Artistas fazem virada cultural na frente do Capanema, contra desocupação

Mobilização é resposta à reintegração de posse, executada hoje (25) de manhã pela Polícia Federal. Sessenta pessoas estão neste momento dando início às atividades que seguirão madrugada adentro.

por Helder Lima, da RBA

São Paulo – Cerca de 60 pessoas se reuniram nesta segunda-feira (25) à noite na frente do Palácio Capanema, que abriga a sede da Funarte no Rio de Janeiro, no centro da capital, para realizar uma virada cultural até pelo menos a manhã desta terça-feira. A mobilização é resposta à reintegração de posse, executada de manhã pela Polícia Federal, em atendimento a uma solicitação do ministro da Cultura, Marcelo Calero, para pôr fim à ocupação de 70 dias, desde que o governo interino de Michel Temer assumiu o Palácio do Planalto, com o afastamento de Dilma Rousseff, por conta da admissão do processo de impeachment no Senado.

“Nós vamos ter um viradão cultural hoje à noite, até amanhã de manhã, enquanto decidimos, como ocupação, para onde vamos, o que vamos fazer, até para a preservação dos nossos corpos. A maioria das pessoas acordou muito cedo, com a polícia com armas em nossas caras”, disse à RBA a ativista cultural Doralyce Gonzaga, que participou da ocupação do Funarte durante 70 dias e hoje acordou às 6h com a presença da PF no Palácio Capanema.

“Todos os artistas que se apresentaram na casa foram convidados para voltar. Teremos vários artistas com o palco aberto, microfone aberto, performances, nós somos todos da cultura”, destacou Doralyce. “O movimento vai continuar, com certeza, mas ainda vamos decidir qual vai ser nossa tática, qual estratégia para driblar o governo, porque para fazer cultura você tem de driblar o Estado, para que as pessoas tenham acesso à cultura”, afirmou. “A cultura dá legitimidade ao discurso da periferia, o discurso dos excluídos, por meio de uma música, um poema, você tem licença poética para apresentar o seu posicionamento político, ideológico, a origem da sua cultura”, defende a ativista.

Nos 70 dias de ocupação, segundo ela, foram feitas várias oficinas de formação, não apenas de instrumentos musicais, mas também debates, rodas de discussões, plenárias. “A gente vai continuar dando prosseguimento às nossas atividades, só que de outra forma, vai acabar sendo mais esporádico, não vai acontecer todos os dias, como acontecia, porque não gozamos de equipamentos culturais”, afirma. “Temos de pensar agora onde vai ser o espaço físico para executar as nossas ações.”

A ativista também diz que da ocupação está amadurecendo a ideia de formalizar a iniciativa da ocupação, para que a gestão da cultura seja compartilhada com artistas,  produtores culturais e a população. “De toda forma há uma iniciativa do Ocupa MinC de formalizar o pedido de gestão compartilhada e participativa, por meio de um movimento horizontal, autônomo, de sociedade civil, junto ao Ministério da Cultura”, defende. “O nosso pleito é que o Ministério da Cultura abra espaço para a participação popular”, afirma. “É a defesa de um formato de governo democrático, nós queremos gerir os equipamentos culturais do prédio, afinal de contas, esses equipamentos não eram geridos, estavam fechados e nós entramos.”

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