Archive for Novembro, 2016

Carnaval 2016: Uesp inicia neste sábado Fórum sobre o tema

Novembro 5, 2016

As palestras abordam assuntos que envolvem a organização interna das escolas, estrutura técnica e fontes de financiamento do carnaval. Os palestrantes são especialistas no assunto, entre eles estão carnavalescos, diretores de escolas de samba, dirigentes da UESP, acadêmicos, entre outros. Foram convidados ainda os subprefeitos da Sé, Tadeu Ribeiro Alves e o Subprefeito da Penha, Pedro Guastaferro Junior.

Na opinião do diretor de carnaval da Uesp, Alexandre Magno, o Nenê, o fórum vem suprir uma necessidade das escolas que não estão no grupo especial do carnaval e tem dificuldades para concretizar sua participação na festa.
“Não tem patrocínio, não tem incentivo, o repasse público é pequeno. Falta bastante pra poder conseguir fazer um trabalho a contento. Com o fórum, a Uesp tenta dirimir alguns aspectos técnicos. Essa coisa da profissionalização do carnaval também atinge essas escolas, que não tem condições de seguir com essa tendência de contratar profissionais. A gente tenta estimular a formação com os debates como forma de fazer com que a escola consiga suprir a ausência desses profissionais”, explicou Alexandro.
Clique AQUI para acompanhar a agenda do I Fórum 2016 que acontece no hotel Estamplaza Paulista (Alameda Jaú, 497 – Bela Vista) de 5 a 8 de novembro. Nos dias 5 e 6 as atividades acontecem das 10h as 14h e nos dias 7 e 8 o horário das palestras será das 16h as 19h.

Do Portal Vermelho

Passado e presente de mãos dadas no filme ‘Cinema Novo’, de Eryk Rocha

Novembro 3, 2016
Documentário apresenta um dos principais movimentos cinematográficos latino-americanos. Espécie de ensaio poético e sensorial, filme apresenta os sonhos que apontavam para um país melhor.
por Xandra Stefanel
Vencedor do prêmio Olho de Ouro (L’oeil d’or), este ano, em Cannes, o documentário Cinema Novo, de Eryk Rocha, estreia nesta quinta-feira (3) em salas de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, Maceió, Niterói e São Luiz. O longa-metragem dirigido pelo filho de Glauber Rocha resgata a história de um dos mais importantes movimentos cinematográficos latino-americanos, a paixão dos diretores pelo cinema e seus sonhos de transformação do Brasil em um país mais justo e igualitário.

Chamado pelo próprio diretor de “ensaio poético”, o documentário mergulha na criação do cinema novo e na visão de mundo e de cinema de seus diretores: Glauber, Cacá Diegues, Nelson Pereira dos Santos, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Rui Guerra, Walter Lima Jr. e Paulo César Saraceni. Não se trata, porém, um filme histórico e didático, mas sim uma reconstrução sensorial do movimento.

Foram usadas imagens de arquivo e cenas de 130 filmes do cinema novo, entre eles, o clássico de Glauber Rocha, Terra Em Transe, Vidas Secas e Rio 40 Graus, ambos de Nelson Pereira. Com uma montagem espetacular de Renato Vallone, o resultado é um mosaico harmônico tanto na forma quanto no conteúdo. As entrevistas de bastidores filmadas na época exalam as aventuras e as lutas de uma geração de cineastas que acreditava na arte como um potencial de transformação social.

DIVULGAÇÃOTurma do Cinema Novo
Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr. Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto, Glauber Rocha e Leon Hirszman

Pelas mãos destes cineastas, o cinema nacional deixava antigos moldes e renascia como uma nova forma que tinha como lema “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Era um cinema que tomava as ruas e registrava o ‘verdadeiro’ povo brasileiro, a vida nos subúrbios e nas fábricas, nossas manifestações culturais, nossas mazelas e contradições mais profundas.Por isso tudo, o filme resgata o passado sem desconectá-lo dos dias atuais, como afirmou recentemente Eryk Rocha ao portal HuffPost Brasil durante o festival de cinema de Brasília: “É muito emocionante estrear este filme em Brasília neste momento histórico do país. Eu acho que este filme é fruto de um diálogo entre gerações, desse entendimento da memória não como uma coisa do passado, hermética, ou cristalizada, ou idealizada, mas a memória como uma construção de futuro… Eu acho que essa geração do cinema novo tinha uma grande paixão pelo Brasil e pelo cinema. Mas é uma geração, também, que vivenciou um golpe militar e todos os desdobramentos trágicos de uma ditadura militar no Brasil. E a gente, infelizmente, tragicamente, está vivendo esse momento no Brasil, um novo golpe. Eu, como cidadão, fico indignado com isso. Acho que o filme dialoga nesse sentido, visceralmente, com o Brasil contemporâneo”, critica Eryk.

