SEMPRE ATUANDO NAS RUAS A TRUPE DUNAVÔ ATACA AGORA COM “REFUGO URBANO”

2ae1a195-9a7a-49ef-8990-077876de0d68O teatro como arte coletiva se originou com temas ligados às questões econômicas, políticas e sociais. Mesmo quando parecia que os deuses dominavam a cena, como ocorreu com o teatro grego. Os deuses eram tão somente personagens que expressavam discursos políticos referentes à política humana.

Todos os três principais trágicos gregos Ésquilo, Sófocles e Eurípedes colocaram em cena esses temas que eram fundamentais à sociedade grega. Mesmo que o teatro de Ésquilo só apresente deuses, esses deuses não escapavam da potência terrena que envolve os homens. Sófocles deixa os deuses um pouco de lado e engaja o homem na cena. Mas é com Eurípedes que a cena grega é dominada pelo homem. Porém, de qualquer sorte os três só trataram dos “negócios do homem”, como diz o teatrólogo alemão Brecht. No mesmo movimento humano nasce e se desenvolve a comédia grega com seu expoente Aristófanes.

Para alguns críticos existem dois tipos de teatro de acordo com sua temática. O chamado teatro gastronômico-burguês cuja única intenção é “embalar os bocejos e os sonhos matinais (Belchior)” dessa classe parasitária, e que na dita era virtual é apresentado em alguns lares pela televisão alienadora. E o teatro conceituado como político que teve como seus grandes inspiradores Piscator e Brecht cujos espetáculos tratavam da exploração dos trabalhadores pela ideologia burguesa do capital. Um teatro onde é claramente mostrada a luta de classe.

De um lado a força de produção, máquinas, matérias primas, força de trabalho, ferramentas e prédios. E de outro lado às relações de produção fomentadas pelas duas classes antagônicas. A classe capitalista proprietária do capital e da força de trabalho do operário, e classe trabalhadora cuja única riqueza é sua força de trabalho.

Porém, é preciso considerar que o chamado teatro gastronômico-burguês também é político, já que ele mostra a moral burguesa em sua clara e insofismável impotência. O gosto burguês é uma forma pedagógica de quem quer saber o que não é necessário para vida estudá-lo. A diversão para o burguês é uma forma de anestesia provocada por sua própria condição abstrata. Diante dos eflúvios sonoros de Wagner eles simulam experimentar. É gosto gastronômico só para classificar, mas o burguês sequer sabe comer. Daí uma fonte política exuberante para servir de estudo.

Mas o teatro político não é só um teatro que visibiliza claramente as contradições próprias da estrutura do capital em forma material de luta de classe. Ele é também um teatro que mostra o invisível da sociedade atual dissimulando a luta de classe como o racismo, a homofobia, misoginia, discriminação do índio, entre outras invisibilidades.

É observando o mundo atual que a Trupe DuNavô apresenta seu mais novo espetáculo Refugo Urbano nascido das experiências de seus membros através do teatro de rua. A trupe encontra-se na rua há mais de dois anos. O chamado teatro de encontro ao povo que prosperou no período da ditadura.

Pamplona e Claudius são dois palhaços que se encontram em um beco e a partir desse encontro passam a encenar situações com personagens invisíveis que eles mesmos criam. Para eles o invisível é tudo que se encontrar ao redor, mas que eles ignoram por não ser agradável ou porque preferem permanecer na bolha individual. Através do lúdico circense eles tentam mostra o que há de trágico nas ruas.

“Chamamos “invisíveis” tudo aqui que está ao nosso redor, mas preferimos ignorar a existência, por não ser agradável aos olhos ou porque nos habituamos a ficar em nossa bolha individual. O que ambicionamos foi criar uma obra capaz de dialogar com todos os cidadãos, propondo uma reflexão sobre o que há nas ruas e qual é a nossa capacidade de resignificar o que nossos olhos já habituaram a ignorar”, observou Gislaine Pereira, atriz da trupe.

Para a atriz Gabi Zanola, o espetáculo trata da nossa humanidade que muitas vezes aparece como “mais sinceras tolices”.

“O espetáculo é cheio das nossas mais sinceras tolices humanas, que podem ser bem engraçadas, muito dolorosas e cruéis. Refugo Urbano é a permissão de dois mundos diferentes, que se deixam levar juntos para um mesmo propósito, o que os torna iguais. A partir da solidão e da individualidade de cada mundo, esses dois palhaços tão distintos, e ao mesmo tempo tão iguais, criam um universo único”, disse a atriz Gabi que contracena com o ator Renato Ribeiro.

“Ô raia o sol, suspende a lua!

Olha o palhaço no meio da rua!”

Se você for passando por uma rua e esses palhaços estiverem circenciando, aproveite! Aplausos!

Veja o teaser.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: