MPB4, 50 anos, lança disco de inéditas e celebra trajetória

Grupo tem origem, ainda como trio, no CPC da UNE. Primeiro LP foi lançado em 1966.

por Vitor Nuzzi, da RBA

São Paulo – A apresentação começa remetendo à final do festival da Record em 21 de outubro de 1967, com direito à locução original e a mesma disposição no palco: os integrantes do MPB4 em semicírculo, cantam Roda Viva(Chico Buarque), que terminaria em terceiro lugar, atrás dePonteio (Edu Lobo e Campinan) e Domingo no Parque(Gilberto Gil). Chico, que cantou em 1967, não está presente, mas o show terá muitas canções suas, em uma celebração pelos 50 anos do grupo vocal.

A história do MPB4 começa em 1962, quando Aquiles, Miltinho e Ruy formaram um trio, parte do Centro de Popular da Cultura (CPC) da Universidade Federal Fluminense (UFF), vinculado à União Nacional dos Estudantes (UNE). No ano seguinte, Magro conheceu o grupo e perguntou se poderia participar, já chamando o trio de quarteto. Surgia o Quarteto do CPC, que ganhou o nome definitivo em 1964, depois do golpe, que acabou com os CPCs – uma cena marcante daquele período é a depredação e incêndio da sede da UNE, no Rio de Janeiro.

O quarteto tinha a seguinte distribuição de vozes, como o conjunto explica em seu site: Ruy (primeira), Magro Waghabi (segunda voz e direção musical), Aquiles (terceira) e Miltinho (quarta voz). A primeira apresentação profissional foi também em 1964, em Niterói, assim como o primeiro compacto – o LP de estreia veio em 1966, pela gravadora Elenco.

Para celebrar os 50 anos de vida, o MPB4 está lançando um CD com músicas inéditas, com 13 faixas. A atual formação tem dois dos fundadores, Aquiles e Miltinho. Ruy Faria deixou o grupo em 2004. O maestro e arranjador Magro morreu em 2012. Durante o show, é homenageado. Hoje, completam o conjunto Dalmo Medeiros, que entrou no lugar de Ruy, e Paulo Pauleira, fundador do grupo Céu da Boca e que chegou em 2013 para, como diz, “substituir o insubstituível” Magro.

Votação

Com mais de 30 discos, entre próprios e em parceria, o grupo fez carreira e se consolidou durante os anos da ditadura, cantando canções que se tornariam clássicos como, entre outras, Angélica (parceria de Miltinho com Chico Buarque), que fala da estilista Zuzu Angel e seu filho Stuart Angel Jones, Pesadelo (Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro), Amigo é pra Essas Coisas, Cálice (Chico e Gilberto Gil) e O Navegante, de Sidney Miller. Algumas são cantadas no show.

Com arranjos do veterano Gilzon Peranzzetta e gravado no último trimestre de 2015, o novo disco (MPB4 50 Anos – A Vida, o Sonho, A Roda Viva) tem obras de Paulo César Pinheiro (Milagres, parceria com Breno Ruiz, e Harmonia, com Miltinho e Sirlan), Vitor Ramil (Filigrana), Kleiton e Kledir (A Ilha; a dupla participou do show de sexta-feira, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo), Guinga (Brasileia, com Thiago Amud), João Bosco (Desossado, dele e do filho Francisco Bosco), Mario Adnet (Valsa do Baque Virado, com João Cavalcanti) e Joyce Moreno (Jornal de Ontem, com Sergio Santos). No encarte, Aquiles conta que a escolha do repertório – a partir de pedidos feitos aos amigos – foi por votação, uma marca do grupo: as músicas com quatro votos, que foram minoria, entravam automaticamente.

Em entrevista dada nesta semana ao jornal Folha de S. Paulo, eles comentaram o momento político brasileiro, criticando o processo de impeachment. “O que aconteceu não justifica o impedimento”, disse Aquiles. “A gente é contra o golpe”, comentou Miltinho.

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