PROGRAMA DE TEATRO OCUPAÇÃO GRANDES MINORIAS A PRAXIS DO TEATRO ENGAJADO

5e702009-7420-4782-8a36-c6814fdaafebO teatro não é a arte da imitação dos estados de coisas onde personagens de um texto refletem seus mundos e os atores os recriam para o deleite um público. No sentido mais simplificado o teatro é um jogo do duplo: um virtual que foi atualizado como real como arte dramática. Arte do teatro é oferecer possibilidade além da imitação da vida.

Com seus virtuais (devires), como foi entendido pelo filósofo Deleuze no teatro de Carmelo Bene, e possíveis como planos de realizações ele se desdobra em vários dizeres estéticos como realista, naturalista, expressionista, simbolista, absurdo, surrealista, protesto como o de Piscator e Bertolt Brecht entre outros. Esses conhecidos como teatros engajados cuja temática estética tem como elemento a análise do sistema capitalista como modelo opressor do homem. A síntese da exploração do trabalhador-oprimido pelo patrão-opressor.

Mas o teatro engajado, conhecido como de protesto, não se mostra só na evidência dessa opressiva relação. Ele também se mostra nas formas de realidades sociais opressivas que resultam dos vícios produzidos pelo sistema capitalista como a discriminação racial, da mulher, da criança, do índio, o assédio sexual e moral, violência nas condições de existência.

Pois é com esse entendimento de teatro engajado que mostra essa condição de opressão social e, também, mostra possibilidades de mudanças nas relações desumanas que o programa de teatro Ocupação Grandes Minorias, que vai até o dia 27 de setembro, estará apresentando no Teatro Glauce Rocha, no Rio, vários espetáculos teatrais, além de oficinas de dramaturgia.

Entre os espetáculos encontram-se Exercício Sobre Medeia, Deixa Clarear – Uma Homenagem à Clara Nunes, Eles Não Usam Tênis Naique, Suave – Notícias Futuras esse o último espetáculo do ciclo de teatro que mostra uma criação coletiva com jovens que apresentam suas perspectivas e expectativas para o futuro do mundo. Os espéculos estão bem endereçados as crianças e adolescentes.

“Tem um movimento novo, um posicionamento do teatro e uma contribuição mais clara nesse sentido de refletir sobre o Brasil. Quando eu pensei no projeto Grandes Minorias, no ano passado, imaginei como eu poderia contribuir com esta cidade, com este país, com este comportamento. Fiz um cruzamento entre as peças que eu tinha e que não tinham espaço, e entre o que outras pessoas tinham para contribuir com este pensamento sobre grandes minorias.

Este é um conceito sobre o qual Deleuze trata. Ele diz que não é uma minoria de quantidade, mas de representatividade. A gente esta tentando dar voz a grupos que às vezes são muito numerosos, como as mulheres, por exemplo que compõem mais da metade da população brasileira, mesmo assim temos uma misoginia ferrada no Brasil.

As crianças estão aprendendo a ver o mundo. Se a gente disse para elas que judeu odeia árabe e árabe odeia judeu, elas vão aprender e sempre achar que a Faixa de Gaza é uma coisa normal. A criança que vê um jongo dançando, vê um brincante cantando uma música de matriz africana, não vai aceitar jogar uma pedra na cabeça da menina que é do candomblé”, observou Márcia Zanelatto, diretora de teatro e criadora do programa.

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