DOIS POEMINHAS DE GARCIA LORCA TOCANDO DE LEVE EM LUIS BUÑUEL

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Garcia Lorca “poeta tombado na guerra civil (Belchior)” espanhola era grande, bom e sincero amigo do outro espanhol cinegrafista revolucionário autor dos clássicos do cinema arte internacional Cão Andaluz e Os esquecidos, Luis Buñuel. Ambos tiveram em suas histórias um momento por demais doloroso: a Guerra Civil Espanhola fomentada pelo ditador fascista generalíssimo Franco. Picasso, também espanhol, retratou as atrocidades em seus quadro revelador Guernica.

Garcia Lorca foi assassinado junto com milhares de espanhóis e estrangeiros que lutaram contra a tirania Franco pela liberdade do povo espanhol, assim, em seus desdobramentos, pelo extermínio do fascismo. A guerra acabou, mas o fascismo permanece até hoje. No Brasil é mantido e expressado pelos golpistas que tentam tirar Dilma do governo. Governo que ele conquistou com os votos democráticos dos eleitores brasileiros.

Como todos os sábados esse Blog Esquizofia publica com carinho-estético e respeito aos seus acessantes três poeminhas de uma poetisa ou poeta tocando de leve em algumas formas sensíveis, cognitivas ou éticas da mulher ou do homem, hoje, especialmente, serão publicadas apenas dois poeminhas. A razão poética ontológica é simples: os dois poeminhas foram dedicados por Garcia Lorca ao seu amigo e camarada Luís Buñuel, em 1924. Em uma dionisíaca noite.

“Guardo uma fotografia onde aparecemos ambos na motocicleta pintada de um fotógrafo, em 1924, na Verbena de San Antonio, a grande feira de Madri. Nas costas dessa fotografia, por volta de três horas da manhã (nós dois bêbados), em menos de três minutos Federico improvisou um poema que me deu. O tempo apaga um pouco o lápis. Recopiei esse poema para não perdê-lo.

Ei-lo”, escreveu Luís Buñuel em sua magnífica obra Meu Último Suspiro, publicado pela Editora Nova Fronteira, no ano de 1982, de onde extraímos os dois poemas.

fglorca_0A primeira feira enviada por Deus

é a de Santo Antônio da Flórida

Luís: no encanto da madrugada

Canta minha amizade sempre em flor

a grande lua brilha e roda

pelas altas nuvens tranquilas

meu coração brilha e roda

na noite verde e amarela

Luís minha amizade apaixonada

faz uma trança com a brisa

O menino toca o realejo

triste, sem sorriso

sob os arcos de papel

aperto tua mão amigo.

                    O outro poema foi oferecido a Luís Buñuel em um livro de Garcia Lorca, de 1929.

lorca_portrait_fullCéu azul

Campo amarelo

Monte azul

Campo amarelo

Pela planície deserta caminhando uma oliveira

Uma só

Oliveira.

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