CLIP DO CUMENTÁRIO DE EMICIDA MOSTRA ENTREVISTAS COM ATORES E A EQUIPE DE FILMAGEM DO CLIP DA MÚSICA “BOA ESPERANÇA”

e7ec471f-b940-448a-a458-63a4045f4795O clip da música Boa Esperança de Emicida lançado há quase um mês e que foi apresentado aqui nesse Blog Esquizofia narra, através da canção Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa, a história de um conjunto de empregadas domésticas que depois de ser muito humilhado pelos patrões resolve realizar uma revolução dentro do palacete da família burguesa. O clip vem fazendo muito sucesso e servindo de estímulo a critica contra a condição perversa imposta pelos patrões aos trabalhadores que não se resume apenas os domésticos, mas também à outras categorias.

O clip ficou sob a direção de Kátia Lund e João Wainer. Agora, os mesmos assinam o clip documentário que apresenta entrevistas com os atores e a equipe que participaram do Boa Esperança. O minidocumentário, entretanto, se resume apenas em mostrar as opiniões dos atores, técnicos e diretores. Vai mais longe: fomentar o debate sobre o racismo que no Brasil é ostensivo e violento e que se mostra em suas variadas facetas como na forma de salário pago ao trabalhador negro.

O depoimento tem o tom de realismo quando se sabe que se trata de pessoas que trabalharam como domésticas e sofreram o preconceito racial como foram os casos de dona Jacira Oliveira, mãe de Emicida e a atriz Divina Cunha.

“Muitos lugares onde trabalhei, não podia comer. No Pacaembu mesmo tinha um lugar da casa onde a gente não podia andar, eram só eles. Eu não estou mentindo,  estou falando sério. E isso é normal na vida do povo muito rico”, afirmou Divina.

Por sua vez, dona Jacira afirma que já deixou muitas patroas “com as cadeiras com as pernas para cima”.

“Eu precisava de dinheiro. Não foi por muito tempo que eu trabalhei como empregada doméstica, não. Eu sou louca! Eu j á largueie muita mulher com as cadeiras com as pernas para cima: ‘Dane-se! Você vaia arrumar, você não é boa?’ E vou embora”, afirmou dona Jacira.

Emicida, que abre o minidocumentário, faz sua análise sobre a crueldade do racismo no Brasil e a forma de exploração dos trabalhadores.

 “Acho que tem uma parada muito louca que a gente precisa discutir: uma é a escravidão e outra é o modus operandi da escravidão que está presente até o dia de hoje na realidade brasileira. Uma pessoa te remunerar por um serviço não significa que aquela pessoa, em instância alguma, é dona de você, que ela tem poder para fazer qualquer exigência que não seja aquele serviço que ela está te pagando. E isso ainda deve ser feito de maneira respeitosa porque é uma relação entre dois seres humanos.

Dentro desse caldo, a gente coloca o tempo racial porque a gente está em um país que realmente é dividido, tem uma segregação gritante e a maioria dos afrodescendentes está nesse tipo de condição. Esse é o questionamento mais urgente e mais foda que a gente propõe para o Brasil com esse clip”, mostra Emicida.

Veja e ouça o minidocumentário e tome sua posição.

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