A HISTÓRIA DA ETERNIDADE, DO CINEGRAFISTA CAMILO CAVALCANTE

106a17dc-4461-4480-81d1-278658e40946 (1)O mundo sempre foi eterno, infinito e sem finalidade, diria o filósofo da vontade, Nietzsche. A finalidade do mundo quem concebe é o homem. Daí que enquanto, tomado por seus projetos, essa finalidade não é atingida ela se torna eternidade. Uma eternidade construída pelas perspectivas do espaço, do tempo e de seus conteúdos. Entrelaçados no espaço e tempo os conteúdos projetam a finalidade que embora alcançada, não elimina o eterno, infinito e a não finalidade do mundo.

A cultura humana construiu o mundo aquém da caosmose produzindo e identificando realidades como objetos e objetividades humanas. Afetos, lembranças, vontades, frustrações, etc. compõem o constitutivo desse mundo. O cinegrafista pernambucano Camilo Cavalcante captou alguns afetos do sertão nordestino implicados em três mulheres e concebeu a eternidade nelas como ausência da concretude de seus anseios. 

A jovem Afonsina, interpretada pela atriz Débora Ingrid, a matriarca Dona Das Dores, representada por Zezita Matos e Querência, vivida por Marcélia Quartaxo, têm suas subjetividades exibidas pelo olhar do cinegrafista em um corpo sertanejo. O mar para Afonsina, a temperança para Dona Das Dores, de si e dos outros, e o amor de Querência, compõem a eternidade de cada uma.

Afonsina, em seu desejo de querer encontrar o mar, tem a companhia de seu tio Joãozinho, personificado pelo ator Irandhir Santos, um artista que lhe mostra que sua eternidade pode ser medida e pesada. Em uma cena ela se aproxima dele com seu desejo e ele mostra como é fácil por fim na eternidade.

“Sente nessa pedra. Feche os olhos. Passe uma vassoura nessa mente. Dá uma espanada nos pensamentos e presta atenção só na minha voz”. A ambiência sertão se condensa nela em forma de mar. Muito simples para um artista distante nas forças sociais limitadoras.

Já, Querência, na segunda gravidez, é abandonada pelo marido. Melancólica, ela flui seu sentimento de mulher que sabe que o amor é a saudação da vida, se aproxima do ceguinho Aderaldo, o sanfoneiro.

A matriarca, Dona Das Dores, sofre mudança em sua temperança quando tem que lidar com o neto que chegou de São Paulo e conduz ao sentimento forte de culpa conflituosa.

O filme de Camilo Cavalcante ganhou o Prêmio de Melhor Filme na escolha do júri popular na 38ª Mostra de Cinema em São Paulo. Também recebeu os prêmios de melhor filme, melhor direção e melhor ator no 6° Paulinia Film Festival.

Veja o trailer. 

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