INEZITA BARROSO AOS 90 ANOS NÃO COLOCA A “VIOLA MINHA VIOLA” NO SACO

e468bbe0-520b-4d7e-94c5-a14d5342f165Há alguns meses passados, Ignês Magdalena Aranha de Lima, para todos Inezita Barroso, foi “imortalizada” pela Academia Paulista de Letras. Não necessitava. Ela já é imortal enquanto viva sem precisar de qualquer entidade promotora de vaidades e bocejos. Ela, por si só, é simplesmente a simplicidade-ativa que não se espreguiça nos louros-mofentos do reconhecimento vazio.

Inezita Barroso, no dia 4, completou 90 anos. Alguns dirão: ‘Puxa vida, não sei se chegarei lá!’ Atrás vem a interrogativa ontológica: “De que adianta chegar ‘lá’ descompromissado com a existência, apenas completando tabela por ter sido parido?” Inezita Barroso não tem 90 anos, porque a arte não é tempo divisível, pesado e contado. Arte é devir-contínuo. Arte, em questão de tempo, é intempestiva.

Por tal, Inezita não guardou a “Viola Minha Viola” no saco e se recolheu aos aposentos das lembranças-imagens nostálgicas, refúgio dos que trapacearam com a existência. Infelizmente a maioria que muito antes dos 90 fica esperando o desfecho final da corporeidade.

Sua verve natural revelada como música caipira, não produção alienante como sertanejo universiotário, tem os elementos vibráteis responsáveis por sua disposição ao encontro-estético de sua música. Nela a terra respira, transpira e inspira a alegria da vida.

A não aceitação de instrumentos ditos modernos, como guitarra e órgão-elétrico, em seu programa é uma demonstração e afirmação de sua vocação-caipira. Para ela a lógica é: caipira é caipira, urbano é urbano. Ainda mais quando o urbano é urbanoide do tipo que transborda nos programas de televisão-brutalidade. Ou, propagadores da ‘brutitude’.

Não há como não perceber que se Inezita é essa realidade radiante de viver é porque teve uma infância livre, criativa e solidária, como já foi afirmado algumas vezes por ela. Foi essa infância que a fez pisar no chão e mantê-los até os dias de hoje comprometido com o cheiro da terra, da terra molhada pela chuva, o cheiro das frutas, frutos. E porque não dizer, o cheiro do estrume dos animais. A ambiência caipira que cria e inspira o a gente da terra.

Ai, Inezita! Seu canto flui no canto dos cantos que se movimentam na terra.

Veja e ouça o vídeo com a música Marvada Pinga.

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