VIVA O VINIL! CLÁUDIO POPÓ

P1010239Estamos no ano de 1980,no Estúdio Sonoviso, no Rio de Janeiro para a gravação de mais uma produção independente da Cooperativa Mista dos Músicos Profissionais do Rio de Janeiro LTD. Desta vez, para a gravação da criativa e telúrica bolacha-crioula do músico maranhense Cláudio Popó. O vinil Cláudio Popó.

P1010241Essa bolacha-crioula é joia raríssima. É possível que nem o mais obsessivo colecionador a tenha em função de sua originalidade como documento da cultura do Maranhão. Só não é mais raríssima por que falta a presença do talentosíssimo e comprometido músico maranhense Chico Maranhão, que já foi mostrado várias vezes aqui nesse Viva o Vinil! Mas tem Sérgio Habibe, Ignês Perdigão, Juca Filho entre outros talentosíssimos personagens da terra de Gonçalves Dias, “onde canta o sabiá”.

P1010242 P1010243 P1010244 P1010245 P1010246Mas “deixemos de coisa, cuidemos da vida (Belchior)”. Deixemos que Marcos Farina, que foi o arranjador e diretor musical da obra independente, faça a apresentação da bolacha-crioula maranhense.  

P1010247 P1010248“Este disco foi feto entre amigos. Com todas as alegrias e dificuldades de uma produção independente. O produto bruto é de Popó, que traz do Maranhão, a inspiração de grande parte dos temas.

Ao trabalharmos nestes temas, procuramos manter o espírito original, deixando, entretanto, bem livre a criação de cada músico, como podemos ver em Bagaço Verde, que “sugere” o ritmo de Bumba-Meu-Boi, e Olho D´Água, onde o clima criado “lembra” o Tambor de Crioula.

Agradecemos a todos que participaram deste trabalho, pois, pela pr´pria forma de realiza-lo, esse disco é uma criação coletiva e, portanto, é um pouquinho de cada um de nós”.                           

Marcos Farina

Vejamos aqui a letra 30/8/51, uma espécie de autobiografia de Cláudio Popó.

“Eu não nasci

Com cara de datilógrafo

Nem bedel nem estenógrafo

Contínuo ou mesmo servente

General nem presidente

Nem pra médico ou doente

Eu nasci pra morte

Que é minha meta

Versejar feito poeta

Rimar vida e sofridão

Eu nasci

De um prazeroso momento

Perto da curva do vento

Lá em riba da nação

São Luiz do Maranhão

Eu não nasci

Com cara de trocador

Passageiro ou motorista

Da esquerda ou direitista

Moderado ou extremista

Nem plateia nem artista

Eu não nasci

Com cara de engenheiro

Nem honrado ou xexeiro

Criminoso ou delegado

Nem esperto ou abestado

Nem tão vivo nem finado”.

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                                      VIVA O VINIL!

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2 Respostas to “VIVA O VINIL! CLÁUDIO POPÓ”

  1. Maria Araujo Says:

    Cheguei a ouvir muito esta música. Nõ está no you tube?

  2. Márcio Pontes Says:

    Cara, esse disco deveria estar “exposto” no Youtube. É Cult, e raro.

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