VIVA O VINIL! – CARTOLA

P1010183Estamos no ano de 1974, nos estúdios da RCA, no dia 17 de março, o último dia da gravação da bolacha-crioula Cartola, já que ela teve seus eflúvios musicais compostos nos dias 20, 21 de fevereiro e 16 e 17 de março.

P1010185 P1010186Cartola é a primeira bolacha-crioula do autor da famosíssima As Rosas Falam. Trata-se de uma obra-prima da Marcus Pereira. De Cartola, o talentoso artista, já se falou muito, mas até ainda é pouco. Para constatar essa assertiva basta escutar uma de suas joias-raríssimas. Joias-raríssimas não por serem desconhecidas, visto que são por demais conhecidas, mas pelos eflúvios que libaram nos momentos em que se vivencia.

P1010188 P1010187 P1010189Mas vamos deixar que uma pessoa do meio de Cartola trate, para nós, desse singelo músico que quase o Brasil perdia. Será que perdia? Possível não, visto que quando ele foi reencontra já havia compostos várias relíquias-musicais. Sérgio Cabral!

P1010192“Finalmente um LP com o grande Cartola! Foi preciso que nascesse uma nova gravadora, a Marcus Pereira, para que fosse dada ao fundador da Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira, ao maior compositor de todos os tempos dos morros cariocas, a mesma honra já concedida a centenas de nomes surgidos com a mesma rapidez com que desapareceram do panorama de nossa música popular.

Aos 65 anos de idade, Cartola mostra neste disco a razão pela qual é uma legenda e uma lenda do samba. A legenda todo mundo entende. Quanto à lenda, explico melhor. Houve um tempo – bem depois de Cartola ter sido descoberto nos idos de 30 pelos grandes cantores da época – que o sambista desapareceu do morro e do samba. Muita gente pensava até que ele tivesse morrido e vários sambas falavam dele: “Tenho saudade do terreiro da escola/Lindos sambas do Cartola”, dizia um de Herivelto Martins; “Antigamente havia grande escola/Lindos sambas de Cartola”, dizia outro de Pedro Caetano. E Cartola só foi redescoberto em fins dos anos 50 pelo inesquecível Sérgio Porto numa atividade nada condizente para a grandeza do seu nome: era lavador de carros de uma garagem de Ipanema.

Mas hoje todas as pessoas ligadas de qualquer forma ao samba reconhecem a sua importância. Ele não só fundou a Estação Primeira como lhe deu o nome e as cores verde-e-rosa. Foi o seu primeiro diretor de harmonia. Um dos seus sambas, “Quem me Vê Sorrindo”, foi gravado por Leopoldo Stokovsky para a Columbia norte-americana, por indicação de Villa-Lobos. Villa-Lobos, aliás, era um grande admirador de Cartola e o convidou várias vezes para participar de espetáculos que promovia. Foi parceiro de Noel Rosa e seus sambas foram gravados por intérpretes como Francisco Alves, Mário Reis, Sílvio Caldas, Carmen Miranda, Elizeth Cardoso e Paulinho da Viola. Sãoa muitos, portanto, os títulos de Cartola, o mestre de tantos compositores importantes (o próprio Paulinho da Viola o aponta como a sua grande influência).

Mas talvez nenhum seja tão expressivo quanto ao que lhe foi atribuído pelo extraordinário Nelson Cavaquinho numa entrevista que me concedeu. Perguntei a Nelson qual, na sua opinião, é o maior compositor da nossa música. Ele não hesitou: – Cartola!”

Sérgio Cabral

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