VIVA O VINIL! DO LAGO À CACHOEIRA – SÉRGIO RICARDO

P1010260Presta atenção, esquizovinilfílico! Estamos… Repetindo. Estamos nos meses de janeiro e março do ano de 1979, no Estúdio Level-Rio, Discos Continental. Essa não é uma gravação independente, mas não poderia ser diferente porque o compositor e cantor já é uma pessoa respeitadíssima e são as gravadoras que correm atrás dele. Embora a música não o tenha feito uma pessoas rica. O que ele não pretende. Mesmo sendo oriundo de família classe media.

P1010262Trata-se da bolacha-crioula Do Lago à Cachoeira, do engajadíssimo Sérgio Ricardo. Quem não conhece? Sérgio Ricardo sempre se mostrou um homem envolvido com as causas políticas-sócias. Morou, e ainda mora, na Favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, onde junto com a comunidade tenta criar condições de vida digna, apesar da violência policial, contra os moradores, que ele sempre denuncia. Respeitadíssimo como compositor e cantor, Sérgio Ricardo, é também cinegrafista, ator e poeta. Foi diretor do premiado longa-metragem A Noite do Espantalho, e ainda compôs musicas como trilha sonora de filmes de Glauber Rocha, o revolucionário do Cinema Novo Brasileiro.

P1010261 P1010263 P1010264Há na biografia-ativa de Sérgio Ricardo um episódio que é sempre lembrado onde mostra a alienação de uma parte do público da classe média, hoje conhecido como coxinha.

Ao participar do III Festival de Música Brasileira, da TV Record, com a música Beto Bom de Bola, na década de 60, os coxinhas da época começaram a vaiá-lo em função de sua música ter um cunho social e político. Ele não contou desgraça, quebrou o violão e jogou na cara dos coxas. “Vocês venceram!”, desabafou saindo do placo.

P1010266A ditadura civil-militar comendo no centro e os coxas se expressando como seus apoiadores. Esses alienados coxas seriam os pais dos alienados coxas de hoje. Esse o quadro: coxas filhos com os pais coxas. E os coxas vaiadores foram defendidos pelo diretor da Record, Paulinho Machado de Carvalho, que desclassificou a música de Sérgio Ricardo..

P1010267Certa vez, a gravadora Polygram – ou seria a Philips? -, promoveu um festival com seus músicos, comparecendo Gil, Chico, Caetano, entre outros, e entre outros, Odair José, que também era da gravadora. Ao começar a cantar sua música Vou Tirar Você Desse Lugar, os coxas, que o alcunharam de cantor das empregadas domésticas, começaram a vaiá-lo. Caetano entrou em cena e recorreu a violanada de Sérgio Ricardo: “Vocês merecem é violão na cara!”. Depois ele cantou junto com Odair José sendo aplaudido pelos não coxas. Comprovando que Sérgio Ricardo fez carreira, mas é preciso se preocupar com a marca e o preço do violão.

Essa bolacha-crioula só tem fera! Não podia ser diferente. Grupo Viva Voz, Antônio Adolfo, Wanda, n harpa, Luizão, Oscar, Marcão, amigão de Sérgio Ricardo no Vidigal, Chiquinho Batera, Rafael, Neném, Cuscus e Juca, Neco, Meurelles, Celso e Frankiln, Daltro, Alzik, Lana e Virgílio, Lúcio, Alceu, Márcio e Iberê, Pareschi, EDuarado Huck, Perrota e Zé Alves. E adivinha de quem é a direção artística? Acertou na mosca no alvo! Maurício Tapajós. E os arranjos? Acertou outra vez1 Oscar Castro Neves.  

P1010268 P1010269Então, fica combinado esquizovinilfílico. Vamos Do Lago à Cachoeira, certo. Nada como um banho no lago e na cachoeira.

Viva o Vinil!

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