VIVA O VINIL! EDU DA GAITA – VOLUME II

P1010312Agora é somente sonorização, esquizovinilfílicos! Não há texto literário, como diz a análise literária. É só imagem-sonora. Estamos no ano de 1978, ditadura braba, no Estúdio Eldorado para a gravação da finíssima bolacha-crioula, Edu da Gaita – Volume II. Joia raríssima! Relíquia do cancioneiro instrumental brasileiro. É a primeira bolacha-crioula de Edu da Gaita. Na pia batismal: Eduardo Nadruz.

P1010315Encontram-se no estúdio, Aluízio Falcão, como coordenador artístico; Theo de Barros, como produtor e diretor de estúdio, Leo Perachi, Theo de Barros e Edson José Alves, como regentes e arranjadores; Flávio Machado, como assistente de arte; Ariel Severino, como diretor de arte e capa; e o talentoso, Luiz Carlos Batista, como técnico de gravação e mixagem.  

A gaita de Edu desfila suavemente pelas partituras singulares dos compositores da música nacional e internacional. Lamartine Babo, Luiz Bandeira, Vadico e Noel, Waldir Azevedo, Luiz Bonfá, Francisco Alves, Choppin e o próprio Eduardo Nadruz. Uma potência intensiva que só a gaita de Edu sob sua criação pode oferecer como deleite aos ouvintes.

A apresentação da bolacha-crioula é do próprio Edu da Gaita que além de escrever sobre o projeto da gravação, agradece de forma própria de músico convocado por Apolo, as participações de todos os compositores e músicos que o acompanham. Como Edson Luiz Alves, Theo de Barros, Heraldo, Décio, Bolão, Rafael, Luiz Bonfá e Leo Perachi. Como diz, expressivamente, verdadeiras crias dionisíacas e apolíneas.

P1010316“Amigos!

Quando em fins de 1978 me foi apresentado por Aluízio Falcão uma proposta no sentido de gravar o primeiro LP para o selo Eldorado com um repertório exclusivamente composto por autores brasileiros, percebi que algo de definido me era oferecido. A incômoda posição “proporcionada” por uma carteira profissional que determinou desde 1937 a minha estranha profissão de músico “excêntrico” constituía, dadas as origens populares e porque não dizer infantis de meu pequeno instrumento, um rosário de decepções e mal-entendidos dificilmente contornáveis.

Se para a chamada “área erudita” era considerado um “popular atrevido”, para a “área popular” passei a ser precisamente o contrário, ou seja, “um erudito”. Isto representava uma situação tragicômica para um músico que teve o descuido de tocar num instrumento “sem cátedra”. Entretanto devo reconhecer que ao longo dessa atribulada carreira muitos críticos, músicos e cronistas especializados denunciaram não raras vezes esse drama que tanto me afligia. O próprio Aluízio Falcão ao assinar a contracapa do disco teve o cuidado de anexar ao seu texto de apresentação um fac-símile daquele instrumento de trabalho, focalizando este aspecto “sui-generis”  de minha vida artística.

O entusiasmo que tive ao constatar através de reportagens e informações promovidas pelo Estúdio Eldorado, levando ao grande público não apenas o lançamento de um disco, mas também dando a maior importância aos precedentes que motivaram a sua realização, fez renascer em mim aquilo que mais poderia justificara  aminha presença como músico, contribuir com todo o esforço e dedicação para o bom nome da cultura de nossa terra. E assim praticamente reiniciava minha atividade no setor do disco, do qual estava afastado há quinze anos.

E o resultado não se fez esperar, aqui estou, ainda sob a ressonância do êxito obtido pelo L.P. lançado em 1979, escrevendo, escrevendo a contracapa deste “Edu da Gaita nº 2”, para explicar o seu conteúdo. Mesmo não havendo de minha parte nenhum compromisso no sentido de executar única e exclusivamente páginas de autores nacionais, resolvi dar curso a mesma filosofia usada no primeiro disco executando música brasileira em 8 das dez faixas que compõem este L.P.

Aproveito, desta forma, a oportunidade de prestar uma pequeno depoimento sobre os autores que interpreto e o porquê da inclusão de suas obras neste disco…”

Eduardo Nadruz

LADO – A

P1010319Gaitinha Gaúcha/Brasileirinho/Voz do violão/Rapsódia Portuguesa/Velhos Tempos.

LADO – B

P1010320Uma Gaita Sobe o Morro/Valsa do Minuto/Serra da Boa Esperança/Cafundó/Feitiço da Vila.

 

                                                    VIVA O VINIL

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