A CINEGRAFISTA, LÚCIA MURAT, PRESA NA DITADURA, É HOMENAGEADA NA MOSTRA “CINEMA E DIREITOS HUMANOS NO HEMISFÉRIO SUL”

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Com o tema 50 Anos do Golpe Militar de 1964, inicia no dia 4, a Mostra Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul. A mostra é eminentemente política, mas não se reduz apenas ao terror da ditadura imposta ao Brasil entre os anos de 1964 e 1985. A mostra também apresenta temas como a população LGBT, a homofobia, a população indígena, o racismo, a discriminação da pessoa dificuldade física entre outros temas que sofrem discriminação.

Mas o que o signo maior que fundamenta a mostra é a homenagem que será prestada a insigne cinegrafista Lúcia Murat, que durante a ditadura foi presa duas vezes, sadicamente torturada e ficou três anos e meio presa. O cinema de Lúcia Murat é eminentemente político, engajado e comprometido com as questões dos direitos e liberdade do homem. Por isso, a mostra tem como cinema de abertura a obra da cinegrafista de 1989, Que Bom Te Ver Viva.

“O cinema foi para mim, naquele momento, uma forma fundamental de sobrevivência. Quando sai da prisão era como recomeçar a vida. Fui torturada por dois meses e meio. Espancamento, choques elétricos e abuso sexual.

Uma mostra que reúne direitos humanos e cinema permite não somente ser informado do que se trata, mas trabalha com emoção”, comentou a cinegrafista.

A mostra será dividida em quatro sessões. Mostra Competitiva, Mostra Memória e Verdade, Mostra Homenagem a Lúcia Murat e Sessão Inventar Com a Diferença. Os 41 filmes que serão exibidos todos no sistema closed caption e audiodescrição para pessoas com alterações visuais.

A mostra Memória e Verdade selecionou filmes que tratam da ditadura. Entre eles Cabra Marcado Para Morrer (1984), de Eduardo Coutinho, que morreu recentemente, Setenta (2013), de Emília Silveira Brasil. Na mostra Inventar com Diferença serão exibidos filmes-cartas produzidos por estudantes da rede pública de ensino.

“Temos visto algumas manifestações com alguns absurdos, pedindo intervenção militar. Parece-nos muito pertinente trazer esse tema para uma discussão de cinema e direitos humanos.

Ao mesmo tempo em que a diretora homenageada é uma cineasta cuja obra é também identificada com esta questão política, ela própria foi uma presa política.

Isso demonstra outro critério da curadoria na mostra competitiva . Agora, estamos recebendo filmes de outros continentes. Teremos países da Ásia, da África, entre os quais o Egito, a Índia e a Jordânia”, disse o curador Rafael Luna.

Os melhores filmes selecionados serão resultado da escolha da plateia. A produção da mostra é uma realização da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A entrada? É grátis. Vai lá, mano e mana!

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