MINHA SÃO PAULO – O OLHAR DA CIDADE PELA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA. 50 MORADORES DE RUA FOTOGRAFANDO A CIDADE

24out2014---a-mostra-memorias-da-rua-do-fotografo-portugues-miguel-castello-retrata-a-vida-de-moradores-de-rua-e-fica-em-cartaz-ate-31-de-outubro-na-estacao-clinicas-da-linha-2---verde-do-metro-1414166311132_615x470A cidade nasceu fora e não dentro. O dentro tem marcas do fora, mas, como cidade, o que significa a existência é o fora. A rua. Quem estar dentro de uma casa só observa sua rua, entretanto a cidade não é só uma rua.

A cidade como corpus-urbanos estilístico, histórico, arquitetônico, funcional, afetam seus moradores, diz o filósofo Felix Guattari. Aí que o fora pode refletir-se no dentro, mas sem ser o fora sendo mais o dentro das condições das classes. A burguesia é um insuportável dentro, não percebe o fora. Só percebe quando ela se sente ameaçada. Todavia, essa ameaça tem claro fator bumerangue: ela construiu um mundo sem alteridade com os de fora, e não salta outra situação: a ausência do outro volta como ameaça.

Colocar 50 máquinas fotográficas nas mãos de moradores em situação de rua é revolucionário como variável do olhar estabelecido pela burguesia. O olhar de quem mora fora e observa continuamente a cidade tanto fora como dentro. É um projeto que toca nesse sentido que se consuma nas formas e imagens. O morador de fora ser autor de seu olhar, deixar de ser olhado pelo olhar-dentro da cidade para olhar a cidade imprimida na arte fotográfica de seu olhar.

O projeto Minha São Paulo – O Olhar da Cidade pela População em Situação de Rua, organizado pela With One Voice em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania e as ONGs inglesas People’s Palace Projects e Streetrwise Opera e British Council e Calouste Gulbenkian Foundation, foi criado no Reino Unido através da organização Café Art.

Cada participante ficará dois dias fotografando a cidade em 24 fotos. Depois um júri escolherá 20 fotos e 13 delas serão comporão um calendário que será exibido, em dezembro, no 13° Festival de Direitos Humanos – Cidadania nas Ruas. O calendário será vendido pelas organizações não governamentais parceiras do projeto. Todo o dinheiro arrecadado será investido em projetos de artes da população em situação de rua. E mais, os autores das fotografias escolhidas receberão um prêmio de R$ 100 mil.

 Uma cidade, uma máquina e um olhar-ideia!

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