ACORDES, PEÇA ADAPTADA DE OBRA DE BRECHT, ENCENADA POR ZÉ CELSO, É CENSURADA POR RELIGIOSO E TRANFORMADA EM INQUÉRTO POLICIAL.

acordes_foto5_fermozelli_fotoarte1Em 2012, estudantes da Pontifícia Universidade Católica (PUC) organizaram um protesto contra a indicação da professora Ana Maria Marques Cintra para o cargo de reitora. O elemento causador do protesto dos estudantes foi o fato de que a professora havia sido classificada no terceiro lugar da lista tríplice apresentada pela instituição.

Com o quadro autoritário montado, os estudantes decidiram convidar o grupo de Teatro Oficina, dirigido pelo talentoso e eterno vanguardista José Celso Correa, o dionisíaco Zé Celso, que foi aluno da PUC, para encenar um trabalho e apresentar na instituição para provocar debates sobre o poder em forma de autoritarismo.

zecelso-63123-509bd42b97c23Como Zé Celso carrega a potência-política por excelência, em seu sentido singular, aceitou o convite. Apanhou um texto do teatrólogo, poeta, escritor, articulista e criador do Método do Distanciamento Brecht, que faz do espectador um cientista-político, oposto ao método psicológico do teatrólogo russo Stanislavski, em que a plateia faz empatia com o que ocorre em cena e bloquei sua faculdade racional operante no momento da encenação, elaborou o teatro – teatro é o jogo cênico – com o nome de Acordes. E mandou ver: concebeu um personagem religioso autoritário, com semelhança-plástica ao Papa Bento XVI que no final é decapitado.

O padre Luiz Carlos Lodi Da Cruz, de Goiás, escarafunchando o Youtube, encontrou o vídeo da peça e não gostou nada do que viu. Sentiu que a dogmática em hierarquia e fator metafísico, havia sido desrespeitada e ofendida. Não contou desgraça: entrou na Justiça contra o Oficina representado por Zé Celso, Tony Reis e Mariano Matos Martins e abriu um inquérito policial baseado no artigo 208 do Código Penal.

Em novembro do ano passado, o Ministério Público, através de seu representante Matheus Jacobi Fialdini, propôs a Zé Celso e os atores um acordo para encerrar o caso: que eles assumissem a culpa. Zé Celso, brechtiano por natureza política, recusou o acordo.

Ontem, Zé Celso e os dois atores foram participar da audiência que iria apresentar a conclusão do inquérito policial.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: