TRÊS POEMINHAS DE BRECHT TOCANDO DE LEVE NAS COSTAS INDIFERENTES

Bertold Brecht Berliner EnsembleBertolt Brecht, na verdade Berthold, nasceu em 10 de fevereiro de 1898, em Augsburg, sul da Alemanha. Estudou medicina, tocou guitarra, treinou boxe com exercício físico, mas cedo descobriu Marx e sentiu o cheiro do povo. Embora tenha sido de uma família onde se era acostumado a ser servido. Dessa experiência, aprendeu todos os truques, as artimanhas e as trapaças da classe burguesa. Aprendizagem que o fez o grande pedagogo do povo mostrando-lhe a moral burguesa como egoísmo de dominação de classe.

Criou o método de distanciamento do Teatro Dialético que tem como objetivo didático ensinar o publico a examinar sua condição social e buscar novas formas de existências dignas do homem livre. Um teatro- laboratório de análise social. Seu espectador principal, segundo suas intenções estéticas, era o trabalhador, sujeito que deveria ser o senhor de sua própria história.

Brecht foi teatrólogo, ensaísta, crítico, romancista, cinegrafista, militante, autor de obras teatrais revolucionárias que correram o mundo, e de tanto correr o mundo foi perseguidos pelos capachos de Hitler, que propagavam e defendiam sua doutrina nazista, o que o levou a mudar de “país mais do que de sapato”, até chegar aos Estados Unidos e ser preso acusado de propaganda comunista pela ala conservadora do Senado.

Mas Brecht também criou belos poemas revolucionários no verdadeiro sentido revolucionário: poemas que propõem mudanças de afetos tristes aos afetos alegres. Poemas que potencializam a existência. Por isso, escolhemos três poeminhas, com tradução de Paulo Cesar Souza, para que você esquizofílico, leia e se permita elevação de potência estética e ética.

PARA LER DE MANHÃ E À NOITE

Aquele que amo

Disse-me

Que precisa de mim

Por isso

Cuido de mim

Olho o meu caminho

E receio ser morta

Por uma só gota de chuva.

 

E EU SEMPRE PENSEI

E eu sempre pensei: as mais simples palavras

Devem bastar. Quando eu disser como é

O coração de cada um ficará dilacerado.

Que sucumbirás se não te defenderes

Isso logo verás.

 

CANÇÃO DE UMA ENAMORADA

Quando me fazes alegre

Penso por vezes:

Agora poderia morrer

Então seria feliz

Até o fim.

E quando envelheceres

E pensares em mim

Estarei como hoje

E terás um amor

Sempre jovem.

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