“GERALDO VANDRÉ – UMA CANÇÃO INTERROMPIDA”, DO ESCRITOR VITOR NUZZI

f78bdc6c-c46e-4560-aa23-f1799b0776edPreocupado e esperando julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai votar no dia 10 a questão de constitucionalidade ou não das biografias não autorizadas que tem recebido múltiplas opiniões, o jornalista e escritor Vitor Nuzzi, escreveu a biografia do ícone da canção brasileira que simboliza os atos cruéis da repressão da ditadura civil-militar que dominou o Brasil entre os anos de 1964 e 1985 e vitimou centenas de artistas: Geraldo Vandré.

Uma grande parte do público brasileiro já ouviu uma música de Geraldo Vandré, como Disparada, ou Para Não Dizer Que Não Falei de Flores, ou só ouviu falar de seu nome. Mas a maioria desse público não sabe o que ocorreu de verdade com o talentoso e corajoso compositor e cantor depois que ele foi preso e irracionalmente torturado. Para Não Dizer Que Não Falei de Flores, embora ainda hoje seja cantada por manifestantes que lutam pelos direitos humanos, ironicamente a maioria desses manifestantes-cantores nada sabe de seu autor que esse ano completa 80 anos.

Para escrever a biografia, cuja ideia começou há 10 anos, Vitor Nuzzi tentou falar com Geraldo Vandré, mas ele se esquivou. Segundo Nuzzi, ele não se dispõe a conversar e não gosta de jornalistas, entretanto, embora levando uma existência reclusa, Vandré continua compondo, escrevendo letras e poesias.

Em entrevista a TVT, Vitor Nuzzi falou sobre a obra-biográfica contando como se deu a volta de Vandré ao Brasil, em 1973, depois que fora exilado e adoeceu. É um dos momentos mais controversos da existência do cantor que foi usado pela TV Globo, que era aliada dos militares.

“O projeto começou quando ele completou 70 anos, este ano ele fará 80. Eu acreditei que o Vandré é uma pessoa que merecia ter a sua obra mais conhecida. Porque às vezes, as pessoas conhecem mais as lendas, e conhecem menos as músicas. Apesar dele ter uma carreira musical curta, ele tem uma obra que merece ser mais conhecida. Ele é lembrado por uma só música.

Tinha curiosidade pela história do Vandré, porque ele faz parte daquela geração de músicos dos anos 60, e quase todos tiveram problema com a ditadura, saíram do país, interromperam as carreiras. Mas todos retornaram, estão aí até hoje, menos o Vandré que voltou ao Brasil.

Ele estava no exílio um pouco doente, e a família começou a negociar com o governo militar, para que ele pudesse voltar ao Brasil sob algumas condições. Uma das condições foi uma entrevista forjada, que saiu no Jornal Nacional, um mês depois do retorno de fato dele ao Brasil. Ele voltou em julho de 1973, e em agosto, o programa divulgou uma matéria como se ele tivesse voltando ao Brasil naquele momento. As perguntas foram previamente selecionas pelos próprios agentes federais, para que ele falasse que não tinha ligação com nenhum grupo político, que ele teria sido usado nos anos 60, ele só queria fazer canções de amor, e que espera se integrar à realidade brasileira.

Vandré é uma pessoa muito arredia. Ele realmente não gosta de conversar, nem de jornalistas. Não tem interesse em retornar a carreira comercial. Ele continua compondo, faz música, faz poesia, mas ele não tem interesse em mostrar isso para o grande público. Eu o defino como imprevisível, recluso e livre”, disse o biografo não-autorizado.

Como não pode comercializar a biografia, Vitor Nuzzi distribui a obra de 400 páginas pelos Correios. Ele mandou imprimir apenas 100 exemplares.

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