“PÉ-DE-PAREDE”, DOCUMENTÁRIO DE BENJAMIN POTET E JESUS CARLOS, PASSA A BANDEJA

ff6e8f7b-6a8b-4460-ab99-7c01d79c7620É facílimo entender, mas impossível aceitar. Na sociedade capitalista de consumo todos os objetos e sujeitos-sujeitados oriundos de suas engrenagens estão reificados com um valo-econômico. Nesse quadro consumista, os objetos e pessoas, pessoas, não sujeitos-sujeitados, se movimentam fora. Escapam. Só que elas têm que viver. Satisfazer suas necessidades biológicas como fome e sede e suas necessidades produzidas pela cultura. 

Pois bem – nem tão bem -, um desses necessitados é o artista. Por escapar da ordem dogmática-capitalista de consumo o artista tem que criar uma forma de encontrar elementos que possibilitem suas satisfações inadiáveis. Os repentistas das cidades grandes, como São Paulo, sofrem com essa condição insensível da sociedade-oral que tudo quer engolir.

Foi, exatamente, observando uns repentistas se apresentando em um bar no bairro de Vila Bela que o artista-fotógrafo Jesus Carlos, teve a ideia de realizar um documentário sobre o tema. Com a ideia na cabeça faltava a câmara-olho que ele logo encontrou com seu amigo, o francês Benjamin Potet. Então, não deu outra. Em setembro do ano passado começaram as filmagens.

Mas, tal como ocorre com os repentistas que se movimentam por fora que passam a bandeja para que os ouvintes contribuam com uns trocadinhos, eles também estão recorrendo à bandeja para terminar o documentário Pé-de-Parede que trata do tema do repente. Um média-metragem de 25 minutos. Eles precisam de R$ 9.897.00 para terminar o documentário e criar um site que vai tratar sobre o tema-repente. Se você pretende contribuir acesse esse endereço http://catarse.me/pt/pedeparede.

“Perto de onde eu moro, aqui na Bela Vista, tem um bar e uma das vezes eu passei por lá, eu vi um cartaz na parede anunciando a apresentação de uma dupla de repentistas. Fazia muito tempo que eu não via repente, a última vez tinha sido em feiras no Nordeste.

O pé-de-parede nada mais é do que dois bancos, uma mesinha para eles deixarem a bandeja para o pessoal financiar a apresentação e os repentistas encostados na parede improvisando. Eles mesmos chamam esse tipo de apresentação de pé-de-parede.

Eles falam que existe um preconceito muito forte contra a cultura nordestina, que não há divulgação na imprensa da cultura do repente, falam sobre todas as dificuldades e se não fossem os apologistas, eles não conseguiriam sobreviver… Nós abordamos isso tudo. Pelo menos o filme vai levantar a discussão sobre o preconceito, as condições de trabalho e vai apresentar essa cultura que cause ninguém conhece e que é muito refinada e cheia de códigos”, comentou Jesus Carlos. 

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