“À ESPERA DOS BÁRBAROS”, POEMA DE KONSTANTINOS KAVÁFIS

f1000007O poeta grego, ou melhor, heleno, Konstantinos Kaváfis, que nasceu em 29 de abril de 1863 e deixou o plasma germinal em 29 de abril de 1933, aos 70 anos, foi um artista cuja serenidade e o recolhimento, lhe conferiram uma existência muito diferente dos chamados artistas que primam pelo mundanismo snobe que hoje – antes também – proliferam na cadeia mercadológica do ramo.

A demonstração de uma existência singular encontra-se no fato de sua obra ter sido pouco conhecida no mundo das letras e dos leitores. Embora descendente de família rica, cujo pai que chegou a ser uma das maiores fortunas do comércio grego, Konstantinos Kaváfis, levou uma existência frugal e sem luxo. Perseguido por sua sensibilidade alma-sexual foi e considerado, pelos detratores, como um Oscar Wilde.

Como o interesse deste Esquizofia não é realizar uma crítica literária sobre o poeta e sua obra, mas mostrar o poema À Espera dos Bárbaros vamos deixar uma breve enunciação da escritora Marguerite Yourcenar sobre o poeta.

“Kaváfis é um dos mais célebres poetas da Grécia moderna; é também um dos maiores, o mais sutil em todo caso, o mais novo talvez, o mais nutrido, no entanto, na inesgotável substância do passado”.

Vamos ao poema!

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                        À Espera dos Bárbaros

O que esperamos na ágora reunidos?

         É que os bárbaros chegam hoje.

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

        É que os bárbaros chegam hoje.

        Que leis hão de fazer os senadores

        Os bárbaros que chegam as farão.

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

        É que os bárbaros chegam hoje.

        O nosso imperador conta ajudar

      o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe

      um  pergaminho no qual estão escritos

      muitos nomes e títulos.

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpuras, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos,

de ouro e prata finamente cravejados?

       É que os bárbaros chegam hoje,

       Tais coisas os deslumbram.

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

       É que os bárbaros chegam hoje

       e aborrecem arengas, eloquências.

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?

       Porque é já noite, os bárbaros não vêm

       e gente recém-chegada das fronteiras

       diz que não há mais bárbaros.

Sem bárbaros o que será de nos?

Ah! Eles eram uma solução.

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