JONGO SERÁ O DEVIR-AFRICANO NO QUILOMBOLA DA MARAMBAIA NO DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

rj-2870O jongo música e ritmo africano será o devir-afro dos moradores do Quilombo da Marambaia, na Praia Suja, na Baía de Sepetiba, Mata Atlântica, no Dia da Consciência Negra. O jongo, na urbe, tomou outra variação no talento de muitos compositores de samba, mas sem perder seus corpos devirianos.

Os ensaios estão com a coordenação da professora Bárbara Guerra, de 37 anos, que reuniu os estudantes interessados em fortalecer a cultura-afro. O jongo como é um ritmo eminentemente de percussão pede que os participantes tenham graça, molejo e entusiasmo rítmico para poderem expressar seu devir-afro.

rj-3059 rj-2824O Quilombola da Marambaia tem como representação a Associação dos Remanescentes Quilombolas da Ilha da Marambaia (Aqimar) que trabalha com os 430 moradores em seus 53 hectares de terra distribuídos entre 24 casas de famílias quilombolas. Os títulos das terras quilombolas foram entregues pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.

Os ensaios são realizados na Escola Municipal Levy Brandão que conta com 61 estudantes, e a professora Bárbara Guerra tem a colaboração do professor de biologia Osmar Lima Estanislau, de 31 anos. O jongo é uma atividade contínua do Grupo Cultural Filhos da Marambaia, criado no ano de 2005. Bárbara canta junto com os participantes.

“Eu nasci,

Nasci de Angola.

Angola que me criou.

Hoje estou na Marambaia, moreno.

E Por isso negra sou”.

“A importância disso tudo não é manter, é continuar a história, porque sem história nós não somos nada. Falam que quem escreveu a história são os vencedores, mas cada um pode escrever sua história. No momento em que você escreve sua história, você já é um vencedor”, disse Bárbara.

O professor Osmar Lima tem como suporte de suas aulas o jongo, a capoeira e as atividades dos moradores do quilombo, como a pesca.

“Faço a integração da cultura com o meio ambiente nas aulas. Introduzo, sempre que possível, a capoeira, o jongo e procuramos mostrar para eles a nossa identidade. A escola tem um papel fundamental na tradição cultural.

Também falo de pesca e de coleta de molusco, porque aqui é muito comum o mexilhão. De como é importante tirar uma parte e deixar outra parte preservada. Se pegar um peixe que não tenha validade para a venda, devolver para o mar. A pesca é a atividade mais importante aqui na ilha da Marambaia”, disse o professor Osmar.

rj-2547 rj-3410 rj-3424Vitória Machado, estudante de 15 anos e participante dos ensaios, disse que o problema ainda é o preconceito.

“O preconceito é uma coisa muito primária, muito primitiva. Ele podia ser evitado com um pouco mais de conhecimento. Se eles os racistas conhecessem nossa história, a nossa cultura, talvez não tivessem esse preconceito”, observou Vitória.

Celebrar o Dia da Consciência Negra que ocorre no dia 20, com o jongo é uma elevada celebração.

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