Comunidade artística ocupa Fábrica de Sal, patrimônio de Ribeirão Pires

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Grupo intervém para conscientizar e fazer com que a população se aproprie do local.

por Rafael Revadam

ABCD Maior – Realizada na última quinta-feira (18), na Câmara dos Vereadores de Ribeirão Pires, a audiência pública sobre o destino da Fábrica de Sal trouxe mais do que opiniões. Das ideias em comum pela preservação do espaço, artistas se uniram para uma ocupação cultural. Convidando familiares e amigos, cada integrante fez do abandono um incentivo cênico. Esquecida desde 2009, a Fábrica recebeu balanços para crianças e cuidados em sua estrutura. Para os manifestantes, a luta ganhou um novo tom: não basta reconhecer o patrimônio, a população deve se apropriar dele.

Intitulado Sal da Terra, o grupo se apossou da Fábrica no sábado (20), com o comprometimento de realizar ações diárias no local. “É uma luta também contra a ausência de espaços públicos na cidade”, disse João Paulo Silva, integrante da ação. “Por exemplo, a obra do teleférico. A prefeitura fez intervenções em dois espaços: no Complexo Cultural Ayrton Senna e no Parque Milton Marinho de Moraes. Os dois locais ficaram interditados porque a obra está parada, com licença ambiental negada na Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).”

“Fizemos a limpeza de uma área e várias brincadeiras. Porque tinha crianças ali e nós também levamos as famílias”, explicou Mariana de Lima, uma das organizadoras do coletivo. “Não estamos defendendo só a Fábrica de Sal, a gente quer defender todo o complexo cultural localizado no terreno, que inclui uma escola, uma biblioteca, a Fábrica e um telecentro. E também a praça, que está praticamente invisível.”

Não existe abandono, mas negligência

Anunciada pelo presidente da Câmera dos Vereadores, José Nelson de Barros (PSB), para ontem (22), a votação do Projeto de Lei nº 04/2016 não aconteceu. Com plenário lotado de manifestantes contrários à criação do shopping, o projeto não constou da pauta, provocando questionamentos.

De acordo com os integrantes do Sal de Terra, o descaso com os espaços públicos em Ribeirão se intensificou há quatro meses. O coletivo também faz autocrítica, acreditando ter demorado para tomar esta iniciativa. “Porque agora foi oferecida uma doação de uma coisa que é pública para o interesse privado, para outros lucrarem em cima. Eles primeiro abandonam, aí falam que não presta. Agora vão dar de graça?”, questionou Raquel Quintino. “O imóvel estava como uma escola de música. A prefeitura abandonou e agora paga aluguel para manter a escola em outro lugar. A má gestão está colocada, é uma questão bastante óbvia.”

Para a organizadora Mariana de Lima, existe também o problema com a destinação do espaço. “Tem um apelo que estão lançando na mídia: ‘Ah, mas o shopping terá cinema’. Um cinema com a programação enlatada, a gente não precisa.” A opinião é compartilhada por Daniele Silveira: “Um shopping é limitador, é uma caixinha que você vai lá e encontra as mesmas lojas. No caso da Fábrica de Sal, temos que saber a importância deste monumento. De onde vem e por que se mantém lá. Porque é sempre assim: ‘o espaço está abandonado’. Não, o espaço está negligenciado. E a Fábrica foi importante para a história da cidade. Ela não foi construída onde está à toa, e Ribeirão não cresceu ao redor dela à toa.”

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