AFRO ILÚ OBÁ DE MIN, ACONTECE NO MUSEU AFRO BRASIL

carolina_mariaAté o dia 31 de janeiro, no Museu Afro Brasil, o público que não conhece, assim como o que conhece, terá oportunidade ímpar de vivenciar o talento artístico da escritora Carolina Maria de Jesus (1914/1977) que ao politizar sua existência de favelada mostrou, através da literatura e do samba, o quanto nascer pobre por imposição do sistema capitalista não é destino de viver de ninguém. Mas fragmentar os corpos opressivos para poder incluir na existência como sujeito histórico.

De certa forma, Carolina de Jesus, antes de ser encontrada pelo jornalista e engajado músico-político Audálio Dantas, já tinha escrito algumas páginas de sua vivência que resulto em sua obra inicial O Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada, traduzida para 13 idiomas e que serviu de objeto de sensibilidade para luta dos movimentos sociais, mulheres negras e cultura-afro. O que dizer que Carolina de Jesus existia como escritora antes da crítica lhe conceder o título.

Hoje, passado mais de 100 anos de seu nascimento e, embora, já seja uma escritora famosa, Carolina de Jesus não perde seu devir de mulher negra que ajudou a mudar o conceito férreo que coloca os negros na posição de submissão. Ela é, por sua luta, um emblema do devir negro como sujeito-político construtor de sua história. É nesse devir, que o Bloco Afro Ilú Obá de Min decidiu criar a exposição dessa mulher Carolina Em Nós.

“Hoje, a gente tem que falar sobre a escritora e qual a contribuição que ela deixou para a cultura brasileira. É lógico que ela sofreu todas aquelas dificuldades, e nós temos todos esses problemas ainda. Essa exposição fala da mulher negra que não se calou.

O que me chama atenção é como ela continua sendo uma representante fiel dessa imigração, que hoje já não é tão forte, como na década de 50, que culminou na criação das favelas ou nessas condições periféricas que a gente continua vendo”, disse Roberto Okinaka, curador da exposição.

Para Ester Dias, coordenadora da exposição e participante do Bloco Ilú Obá de Min, que é composto só de mulheres e agora completa dez anos, Carolina é o ícone das lutas das mulheres negras.

“Carolina é um ícone, um símbolo da resistência. Não nos surpreende ela ter sido escritora, musicista, poetisa e filósofa, com o pouco que ela tinha. Na mulher negra, isso é uma constante. Você precisa se reinventar do nada e tirar grandes tesouros. Isso não deveria surpreender”.

Além das obras de Carolina de Jesus exibidas na exposição, o público poderá vivenciar, na parte externa do museu, fotografias. Textos, músicas e histórias das primeiras artistas negras do Brasil. Tudo gratuitamente.

É para não perder, moçada! Viva Carolina de Jesus!

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