PARA A TV GLOBO “VALE O QUE VIER” E NÃO TIM MAIA VALE TUDO

375022A TV Globo sempre foi uma emissora de massa que soube explorar os afetos tristes de alguns expectadores inativos. Ou cativos. Ou sem fala. Não se satisfazendo com o crime de ser uma emissora criada com capital estrangeiro e ainda ter apoiado a ditadura civil-militar que tomou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985, fatores ignóbeis para uma moral social, prima pela manutenção da dor como seu drive antecomunicacional. Daí manter uma grade de programação voltada para a manutenção e estímulo aos afetos tristes.

Roberto Carlos é um daqueles personagens que caiu muito bem nos planos-tristes da emissora dos Marinhos. Não é por acaso que ele há mais de quarenta anos embala o peru do espectador deprimido. Apesar de que cada ano que passa, o peru vá perdendo suas últimas pregas com audiência sofrível, como ocorreu com o triste Roberto Carlos do último Natal.

Como Roberto Carlos é um produto de massa-produtiva da TV Globo, ela recorre a todos expedientes para defendê-lo, visto que sua derrocada é, para ela, sua própria derrocada. Daí, Roberto Carlos ser guardado pela emissora que apoiou a ditadura.  

Ocorre, porém, que o cineasta Mauro Lima produziu o filme Tim Maia – Vale Tudo, um dos grandes sucessos da filmografia brasileira no ano de 2014. Baseado no livro Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Mais. O filme se aproxima da pessoa de Tim de forma clara e honesta, mostrando sua inigualável capacidade criadora e social. Um trabalho em que Mauro Lima mostrou sua honestidade com o personagem que escolheu para homenagear por sua obra e sua condição existencial.

Já é do conhecimento até das pedras que não rolam, por isso criam limo, que no início da carreira de Roberto Carlos ele precisou muito de Tim, mas que depois que se tornou rei da juventude alienada passou a desprezar o bom, e alegre Tim. Rola uma onda que certa vez quando Tim se encontrava na pior, foi procurar Roberto Carlos, acreditando que iria rolar uma força. Qual o quê! A força que o rei da juventude, ídolo dos e éramos todos mortos, deu foi um par de botas surradas, com números diferentes. Tim sorriu e entendeu qual era –é – a do apaniguado da RV Globo.

Agora, a televisão dos Marinhos iniciou a exibição de uma minissérie Tim Maia – Vale o Que Vier, sobre o bom Tim, baseada no filme de Mauro Lima. E como era de se esperar, a emissora que apoiou a ditadura e conspira contra os governos populares de Lula e Dilma, excluiu a parte do filme que mostra o alegre Tim expondo a figura real do rei da depressão. Tim conta o quanto o rei do éramos todos mortos lhe sacaneou. Um quadro que os Marinhos não iam de forma nenhuma exibir. Seria como ser iconoclasta de seu próprio ídolo.

6369803414e013b672f925653f625e738a31212dMauro Lima não compactuou com a sabotagem de sua obra e pediu que o público não assista a engabelação. Ou melhor: a produção mendaz. Mentirosa e falsa.    

“Sugiro que não assistam essa versão na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, não dirigi ou editei”, afirmou Mauro Lima.

Tomando a enunciação do bom, Tim, no contexto em que ele se mostrou artista  apesar da homofobia expressada no começo da música que oferece o nome ao filme quando Tim canta “só não vale dançar homem com homem e nem mulher com mulher”, para a TV Globo sempre foi assim: “Vale o que vier”.    

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