Passado e presente de mãos dadas no filme ‘Cinema Novo’, de Eryk Rocha

Documentário apresenta um dos principais movimentos cinematográficos latino-americanos. Espécie de ensaio poético e sensorial, filme apresenta os sonhos que apontavam para um país melhor.
por Xandra Stefanel
Vencedor do prêmio Olho de Ouro (L’oeil d’or), este ano, em Cannes, o documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha, estreia nesta quinta-feira (3) em salas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Niterói e São Luiz. O longa-metragem dirigido pelo filho de Glauber Rocha resgata a história de um dos mais importantes movimentos cinematográficos latino-americanos, a paixão dos diretores pelo cinema e seus sonhos de transformação do Brasil em um país mais justo e igualitário.

Chamado pelo próprio diretor de “ensaio poético”, o documentário mergulha na criação do cinema novo e na visão de mundo e de cinema de seus diretores: Glauber, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Rui Guerra, Walter Lima Jr. e Paulo César Saraceni. Não se trata, porém, um filme histórico e didático, mas sim uma reconstrução sensorial do movimento.

Foram usadas imagens de arquivo e cenas de 130 filmes do cinema novo, entre eles, o clássico de Glauber Rocha, Terra Em Transe, Vidas Secas e Rio 40 Graus, ambos de Nelson Pereira. Com uma montagem espetacular de Renato Vallone, o resultado é um mosaico harmônico tanto na forma quanto no conteúdo. As entrevistas de bastidores filmadas na época exalam as aventuras e as lutas de uma geração de cineastas que acreditava na arte como um potencial de transformação social.

DIVULGAÇÃOTurma do Cinema Novo
Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr. Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto, Glauber Rocha e Leon Hirszman

Pelas mãos destes cineastas, o cinema nacional deixava antigos moldes e renascia como uma nova forma que tinha como lema “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Era um cinema que tomava as ruas e registrava o ‘verdadeiro’ povo brasileiro, a vida nos subúrbios e nas fábricas, nossas manifestações culturais, nossas mazelas e contradições mais profundas.Por isso tudo, o filme resgata o passado sem desconectá-lo dos dias atuais, como afirmou recentemente Eryk Rocha ao portal HuffPost Brasil durante o festival de cinema de Brasília: “É muito emocionante estrear este filme em Brasília neste momento histórico do país. Eu acho que este filme é fruto de um diálogo entre gerações, desse entendimento da memória não como uma coisa do passado, hermética, ou cristalizada, ou idealizada, mas a memória como uma construção de futuro… Eu acho que essa geração do cinema novo tinha uma grande paixão pelo Brasil e pelo cinema. Mas é uma geração, também, que vivenciou um golpe militar e todos os desdobramentos trágicos de uma ditadura militar no Brasil. E a gente, infelizmente, tragicamente, está vivendo esse momento no Brasil, um novo golpe. Eu, como cidadão, fico indignado com isso. Acho que o filme dialoga nesse sentido, visceralmente, com o Brasil contemporâneo”, critica Eryk.

Cinema Novo
Direção: Eryk Rocha
Produção: Diogo Dahl
Montagem: Renato Vallone
Desenho sonoro: Edson Secco
Coordenação de produção: Joelma Oliveira Gonzaga e Flávia Vianna
Pesquisa: Thiago Brito/Adriana Peixoto
Argumento: Eryk Rocha/ Juan Posada
Produção: Coqueirão Pictures e Aruac Filmes
Coprodução: Canal Brasil e FM Produções
Distribuição: Vitrine Filmes

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