19 de abril: Dia de reconhecer o Brasil

“Meninos e meninas fazem papel de índio no Boi durante as festas juninas”, diz a música “Tudo Índio” do roraimense Eliakin Rufino.Nesta quarta-feira, 19 de abril, é dia do índio, e também dia de pintar o rosto e se enfeitar de cocares nas escolas pelo Brasil.“Tão perto geograficamente e tão distantes cultural e filosoficamente”, lembrou o ator Wesley Leal, um dos protagonistas da peça “Meu Vo(o) Apolinário”, baseada em obra do escritor indígena Daniel Munduruku.

Wesley (a esquerda), Daniel (centro) e J.Lopes Índio. Wesley (a esquerda), Daniel (centro) e J.Lopes Índio.
Ao contrário da visão predominante do tipo indígena “o primitivo de tanguinha que bate a mão na boca e faz “u-u-u”, o espetáculo desconstrói essa visão estereotipada, comentou Wesley.

“Levamos à cena a cultura dos Mundurukus, e a realidade desse povo durante a infância de Daniel Munduruku (minha personagem). Indígenas de bermudas e camisetas, como os encontraremos hoje”, explicou Wesley através de e-mail ao Portal Vermelho. Ele interpreta um adolescente indígena que sofre discriminação na cidade grande por sua origem.

Raízes e identidade
As dúvidas do jovem personagem começam a ser superadas a partir dos ensinamentos do avô Apolinário, interpretado por J. Lopes Índio, que transmite ao pequeno índio (foto) o orgulho das suas raízes. Nesse caso, a caracterização física mais próxima da realidade de muitos povos atualmente não o separa da própria história.

“Poucas vezes o público não se surpreendeu ao ver na cena, um outro conceito de índio diferente do pré-concebido. Gosto quando vejo o espanto sadio e curioso do público diante dessa descoberta”, disse Wesley.

Para o autor Daniel Munduruku, a peça estimula a reflexão sobre a identidade nacional. “O espetáculo oferece uma rara oportunidade no cenário brasileiro, ao tratar a temática dos povos indígenas sob a ótica de um autor indígena. O Brasil precisa caminhar para uma aceitação real da sua própria diversidade para construir, assim, sua própria identidade nacional”, diz Daniel.
Nova civilização
O escritor contou que a experiência de um casal de amigos que conhecem o mundo todo foi a inspiração para o livro falar das raízes. “Para eles os índios têm algo que falta ao brasileiro: a ancestralidade. Pensei sobre isso e descobri um bonito significado: raízes. Concluí que esses amigos diziam que ser índio é ter raízes. Isso me fez buscar – na memória – minhas raízes ancestrais. Aí me lembrei de meu avô. Foi ele quem me ensinou a ser índio.”
O jeito de interpretar o mundo que os povos indígenas têm é citado por Wesley como uma nova perspectiva de civilização. “No espetáculo, Apolinário diz ao seu neto “As angustias dos homens da cidade têm seu remédio na terra e eles olham para o céu”. Acredito que precisamos tirar os olhos do céu, do alto, do futuro e olhar para o agora, para a terra; é preciso viver o presente como um presente”, ponderou o ator paulista de 23 anos.
Vínculo comunitário
“O que define um índio como índio não é sua aparência, mas todas as relações que ele tem com sua comunidade”, define o portal Povos Indígenas no Brasil Mirim, projeto do Instituto Sócio-Ambiental (ISA), que tem por objetivo desconstruir uma ideia genérica de que os povos indígenas ficaram no passado e que não existem mais no Brasil contemporâneo. Como mostra a peça Meu Vo (o) Apolinário eles continuam ligados às suas raízes mesmo usando roupas, por exemplo.
Acesse aqui o portal Povos Indígenas no Brasil Mirim para conhecer mais sobre a história dos povos indígenas. A peça Meu Vo (o) Apolinário tenta patrocínio através de editais para realizar novas apresentações. Em 2015, foram realizadas inúmeras apresentações em Centros Educacionais Unificados de São Paulo. Quem se interessar pode entrar em contato com José Sebastião pelo número (11) 3251-3070.
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