A LITERATURA VARIANTE DO POETA E ESCRITOR JOE MAIA QUE DESLOCA APOLÍNEAS LINHAS PELAS RUAS DE MANAUS

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Tudo que escapa do estabelecido, determinado, modelado, serializado e registrado, escapa em si mesmo como variante desses estados de coisas que se querem proprietários e dirigentes de tudo para controlá-lo. Toda variante, ao escapar desse estado de coisa, segrega novos devires-signos, que além de abalar o que se encontra estabelecido como valor-verdade, deixa rastros estéticos-inquietantes.

P1010768 P1010766 P1010765 P1010769Essa literatura variante, como outras artes-variantes, é classificada, erradamente, pelo sistema de captura do capitalismo duplamente como marginal. Uma como uma literatura que não pode circular no centro da literatura capitalizada dominada pelas editoras da ‘literatura’ comercial. A ‘literatura’ do escritor de encomenda que impede, como afirma o filósofo Deleuze, de emergir um Kafka, um D. Laurence, visto ser uma ‘literatura’ cuja estrutura linguística encontra-se capturada pela semiótica capitalística sobrecodificadora. Outra como literatura marginal, porque é uma literatura que reflete a classe social do escritor: um marginal. Alguém que não nada tem a oferecer ao sistema dominante. Aí sua marginalidade. Ou: o que se encontra na margem aí se encontra porque foi expurgado. Não serve para ‘enriquecer’ a sociedade da abundância como pede a sociedade de consumo capitalístico.

A literatura do escritor e poeta Joe Maia, se movimenta nesse segundo enunciado excludente do consumo capitalístico. O que é muito bom, já que se trata de uma literatura variante. A literatura que cria variável no muro da literatura cristalizada como mercadoria para uso de deleite-imóvel. Enquanto a literatura variante deleita, mas produz trepidação.

Esse Esquizofia apresenta duas criações de Joe Maia. Relatos de Um Poeta – Crônica e outros Poemas, publicado esse ano, e um zine, Tarrafeando Palavras – Alegoria de Cotidiano…, publicado em 2014. Além de apresentarmos o próprio escrito se auto-apresentando, também mostramos um de seus poemas. O trabalho é uma produção independente editado pela Coleção de Rua com direção de Jeovane Pereira com a revisão do próprio autor e o professor Márcio Santana. E ainda conta com as ilustrações de Klaryson Gurgel e Davidson Mourad.

P1010770 P1010771 P1010772 (2) Em Manaus, a literatura variante é bem expressiva. Pode-se encontrar obras de autores como Márcio Santana, Jeovane, Pereira, Marcos Nei, entre tantos. Ela, em função de sua singularidade, circula através de seus próprios autores que oferecem suas criações em bares, feiras, mercados, em portas de funerárias, supermercados, escolas, universidades, fábricas, todos os lugares onde se encontram o leitor. Agora, como os movimentos ecléticos-políticos, “Fora Temer”, os escritores participam das manifestações e aproveitam para oferecerem sua obras. Uma grande sacada, posto que a literatura é política.      

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