PARTICIPANDO DO FESTIVAL LATINIDADES CAPOEIRISTAS SE OPÕEM AO PROJETO DE PROFISSIONALIZAÇÃO

969178-roda de capoeira -4129Tramita no Congresso Nacional um projeto que obriga que a prática da capoeira deva ser exercida por um profissional formado em educação física. Ou que a prática seja acompanhada por educador físico.

Com a realização do Festival Latinidades para comemorar o Dia Mundial da Mulher Negra Latino-Americana Caribenha, no dia 25, ontem, dia 26, foi o momento da apresentação da capoeira, como espetáculo e tema de debate envolvendo o projeto que pretende profissionalizar a prática da capoeira que no passado foi motivo de ameaça, prisão e condenação em função de sua origem negra.

O debate do tema colocou todos os capoeiristas contra o projeto que na verdade procurar cercear uma prática que nasceu como expressão de luta pela liberdade do negro. Para os mestres, alunos e afeiçoados a regulamentação profissional da prática da capoeira não vai trazer benefício para a capoeira.

969194-profissionalização capoeira-4470É o que acredita a mestra Janja, Rosângela Costa, professora da Universidade Federal da Bahia, pois o projeto divide a capoeira.

“O projeto divide a capoeira como cultura e quem pensa a capoeira como esporte. Eles pegam quem pensa como esporte e luta para regulamentar esse sujeito como atleta de alto rendimento. Isso não apenas é perverso para a capoeira como um todo, mas para nós mulheres é extremamente perigoso porque amplia abismos de desigualdade”, disse mestre Janja.

Mariana Monteiro, de 26 anos, que joga capoeira no Guará, tem o mesmo entendimento. Para ela capoeira é cultura, não esporte.

“Acho que não tem nada a ver porque não temo você falar para um mestre que já é mestre de capoeira fazer educação física agora. Nem botar nenhuma como professor dizendo que vai ensinar capoeira melhor que o mestre. Acho  difícil profissionalizarem porque a capoeira é uma cultura”, afirmou Mariana.

Já Cinézio Peçanha, presidente da Fundação Internacional de Capoeira de Angola (Fica)o que a capoeira precisa é de investimentos. Criar condições para os mestres possam ensinar seus alunos, posto que vários mestres não têm espaços para praticar a capoeiras.

“Quantos mestres não têm espaços para dar aula de capoeira? Quantos mestres muitas vezes precisam de instrumentos para fazer trabalho em uma escola? Por que não se faz fórum para instrumentalizar o capoeirista? Falam: ‘Vai ter um edital’. Ai eu pergunto: Quantos capoeiristas sabem inscrever um projeto? Então tem que fazer uma oficina de capacitação para as pessoas que querem aprender a fazer projetos”, observou mestre Cinézio.


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