VIVA O VINIL! HENRICÃO – RECOMEÇO

P1010079Prestem atenção, vinilesquizofílicos! Estamos exatamente no ano de 1980. A bolacha-crioula ainda está quentinha. Aos 72 anos e no auge de seus 150 quilos, bem distribuídos, o samba nem precisa pedir passagem para esse representante excelso da transbordante África.

Henricão se mostra em sua magnitude-negra de sambista nessa gravação do Estúdio Eldorado. É possível que muitos não conheçam Henricão. Mas é menos impossível do que possível. Prova. Lembram: “Quem parte leva a saudade de alguém que fica chorando de dor… Aí, ai, aí está chegando a hora, o dia já vem..”? Lembra né. Pois é. Essa obra imortal é uma adaptação de Cielito Lindo, do compositor Fernandez, feita por Henricão e Rubens Campos. Viu como a maioria do povo brasileiro conhece Henricão.

P1010082Henricão passou alguns anos distantes das rodas de samba e dos points de encontros dos bons sambistas, mas agora que a Vai-Vai, escola de samba que ele ajudou a fundar, faz 50 anos, Henricão vem com tudo em dupla comemoração. Sua escola aniversariante e sua bolacha crioula, Recomeço. E que recomeço, meu.

Saquem a força da bolacha crioula. Vocês lembram da cantora que fazia sucesso nas rádios nas décadas de 30 e 40, Carmelita Madriaga? Não? Vocês lembram. Ela se encontra nessa bolacha-crioula. Só que com o nome que Henricão lhe presenteou: Carmen Costa. Lembrou? Claro que sim. Carmen Costa canta junto com Henricão, nessa bolacha-crioula, as faixas Carmelito e Está Chegando a Hora.

P1010083 P1010084Por ser um cara sincero, simples e companheiro, suas músicas tocam o cotidiano das pessoas de forma singela. Henricão é daqueles que ainda chora diante dos amigos e na frente de estranhos. Chorar para ele é uma forma de expressar a sinceridade do coração. Percebam um momento de choro. Henricão foi chamado ao Estúdio Eldorado para ser informado de que seu disco seria gravado. Não deu outra: chorou copiosamente. “Coloquei todas as tristezas para fora”, disse. Ele fora levado a Eldorado pelo insigne músico, escritor e produtor Aluizio Falcão.

P1010085 P1010086Uma quase lenda sobre sua chegada ao samba. Ele é de Itapira. Um comerciante que é corintiano, levou-o para São Paulo, com o desejo que ele fosse goleiro do Timão. Mas a praia de Henricão é a gafieira. Resultado: o futebol perdeu um grande goleiro e a cultura brasileira ganhou um excelso sambista.

Dizem que são coisas do destino. Pode até ser, mas no caso de Henricão é coisa de talento.

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