VIVA O VINIL! VADICO – EVOCAÇÃO III

P1010283Atenção, esquizovinilfílicos! Estamos transpondo percursos entre os meses de agosto e setembro de 1979 – não esquecer: tempo brabo da ditadura civil-militar -, no Estúdio Eldorado para vivenciar a gravação da ilustríssima bolacha-crioula Vadico – Evocação III, com a coordenação artística de Aluízio Falcão, direção de produção, Antônio Vincenzo e arranjos e regências de Theo de Barros e Edson José Alves.

P1010286Trata-se de verdadeira relíquia como joia-rara das mais cobiçadas. Vadico, o parceiro fiel e talentosíssimo de Noel Rosa, para além do Feitiço da Vila. Se Noel Rosa era o poeta da letra, Vadico era o Apolo da música. Sua lírica além de apaixonar remete o ouvinte a outros universos nunca dantes musicados.

Vadico é tão transcendente-musicalmente que não tem fator necessário afirmar que ele morreu antes de completar 52 anos, em 1962, depois de ter nascido no mês de junho no dia 24, no ano de 1910, para receber a identidade-estatal de Oswaldo Gogliano, e criar a nominalização estética, Vadico, para em 1932 se encontrar pela primeira vez com o bom amigo, Noel Rosa, a dupla multifacetada da música brasileira.

P1010287 P1010288Ironia além do capitalismo fonográfico. Vadico que gravou em três gravadoras da indústria fonográfica, Continental, Phillips e Columbia, tem agora uma histórica gravação na Eldorado em forma de produção independente.

Mas deixemos de coisas e vamos à carta publicada em 22 de janeiro de 1976 no Jornal da Tarde de São Paulo, por seu irmão Dirceu Gogliano, com o título, A Vadico o Que É de Vadico.

“Sr.“Justa a homenagem prestada a Noel Rosa no programa “Noel Rosa Especial”, levado ao ar por uma TV do Rio em 18 de dezembro passado. Estranhável, porém, o fato de que, sendo Noel Rosa de elevados números de composições, sempre que em Rádio e TV se fala algo sobre Noel Rosa, as peças constantes de tais programas não são de sua autoria.

P1010289 P1010290 P1010291 P1010292Assim é que no programa surgiram “Feitiço da Vila” (como fundo musical), “Pra Quer Mentir”, “Conversa de Botequim”, “Só pode ser você”, “Feitio de Oração”, músicas escritas por meu irmão Oswaldo Gogliano (Vadico). Durante a apresentação, ouvi frases como esta: “Noel é que endireitava a música e não queria botar o nome dle. Porque tem muito autor aí que eu sei que a música é de Noel inteira. Em seguida a essas expressões, a execução de “Conversa de Botequim”, composição musical de Vadico.

Deixo de citar o nome da autora das expressões, porquanto não é meu feitio atingir quem quer que seja. Além do mais, não há, nesta missiva, outra intensão senão a de estabelecer a verdade dos fatos. Foi infeliz a produção do programa: a execução de uma peça musical de Vadico, da qual Noel participou unicamente com a letra (tenho o original impresso em meu poder), dá a entender que Vadico estaria incluído entre aqueles que Noel ajudou a compor música.

Isso posto, solicito aos srs. A fineza de publicar, para esclarecimento público, o seguinte: não me causa admiração o procedimento de Noel Rosa. Pessoa de coração bem formado, sentia prazer em colaborar, auxiliando compositores de diminutas possibilidades, caso que não se aplica a Vadico. De fato, não me causa surpresa, pois, decorridos quase quarenta anos de falecimento de Noel, há ainda muita gente fazendo música ruim. Como se vê, sua colaboração em favor daqueles que dele necessitavam era um ato de humanidade, mais do que de Arte.

Assim como Noel, com seu talento ímpar, não precisava de pessoa alguma para escrever seus versos, Vadico dispensava qualquer ajuda quando se dispunha a escrever música. Essa afirmativa não é apenas minha, mas de vários de seus colegas de São Paulo e do Rio, pessoas da maior capacidade musical.

Relativamente a “Feitio de Oração” e “Feitiço da Vila”, tal é o atrativo dessas composições que seu aspecto puramente musical que, segundo elementos comprobatórios que coloco à disposição dos srs., essa peças têm sido executadas em mais de vinte países”.

P1010294 P1010293Dirceu Gogliano, Capital.

Músicos que participam dessa Evocação III. Amylson Godoy, Elias Sion, Caetano Finelli, Osvaldo Sbarro, Jorge Gilbert Izquerdo, Aldino Nuñez, Luciano Rabarchi, German Wajnrot, Michel, Verebes, Johanes Oeçsner, Calixto Corazza, Paulo Tacceti, Shinjy Ueda, Márcio Montarroyos, Gabriel, Pituba, Theo de Barros, Edson José Alves, Décio Cascapera, Grace Busch, Heraldo, Carlos Alberto, Roberto Marialva, Dirceu, Raul de Barros, Francesco Pezzella e Daniel Havens.

 

                                                 VIVA O VINIL!

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