“BODY”, FILME DA CINEGRAFISTA POLONESA MALGORZATA SZUMOWSKA

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Longa-metragem de Malgorzata Szumowska, que estreia nesta quinta, gira em torno da morte, da dor da perda e as diferentes maneiras de vivenciar o luto.

Vida após a morte, razão versus fé e emoções reprimidas. A forma com que cada um lida com o luto e com a perda é o mote do filme polonês Body, que estreia hoje (17) nos cinemas. Resumido assim, o longa-metragem pode até parecer pesado, mas o que a diretora Malgorzata Szumowska oferece ao espectador são 90 minutos de uma trama cheia de humor ácido e de drama.

O filme conta a história de Janusz (Janusz Gajos), um perito criminal muito competente que encara a morte de forma bastante fria. Diferentemente de sua filha Olga (Justyna Suwala) que, depois que a mãe morreu, desenvolveu um sério distúrbio alimentar. Sem saber como lidar com a anorexia da filha e com medo de que ela pudesse se matar, Janusz a envia para uma clínica. Lá, a moça fica aos cuidados de Anna (Maja Ostaszewska), uma terapeuta que acredita poder se comunicar com os mortos.

Três diferentes abordagens sobre corpo e alma se confrontam no longa-metragem polonês. O pai trabalha com a morte e não se perturba, não perde o apetite mesmo quando acha no banheiro da estação rodoviária um feto todo desmembrado. A filha deixou de se alimentar normalmente depois que a mãe morreu e chegou até a tentar se suicidar. E a terapeuta, que perdeu um filho pequeno, psicografa mensagens vindas dos mortos e anuncia a Olga e Janusz que a esposa/mãe está tentando se comunicar.

Body é um filme de contrários: jovem e velho, saudável e morto, cínico e crédulo, sofrimento solitário e terapia em grupo, importância e desinteresse, presença e ausência. O resultado até poderia ter sido um filme-caricatura, mas não. Ao usar a quase inexistente relação entre pai e filha como pano de fundo, a diretora consegue um equilíbrio entre o drama e os estereótipos dos quais faz uso.

Longe de pretender dar lições de moral, o que Malgorzata Szumowska acaba evidenciando é que cada um tem um jeito diferente de sofrer uma perda e que é importante recorrer a ajuda quando isso se transforma em patologia, como é o caso da anorexia de Olga. Mas, acima de tudo, fica claro o quanto reprimir nossos sentimentos pode ser nocivo para o corpo.

O longa foi o vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim de 2015 e também foi exibido em Toronto, Busan, Londres, Karlovy Vary e outros festivais internacionais. No Polish Film Festival, o filme venceu quatro prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator.

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