Emicida: ‘Precisamos nos preocupar com a solidez da democracia no Brasil’

Em turnê pela Europa, o rapper criticou “possibilidade de um grupo de pessoas fazer com que 54 milhões de votos percam força”

por Redação RBA

São Paulo – “A questão do impedimento da presidente Dilma Rousseff é algo que me entristece muito, porque o princípio da democracia é o voto. Se existe uma possibilidade de um grupo de pessoas fazer com que 54 milhões de votos percam força, precisamos nos preocupar muito com a solidez da democracia no Brasil”, afirmou hoje (5) o rapper Emicida, em entrevista à rádio francesaRFI Brasil.

Emicida está em turnê pela Europa, passando por Portugal, Alemanha, Inglaterra, Bélgica e França. Durante a entrevista, o rapper comentou sobre questões raciais presentes em seu mais novo disco Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa…, além de assuntos ligados à conjuntura política nacional. Questionado se foi cobrado em relação ao apoio declarado à candidatura de Dilma, em 2014, Emicida respondeu afirmativamente: “Fui cobrado no sentido de que as pessoas têm um questionamento honesto”.

“A política sempre foi muito confusa para quem não acompanha, não estuda, mas nos últimos anos, tem uma coisa radical prejudicando ainda mais o debate. Não conseguimos dar passos para frente, porque tudo é impedido pela ignorância”, afirmou. Para o rapper, seu apoio a Dilma foi alinhado com seu comprometimento ao pensamento crítico em relação à redução da maioridade penal.

“Apoiei a Dilma porque do outro lado tinha o Aécio Neves (PSDB). Ele tinha como uma das principais bandeiras a redução da maioridade penal. Falar sobre isso é desconsiderar que pessoas nascem em buracos e que elas não são tão cidadãs quanto pessoas de outro lado da cidade. Se não formos falar do abismo que as pessoas vivem, não podemos falar disso”, afirmou. “Sou radicalmente contra. Venho de um bairro onde não tenho nenhum centro cultural, um hospital decente. To falando de 2016”, disse.

Emicida afirmou ser uma “pessoa que gosta de expor suas opiniões”. Também por isso, aborda temas como o preconceito em suas letras. Para compor sua última obra, o rapper visitou países africanos, como Cabo Verde. “Queria ter um vínculo com minha ancestralidade (…) a população preta das Américas é muito carente de referências positivas de seus ancestrais, então, inventamos uma África na nossa cabeça para gostar de nós mesmos. Ano passado tive a oportunidade de conhecer o continente e colher material, vivenciar esses países para que me inspirassem em um novo disco”, disse.

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