VIVA O VINIL! GRUPO UM – REFLEXÃO SOBRE A CRISE DO DESEJO…

P1010231Olha só, vinilesquizofílico! Estamos nos dias 13 e 14 de junho de 1981, no Estúdio JV para a gravação da bolacha crioula do Grupo Um – Reflexão Sobre a Crise do Desejo…, sob a coordenação de estúdio de Lelo Nazário, operador de áudio Sérgio Shao-lin e mixagem de Flávia Calabi e Luiz Roberto Oliveira. Trata-se de uma obra raríssima, relíquia que tem uma nota singular: é uma experiência sobre a filosofia do ser. Um tema muito difícil e que poucos até hoje, 2015, tentaram.

A questão do ser é fundamento de filósofos como Heidegger, Sartre, Merleau-Ponty entre outros filósofos, principalmente, existencialistas. Leiamos alguns trechos escritos por Luiz Nazário na contracapa da bolacha-crioula joia raríssima que causa inveja a quem não encadeia potências com o Viva o Vinil.

P1010233“A mais radica negação do ser não é o nada, porque do nada vem o ser e pelo ser o nada vem ao mundo. A negação mais radical do ser é a pedra, porque é eterna. Insensível, fria, opaca, inteira, confiante, obejetiva e idêntica através dos séculos, a pedra resiste ao desejo com toda a força de seu peso. Haverá algo mais estranho à vida quanto a estátua de pedra que assassina D. Juan? Contudo, um personagem de Beckett exclama que tem necessidade de barulho, de barulho seco e duro, do barulho das pedras que se chocam, pondo-se a bater, pedra contra pedra, com raiva e força crescentes, as pedras que segura nas mãos: “É isto a vida! Não esta… sucção”.

P1010232 P1010234É a consciência da sucção que nos leva ao desejo e à morte. Quando a história obriga o desejo à inflexão, ele se cristaliza numa natureza ambígua, há um tempo dura e translúcida, para conservar sua qualidade essencial enquanto se torna mais resistente que a carne, que não cessa de ser devorada. No diamante revela-se um valor superior da natureza: pequeno e incorruptível, é capaz de cortar lascas e lascas de vidro. Esta imortalidade que só existe no coração dos homens enquanto recordam os que morreram pelo desejo, é o tesouro frágil que resiste aos Titãs, monólitos destinados a racharem-se nos entrechoques da história. (…)

P1010237 P1010238Desce outra noite no inferno de Eurídice. Enquanto o tempo devora o tempo e o ser desvela o ser, soa a música de Orfeu: movendo florestas e pedras, pacificando as feras do caminho, canta de novo o desejo…”

Essa bolacha-crioula teve em sua composição as participações dos músicos: Piano, Lelo Nazário, bateria e percussão, flauta da Tailândia, Zé Eduardo Nazário, baixo, Rodolfo Stroeter, piano elétrico e clarineta, Felix Wagner, sopros, Mauro Senise.

P1010236 P1010235Capa: Lelo Nazário.

Fotos: Eliana Laurie.

Impressão: Matavelli.

Produção: Grupo Um/JV Criação e Produção.

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