O AUTOR, DIRETOR, ATOR DE TEATRO CHICO DE ASSIS, NOS 60 ANOS DO TEATRO DE ARENA

chico1Houve um tempo no Brasil em que o teatro era uma simples arte cênica que refletia a cultura europeia. O modelo alienante da cena aristocrática alienada. Na verdade, a cultura-burguesa. Foram inúmeras peças escritas por autores estrangeiros encenadas nos palcos brasileiros. Não só europeias, mas também norte-americanas. Principalmente, em São Paulo. Aí a herança cultural pelo gosto – sem gosto – das ideias europeias que firmaram as raízes de uma consciência colonizada, o que é estrangeiro é melhor do que é nacional. Comédia, tragédia e drama eram somente expressões desses ideais burgueses. Foi esse ideário que o Teatro Brasileiro de Comédia, o conhecidíssimo TBC, tomou como seu orientador teatral.

Todavia, na década de 50, começou a surgir um movimento em que brasilidade passou a ser cultuada sem qualquer receio ou preocupação que o que era dominante no país. Apareceram as primeiras manifestações teatrais cujos elementos eram próprios da cultura brasileira. Foi nessa época que apareceu a peça de Francisco Guarnieri, Eles Não Usam Black-Tie. E também o espaço cênico que iria mudar os rumos do teatro no Brasil: o Teatro de Arena, criado em 1955. Durante a ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, foi palco histórico de grande resistência.

E foi exatamente nesse processual criativo brasileiro, que o autor, diretor e ator Francisco de Assis Pereira, o Chico de Assis, surgiu para o Teatro de Arena. Exatamente no ano de 1958, integrando o elenco de Eles Não Usam Black-Tie, sob a direção de José Renato. Envolvido pela ambiência areniana, Chico de Assis escreveu, em 1961, a peça O Testamento do Cangaceiro, dirigida pelo talentosíssimo e engajado Augusto Boal, o criador do Teatro do Oprimido. Então, Chico se manteve como um talentoso criador, ator e encenador implacável desse território-estético.

Ocorre que este ano, o Teatro de Arena, hoje dirigido pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), vai completar 60 anos, mas não vai poder contar com Chico de Assis, na flor dos seus 81 anos. Os psicanalistas diriam que ele está impossibilitado de participar de corpo presente na criativa e teatral festa porque parou de libinisar o mundo. Deixou de investir sua libido nas ideias, nas pessoas e objetos seu desejo.

É doloroso para os artistas do Teatro de Arena, mas Oswaldo Mendes, ator e diretor de teatro sabe como sublimar a ausência.

“É uma grande perda para o teatro e para o Brasil. Infelizmente não teremos ele aqui conosco, mas ele certamente estará presente de alguma forma”, concebeu a amizade, Oswaldo Mendes.

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