FESTIVAL NEW QUEER CINEMA – O CINEMA QUE EXPRESSA A HOMOSSEXUALIDADE

nqcQuando se estuda a história do cinema mundial encontra-se um quadro preferencialmente heterossexual. Os personagens centrais e coadjuvantes eram todos muito bem definidos sexualmente como a expressão do modelo dominante: o heterossexual. Mesmo quando se tinha informação que um personagem apresentado era ou tinha sido na vida real homossexual, ele era exibido, por suas atitudes, como heterossexual.

O sistema ideológico capitalista construído pela indústria cinematográfica de Hollywood foi responsável por essa moralina-sexual discriminadora. Até atores sabidamente homossexuais, como Hudson, eram apresentados através de um forte marketing como heterossexual. O que significa dizer que o público também era discriminador. E como é o público que mantém a indústria cinematográfica, o casamento foi harmonioso, mesmo com as revelações realizadas pela psicanalise freudiana.

Mas não adiantava. Havia sempre uma fissura para uma parte do público masculino-homossexual entender, e sonhar, com o ator que ocultava seu ser homossexual, mas não conseguia aprisioná-lo tão fortemente a ponto de não se revelar. O mesmo ocorria com o público-lésbico. Também para esse uma atriz era facilmente entendida por esse público. Eram verdadeiros amores que não queriam dizer seus nomes, parafraseando humoristicamente Oscar Wilde, mas que falavam.

Pois bem, foi então que ocorreram as mudanças nos comportamentos e, como sempre o devir-história se mostra, já não se podiam velara o amor que não diz seu nome. Ele se exibiu: Homossexual. Foi para as telas perturbar os que não queriam ser perturbados. Vários filmes com o temam foram produzidos a partir das décadas de 60 e 70. Mas foi exatamente nas décadas de 80 e 90 que a explosão do cinema-homossexual tornou-se mais visível, porque assumiu a sua essencialidade como um modo político de ser. E com a eclosão da Aids o tema tornou-se necessariamente uma subjetividade de politização dos que se encontravam engajados contra a posição nazifascista de discriminação.

Vários festivais foram realizados em alguns países como Canadá, Holanda, Estados Unidos. Todavia no Brasil um festival com essa temática jamais havia sido realizado. Mas gora acabou o tabu. Até o dia 21 a Caixa Cultural do Rio de Janeiro estará exibindo 27 filmes, sendo que 14 longas-metragens, 9 curtas-metragens e quatro media-metragem. São produções dos Estados Unidos, Canadá, Reino-Unido e Brasil. É O Festival New Queer Cinema. Que também será apresentado em Fortaleza, Curitiba e Salvador.

“Queer é uma palavra escolhida por teóricos e militantes por representar uma reapropriação da comunidade LGBT de um termo pejorativo que significava estranho, esquisito e era um equivalente ao viado, maricas e bicha brasileiro”, explicou Denilson Lopes.

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