O DEVIR-REVOLUCIONÁRIO B.B.KING NOS FILÓSOFOS KANT, NIETZSCHE E SERRES

image_largeEm sua obra Crítica da Faculdade de Julgar, o filósofo Immanuel Kant, mostra o que ele considera como gênio. Para ele génio é o talento natural que dá regra à arte. Não regra como normas a serem seguidas, mas como elementos que participam na composição da arte bela. O que o sentido estético concebe como gosto. O gênio é uma manifestação da natureza como talento.

Mas, para Kant, o talento não basta em si mesmo como criador da arte bela. Ele precisa de um princípio: o espírito. Por isso, o filósofo das Criticas, diz que para o julgamento estético o espírito é o princípio que vivifica o ânimo. Sem espírito não há talento, e, consequentemente, não há arte bela.

Já, Nietzsche, oposto a Kant, não acredita em gênio ou talento natural. Para ele todo talento que um artista traz em si é produto da produção ontogenética do homem. Ou seja, a herança das produções da humanidade, que o dito artista talentoso, apenas aproveita como se fosse seu. Para o filósofo Nietzsche, o artista da vontade de potência é àquele que aprendeu a criar sua arte. Como exemplo ele apresenta Rafael. Rafael teve que fazer da vontade do saber a criação de seu talento como pintor.

Pois bem, diante dessas duas concepções apresentadas por Kant e Nietzsche, podemos tentar compreender o devir-revolucionário do ativista-criativo do blue. B.B. King. São 89 anos de contínua produção que podem ser entendidas por nossos esquizosóficos através do auxílio de Kant ou Nietzsche. O certo é que vai atingir o mesmo fim: B.B. King é o devir-talento-blues.

Kant também nos informa que o talento é intrasferível. Nenhum artista transfere seu talento para outro, visto que tentar transferir é fazer com que esse outro aprenda. Mas, o talento não é da ordem da aprendizagem, posto que é natural. Nietzsche, diz o mesmo ao afirmar que é preciso a vontade do saber para criar o artista. Como a vontade do saber é da própria pessoa, ela não pode aprender com outra. B.B. King é gênio em si mesmo.

Sem cultuar a nostalgia, mas Belchior tem razão ao afirmar em sua balada que “depois dele não apareceu mais ninguém”. Lógico que o poeta de Sobral não se refere ao devir-revolucionário do blue. O filósofo, Michel Serres, nos diz que antes de alguém nascer nenhum outro nasceu semelhante a esse alguém, e depois de nascido, também, ninguém nascerá semelhante ao que nasceu o que significa que B.B. King reflete Belchior em Serres. É puro gênio.

Muitos executam blues em contagiante virtuose. Entretanto, sente-se que falta o espírito vivificante do ânimo. Assim, como há poesia que nos eleva, mas falta o espírito. B.B. King transcende em espiritualidade. Sua biografia são apenas notas diante de seu devir-revolucionário. Lembrar Three O’ Clock Blues, é bom, porém o que move é o corte-esquizo de sua execução.

Pois é! BB. King em Kant e Nietzsche. Uma intempestividade bluesista!

 

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