África guardei tua memória África

Tu estás em mim

Como o espinho na ferida

Como um fetiche tutelar no centro da aldeia

Faz de mim a pedra de tua funda

De minha boca os lábios de tua chaga

De meus joelhos as colunas quebradas de sua queda

E no entanto

Quero ser apenas de vossa raça operários camponeses de todo os países”.

Jacques Roumain                                                                                                                                                                                                        

A Associação Filosofia Itinerante (Afin) é um corpus filosófico, político e estético que sendo apanhada pelos dizeres dos não-filósofos estoicos, Epicuro, Spinoza, Machiavel, Nietzsche, Marx, Engels, Michel Foucault,  Deleuze, Guattari, Toni Negri, Jean Baudrillard, Clément Rosset, Bárbara Cassin, entre outros e outras tenta produzir  novas formas de sentir, ver, ouvir e pensar. E dessa forma, possibilitar novas formas de existências que transcendam os sentidos e os entendimentos cristalizados pelo sistema dominante alienador. A imagem do pensamento dominante  como Estado-paranoico.

Para que essas produções se tornem enunciações políticas, filosóficas e estéticas, a Afin parte de alguns vetores como o teatrosófico, cinemasófico, esquizosom, poiesofia, letrasófica, marionetesófia e etc. O que significa trabalhar com a inteligência coletiva como devir-produtivo continuou.

“Aguardas o próximo chmadao

A inevitável imobilização

Porque tua guerra só conheceu tréguas

Porque não existe terra onde não tenha corrido teu sangue

Língua em que tua cor não tenha sido insultada

Sorris, Black Boy

Cantas,

Danças,

Embalas as gerações

Que em todas as horas partem

Para as frentes do trabalho e do tormento

Que vão lançar-se amanhã ao assalto das bastilhas

Rumo aos bastiões do futuro

Para escrever em todas as línguas

Nas claras páginas de todos os céus

A declaração de teus direitos menosprezados

Há mais de cinco séculos…”

Césaire

Trata-se de uma práxis e poiética que já desenrola, em Manaus, há 13 anos, e sempre sem quaisquer fins lucrativos.  E quase sempre nos território menos atingidos pelas políticas públicas dos governos locais. Que em verdade, são historicamente, omissos por limitação de inteligência política e falta de sentido de solidariedade social.

Embora a Afin sempre esteja envolvida pelas questões das etnias, como a indígena e negra, todavia, como estamos na semana de comemoração da Consciência Negra, ela decidiu produzir uma festa na noite de hoje em seu singular território rizomático filosófico, político e estético: Pórtico das Artes. Local cujo nome foi influenciado pelo templo Pórtico das Pinturas da Escola Estoica (Stoá Pokilé).

“Me devolvam minhas bonecas pretas quero com elas brincar

Os jogos ingênuos de meu instinto

Ficar à sombra de suas leis

Recobrar minha coragem

Minha audácia

Me sentir eu-mesmo.

De novo eu-mesmo como eu era

Ontem

Sem complexidade

Ontem

Quando chegou a hora do desenraizamento…

Eles arrombaram o espaço que era meu”.

A festa cujo título é Uma Noite Negra contará com alguns enunciados como a conferência O Entendimento da Filosofia Política sobre o Conceito Negritude. E mais cantos-negros, poesia-negra, sambas, hip-hop, candomblé, uma roda de capoeira sob a movimentação do Contra Mestre, Salvador, da Academia Manduca da Praia cuja escola é no próprio Pórtico das Artes. Serão apresentadasm, também, algumas iguarias da culinária negra. A festa tem uma cor especial, porque irá compor com os moradores do bairro que são desprovidos de qualquer enunciação política, filosófica e estética. 

O Pórtico das Artes fica no Bairro Nova Cidade, rua 72, n° 4, quadra 149. É um dos  bairros mais pobres de Manaus, entre tantos.

“Minha negritude não é uma pedra, surdez que é lançada contra o clamor do dia,

Minha negritude não é uma catarata de água morta

Sobre o olho morto da terra

Minha negritude não é nem torre nem catedral

Ela mergulha na carne rubra da terra

Ela mergulha na ardente carne do céu

Ela fura o opaco desânimo com sua precisa paciência”.

“O negro não é uma cor, mas a destruição desta clareza

De empréstimo que cai do sol branco.

A liberdade é cor da noite”.

Césaire

Uma Noite Negra.

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