ZORÓ – BICHOS ESQUISITOS, CD INFANTIL DE ZECA BALEIRO

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O cantor e compositor maranhense, Zeca Baleiro, que têm várias musicas gravadas por outros cantores e cantoras brasileiras, resolveu experimentar outro território musical e com outro tipo de ouvinte. O território musical e o ouvinte infantil.

O território infantil é um território profundamente diferente do adulto, já que a criança, como devir-poiético, não se encontra ainda assinalada, determinada, identificada, calculada e imobilizada pelos pela linguagem sobrecodificadora-adulta. Aquela cujas regras, normas e modelos formam os chamados adultos.

A criança, embora a psicanálise com sua perversão do desejo queira, não será o pai do homem, como afirma Freud. A criança se move fora dos entendimentos concretos que lhe oferecem. Daí porque os adultos não entendem a criança. Quando eles apresentam algo para elas e elas aceitam, não é porque faça parte de seu mundo-território de vivência-singular, mas porque ela não suportou a força e se submeteu. E os adultos, sádicos/ignorantes, se rejubilam acreditando que a conhecem. E é assim, infelizmente, que Édipo se estabelece como quer a psicanálise. Mas que não é o discurso da esquizoanálise dos filósofos Deleuze e Guattari, onde a criança devir-poiético se movimenta.

Zeca Baleiro experimenta um território que outros compositores já experimentaram, mas o que resultou foram objetos ditos musicais que só reafirmaram a sonorização e o texto adulto projetados na criança. E não foram ditos músicos da turma da Xuxa, Eliana, Angélica, Sérgio Malandro e &, mas outros que se tomam como sensivelmente revolucionários. Com outras audições e partitura. Na verdade o que ofereceram foi o tagarelar antimusical no molde tatibitate da sonorização estabelecida pela indústria da sociedade de consumo.

O CD de Zeca Baleiro, Zoró – Bichos Esquisitos, na verdade, não é nada esquisito. Ele apresenta nada mais do que uns bichos muito bem antropomorfizados pela psicologia infantilizada que se quer conhecedora da criança, unida com o que os adultos acreditam que é gracioso para a criança. Em seu mundo de sentimentos deprimidos e fantasiosos, de onde saem suas obras-adultas, Zeca, não conseguiu afastá-los dos bichos para que eles se tornassem esquisitos. Esquisitos eles escapariam da prisão epistemológica e fantasiosa dos adultos.

Se Zeca tivesse atentado para o rico manancial criativo dos cantadores seus conterrâneos do Maranhão, possivelmente seus bichos seriam esquisitos. Escapariam da força assinalável que pretende todos iguais. Mas Zeca não tem com o que se preocupar. O CD deve agradar crianças que já se encontram com seus ouvidos cristalizados pelos corpos-sonoros oferecidos por seus pais e professores. Vai ser o drive das festinhas nas famílias e escolas. Principalmente particulares.

Observem os nomes das músicas. A Serpente Que Queria Ser Pente, Girafa Rastafari, Maria Fedida, Morcego Sanfoneiro, entre outros. E mais, o CD conta com as participações de Tom Zé, Tetê Espíndola, MPB4, Walter Franco, Diogo Franco, Chico Lobo, Azira E e Fernanda Abreu.

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