PEÇA TEATRAL, “INSUBMISSAS – MULHERES NA CIÊNCIA”

8548d697-6d4e-4609-8751-c5711379c94aÉ certo que as mulheres conseguiram, depois de muitas e sofridas lutas, alguns dos direitos que elas não deveriam nem reivindicar se a sociedade fosse racionalmente humana, visto que mulher e homem seriam modus de ser concretos e reais a partir de suas racionalidades e sentidos e não produto atrofiado de seus desejos degenerados pelas forças das mitificações e mistificações.

Mas o certo é que elas hoje usufruem de seus direitos conquistados em vários seguimentos como exemplo, no Brasil, a Lei Maria da Penha, entre outros. Entretanto, come se sabe no passado não era esse quadro que predominava. Não eram só mulheres das classes mais carentes, quem sofriam preconceitos e discriminações. Mulheres destacadas como intelectuais e cientistas foram claramente perseguidas por suas posições.

Pois é exatamente essa perversa realidade que a peça teatral, Insubmissas – Mulheres na Ciência, do teatrólogo Oswaldo Mendes, com a direção e cenário de Carlos Palma, vem exibindo no Teatro Eugene Kusnet, em São Paulo cuja temporada vai até o dia 1° de março.

O texto conta a história de quatro mulheres que enfrentaram a fúria patriarcal consumada como subjetividade dominante nas sociedades.

  • Filósofa matemática Hipácia, que foi assassinada a pedradas, no Egito Romano, por cristãos no ano de 415.
  • Madame Curie que mesmo recebendo duas vezes o Prêmio Nobel foi severamente perseguida pela patologia-moral da sociedade burguesa francesa, pelo simples e direito fato de se envolver com um homem casado. Quando se sabia – como se sabe – que as e os que a condenavam também eram autores da simples prática.
  • Rosalind Franklin foi cientista famosa que trabalho em pesquisa com DNA contribuindo com grandes descobertas, mas que, embora tenha sido indicada ao Prêmio Nobel, fora preterida sendo beneficiados três cientistas. Pura demonstração de discriminação.
  • Berta Lutz, bióloga, fundadora em 1919 da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, sofreu fortes perseguições por defender os ideais das causas dos direitos das mulheres. Uma discriminação óbvia quando se trata de prática misógina por parte dos frustrados sexualmente sejam homens ou mulheres.

Para o autor, Oswaldo Mendes a cenografia tem um papel fundamental na criação do espetáculo.

“A proposta da cenografia vem solucionar o principal problema que é a relação de tempo e espaço. Elas são de épocas e lugares diferentes, consolidaram suas trajetórias registrando nas ‘pedras’ suas indignações, nas ‘pedras’ que simbolizam a sedimentação dos dramas que viveram. Curiosamente Hepácia foi morta a pedradas. Curie, pelos efeitos radioativos dos efeitos da emanação vindas dos metais com os quais trabalhava e Rosalind Franklin na sua busca pelo DNA, trabalhando com feixes de cristais. As 60 pedras penduradas por cordas criam labirintos, instalando uma sensação de aprisionamento onde elas tentam buscar uma saída”, observou Oswaldo.

O cenógrafo Carlos Palma entende o espetáculo como uma forma clara de busca de igualdade encetada pelas quatro cientistas que interpretadas pelas atrizes Selma Luchesi, Adriana Dham, Mônica Ploguer e Vera Kowalska.

“Eu diria que o texto de Oswaldo cumpre os objetivos propostos pela Arte Ciência: trazer histórias do mundo da ciência, seus conflitos – agora as mulheres cientistas – seus percalços diante de um mundo onde a ética e a responsabilidade científica são colocadas à prova diariamente. Constatamos uma crescente mobilização por parte das mulheres reivindicando e agindo na busca de espaços e igualdade com os homens, difícil tarefa, mas que  arte, pelo teatro em especial, pode ser uma aliada importante neste tempo de maior conscientização da sociedade”, comentou o cenógrafo.

Na sessão de hoje, os espectadores que necessitarem vão contar com o recurso de audiodescrição produzido pela Iguale Comunicação de Acessibilidade. Para esse espectador a entrada será gratuita. 

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