VIVA O VINIL! – JOÃO DO VALE

P1010495Esquizovinilfílicos, estamos no ano de 1981nos Estúdios Sigla, Transamérica (RJ) Reunidos (SP), para acompanhar a gravação da bolacha-crioula do compositor que melhor soube estabelecer o nexo entre o popular e a política, como libertação do homem da opressão do próprio homem: João do Vale.

João do Vale, bolacha-crioula do maranhense, nordestino livre, é verdadeiramente uma relíquia, uma joia raríssima por dois signos enaltecedores. Um, trata-se do compositor cantor grandemente perseguido pela ditadura civil-militar que foi estalada no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Tudo porque João do Vale fala a linguagem reflexiva do povo. Não fala a linguem espontânea estruturada pelas imagens mentais e as paixões supersticiosas que não mudam o mundo. Por isso, João do Vale, vale ser escutado e assistido. Foi ele quem deu suporte às apresentações do Teatro de Arena como Carcará composta em parceria com José Cândido e que foi cantada por Maria Bethania. (…) “Carcará mais coragem do que homem. Carcará pega mata e come”. Certa vez falou para repressão: “Vocês podem me impedir de cantar, mas jamais de pensar”.

P1010498Dois, participam da bolacha-crioula feras da Música Popular Brasileira como Chico Buarque, Tom Jobim, Jackson do Pandeiro, Clara Nunes, João Donato, Amelinha, Gonzaguinha, Nara Leão, Alceu Valença, Zé Ramalho e o maestro Briamonte. É mole? Quase não lembramos: também Fagner. Talvez a falta de lembraça seja porque o Fagner dessa bolacha-crioula é o Raimundo. O Raimundo Fagner rebelde, decidido que participou de movimentos pelas Diretas Já, junto com outros engajados artistas. Mas, hoje, é um reacionário, ressentido que odeia os governos populares. Um cara profundamente amargurado, um coxinha amigo de Aécio. Se fosse possível outra gravação com João do Vale ele não participaria. João é um homem sem tergiversações.

P1010502P1010499P1010504 P1010505 P1010514Além dessas feras musicais há as feras da direção de produção como Chico Buarque, Fernando Faro e Raimundo Fagner. Direção de Estúdio Fernando Faro. Capa de Elifas Andreato. Fotos de Capa de Iolanda Huzak. Arte Final de Alexandre Huzak. Foto do Envelope Encarte de Frederico Mendes.P1010513

P1010506 P1010507 P1010508 P1010509 P1010510 P1010511 P1010512E outro barato dessa histórica bolacha-crioula, João do Vale, é a embalagem. Uma embalagem que como se bastasse à chamada de atenção pelo nome João do Vale, chama atenção pelos participantes em evidências. Uma grande sacada artística, mas também de marketing.

P1010515 P1010516 P1010517 P1010518 P1010519 P1010520 P1010521 P1010522 P1010524 Da nossa parte, para melhor agradar você esquizovinilfílico, nós resolvemos realizar closes nos artistas. Só não do Fagner em virtude dele ter abdicado do Raimundo. Nenhum Raimundo merece esse descaso.

P1010526 P1010527Mas o Raimundo não se importa com Fagner, já que todo Raimundo sabe que a maior rima é a que rima com Mundo. E quem rima com Mundo é Raimundo. Até o poeta Drummond sabia! 

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