PESQUISA MOSTRA QUE PRÁTICA DA CAPOEIRA É TERAPIA PARA REFUGIADOS

capoeira_para_refugiadosO Projeto Capoeira para Refugiados surgiu em 2007, na Síria. É um projeto sem fins lucrativos e que atua também na Palestina cujo objeto é, como terapia, auxiliar os refugiados, principalmente crianças e adolescentes, a elaborarem suas tensões emocionais e físicas provocadas pelas guerras.

Como expressão-cultural afro-brasileira que encadeia corpos afetivos, ético, psicológicos e físicos, o projeto tem funcionado como terapia importante para esses casos que já vem sendo considerado como necessária a sua continuação e quem sabe espalhado para outros territórios.

Diante dessa realidade, pesquisadores da Universidade do Leste de Londres realizaram uma parceria com o Projeto Capoeira para Refugiados e compuseram um estudo para saber tanto da prática, como dos resultados do exercício da capoeira com refugiados em áreas de conflito. Assim, eles coletaram dados entre os anos de 2013 e 2015 e tiveram como resultado da pesquisa a certeza de que a prática da capoeira auxilia os que a praticam a elaborar seus estados de ansiedade, medo e ódio decorrente da opressão e da perda de segurança.

capoeira_para_refugiados_instrumentoPara os pesquisadores a prática de capoeira desenvolve cinco pontos chaves: estabilidade emocional, tolerância, amizade, força interior e capacidade de brincar. Os apelidos que são dados aos participantes e que faz parte do ritual da capoeira, junto com as relações movidas por brincadeiras; auxilia aos praticantes no fortalecimento de suas identidades, afirma o estudo.

“A capoeira promove a melhora do condicionamento físico e o desenvolvimento das capacidades, o que gera autoestima. Ao mesmo tempo como outras artes marciais, exige autocontrole disciplina. Por meio da incorporação da música e da dança, permite espaço para a criatividade e a expressão pessoal, oferecendo uma dimensão que falta em outras atividades físicas”, mostrou Hannah Prytherch, uma das pesquisadoras.

Os dados obtidos pelo estudo foram obtidos através de discussão com grupos de crianças, entrevistas com treinadores, professores, conselheiros escolares e alunos. O resultado do estudo recebeu o nome de teoria da mudança que tem como corpo principal a capacidade de brincar da criança.

“A ampliação da capacidade de brincar garantiu aos alunos meios de expressar e chances de aproveitar a infância, levando a um sentimento de felicidade, prazer e liberdade psicológica”, diz trecho do relatório da pesquisa.

Uma menina e um menino falam sobre suas experiências na capoeira.

Menina – “Em vez de sair e agredir uma pessoa que odiamos, jogamos capoeira. Deixamos toda a energia e a dor saírem na capoeira. Deixam a raiva sair. Quando estamos muito preocupadas ou tensas, jogamos capoeira e relaxamos, esquecemos”.

Menino – “O que mais gosto na capoeira é que, sempre que vou para a aula, eu volto para casa feliz. Eu vou para casa relaxado e continuo de bom humor. Estou sempre com o humor da capoeira, cantando as canções até eu dormir. Eu lavo as louças ouvindo canções”.

Não esquecer que no ano de 2014, a capoeira do Brasil recebeu o título de  Patrimônio Cultural da Humanidade.

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