CINE CAPOEIRA

dsc01804O grupo de capoeira Manduca da Praia, coordenado e dirigido pelo mestre Salvador, com o objetivo de envolver mais ainda a comunidade do bairro Nova Cidade na prática artística-esportiva-cívica do jogo da capoeira iniciou mais um exercício cultural no Pórtico das Artes, local onde o grupo se encontra e joga capoeira.

Trata-se do Cine Capoeira. Durante um dia da semana será exibida uma sessão de cinema com o tema capoeira. Como se trata de um trabalho coletivo, as sessões não serão apresentadas somente às crianças e adolescentes que praticam a capoeira, mas também para seus pais, parentes e a comunidade em geral. O que levará durante o fim da sessão a um debate incluindo temas da própria comunidade.

O fator pedagógico importante das sessões de cinema é mostrar como a prática da capoeira é uma forma de incluir as crianças e adolescentes em um contexto produtivo social, já que contribui para o aumento da autoestima delas. E conjuntamente com os moradores do bairro pode ampliar suas visões sobre sua comunidade.

É uma grande jogada, porque apresenta a capoeira como o elemento impulsionador das crianças, adolescentes e a comunidade às novas perspectivas que se encadeiam com outros códigos sociais que o cinema possibilita. O fato de um filme contar a temática histórica de um personagem capoeirista e suas relações familiares e comunidade, leva o espectador a compreender como foi fundamental, para a brasilidade, a criação da capoeira como forma de expressão cultural-política-libertária-africana.

dsc01906Agora, com o Cine Capoeira, as crianças, os adolescentes e a comunidade têm um endereçamento estético para vivenciar suas alegrias, apesar de suas cotidianidades sempre previsíveis, visto que a Nova Cidade faz parte do conglomerado de bairros de Manaus abandonados pelos governos. Não há qualquer produção de entretenimento público.

E uma das razões dessa miséria artística-cultural não é produção somente dos ineptos e anêmicos governos, mas também da alienação da maioria dos chamados artistas manauaras que edipianamente, atavicamente, sempre estiveram aliados como capachos desses desgovernos. Tipos que o filósofo Nietzsche chamaria, de forma desprezível, de ‘gente miúda’. Alienados artisticamente e vazios politicamente, não podem exigir destes desgovernos uma política de entretenimento público. Exigir é  demais para suas condições-indigentes cognitivas e sensíveis.

Por tal, o Cine Capoeira tem o tom, o som e o gestual mobilizador de nos presenteia a negritude! O modo ontológico livre de jogar a caporira! 

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