“SABOTAGE: O MAESTRO DO CANÃO”, DOCUMENTÁRIO DE IVAN VALE FERREIRA

b3807e4f-22d7-4db3-ae9f-37ebf20aca27Certa vez o Salão Zimbabwe, em São Paulo, promoveu um concurso de rap com as apresentações das figuras da expressão libertária da periferia. Entre os rapper se exibiu uma figura que vinha do tráfico e da prática de assalto. Quando a figura começou sua performance, não deu outra: o palco perdeu sua identidade repressiva e passou a ser o mundo deslocado em forma de transversalidade dos corpos. Era a magia de Mauro Mateus dos Santos.

Estavam presentes no show, nada menos do que Mano Brown e Ice Blue, dos Racionais MCs. Os caras ficaram pasmos com o rapper que decidiram levar um lero com ele. No lero analisaram a possibilidade dele se tornar um rap-engajado como personagem da periferia. Não deu outra, dois, a figura compôs com o som libertário e passou a ser conhecido como Sabotage. Sabotage sabotou o sistema que lhe queria mais um marginal para excluí-lo da vida com prazer que é dominada toda forma de ditadura.

Em seus percursos sonoramente-produtivos gravou o CD, Rap é Compromisso, em 2002. Foi o único, mas o suficiente para mostrar sua criação engajada como protesto contra a violência criada e defendida pelo sistema burguês. Só um CD, mas muitas aparições com outras figuras malditas como o próprio Mano Brown, BNegão, Happin’ Hood, Sepultura, Negra Li. Z’África Brasil, além de protagonizar os filmes Carandiru, de Hector Babenco e O Invasor, de Beto Brant.

Foi, então, que aos 29 anos, no dia 24 de janeiro de 2003, a violência das urbes lhe pegou mais forte. Agora, seu amigo Ivan Vale Ferreira, também conhecido como Ivan 13P, lança a obra cinematográfica que iniciou há doze anos passados: Sabotage: O Maestro do Canão. O documentário é composto de depoimentos de seus familiares e amigos como Mano Brown, João Gordo, Sandrão e Helião, do grupo RZO, Paulo Miklos, Sepultura, BNegão, Andreas Kisser, Happin Hood, o ator Ailton Graça e os cineastas Babenco e Brant.

“Não vamos falar só do Sabotage, como músico, como ator, mas também do Maurinho, de como o cara teve uma vida sofrida e chegou onde ele chegou, até ser assassinado”, disse o diretor do documentário.

 

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