Cinema Novo
Direção: Eryk Rocha
Produção: Diogo Dahl
Montagem: Renato Vallone
Desenho sonoro: Edson Secco
Coordenação de produção: Joelma Oliveira Gonzaga e Flávia Vianna
Pesquisa: Thiago Brito/Adriana Peixoto
Argumento: Eryk Rocha/ Juan Posada
Produção: Coqueirão Pictures e Aruac Filmes
Coprodução: Canal Brasil e FM Produções
Distribuição: Vitrine Filmes

‘É um gatilho de fascismo que depois de acionado não volta’, diz ator preso

Novembro 1, 2016

Polícia Militar interrompeu ontem (30) apresentação da peça ‘Blitz’, da Trupe Olho de Rua, que ocorria na região central de Santos, intimidou atores e público e levou Caio Martinez Pacheco para a prisão.

por Redação RBA

São Paulo – Para o ator Caio Martinez Pacheco, detido sem justificativa pela Polícia Militar na noite de ontem (30), em Santos, litoral sul paulista, enquanto apresentava uma peça crítica à corporação, o ocorrido “remonta ao período da ditadura” e dispara um “gatilho de fascismo que depois de acionado não volta atrás”.

A PM e a Guarda Municipal invadiram a apresentação pública da peça Blitz, da Trupe Olho de Rua, apresentada na região central da cidade e que critica de forma satírica a violência da corporação. O espetáculo ocorria nas ruas do centro histórico da cidade e por volta das 18h seis viaturas chegaram ao local. Policiais armados interromperam a apresentação e intimidaram atores e público.

Martinez foi algemado e levado na parte de trás de uma viatura para a delegacia, onde permaneceu por volta de seis horas, a primeira delas de pé, com figurino da peça. “Fomos extremamente aviltados e humilhados. Recebi voz de prisão sem motivo nenhum. Os policiais estavam movidos por um sentimento passional de ódio, sem espaço de interlocução. Acredito que a polícia esteja apta para tipificar o que é arte e o que não é.”

No momento da ação, a bandeira nacional estava hasteada de cabeça para baixo, tocava o hino nacional e a música A paz, de Gilberto Gil. Os atores vestiam fardas e saias. “Isso é um resquício da ditadura. Hoje os símbolos nacionais estampam todo tipo de mercadoria. Nós podemos construir subjetividade e bens simbólicos usando os signos do mundo para isso”, defende o ator.

Policiais apreenderam celulares e equipamentos da companhia de teatro, como caixas de som e instrumentos musicais, que ainda não foram devolvidos. A próxima apresentação da peça será na sexta-feira (4). Pessoas que assistiam à produção gravaram vídeos da ação policial. A PM chegou a impedi-los de filmar por alguns momentos e os ameaçou de processo.

Assista:

“Vivemos hoje um momento político de quebra da legalidade e de ascensão do conservadorismo que legitima essas ações do Estado que não tem base jurídica e que se dão apenas pela perversidade contra pessoas que se organizam socialmente. É triste e revelador de um contexto local e nacional.”

Após ser solto, Pacheco afirmou em seu perfil no Facebook que foi detido por “desobediência, resistência e desrespeito com os símbolos nacionais”. Ele citou o dramaturgo alemão Bertolt Brecht: “O fascismo é uma cadela que está sempre no cio”, disse.

A peça Blitz, que já foi apresentada pelo menos 20 vezes no centro histórico de Santos, faz uma critica bem-humorada sobre o papel da Polícia Militar, questionando também abusos e as mortes de inocentes envolvendo a corporação. A produção é financiada pelo próprio governo de São Paulo, por meio do Programa de Ação Cultural (Proac), nas modalidades ICMS e Editais.  Para a apresentação de ontem, os atores usaram um ponto de energia de um prédio do governo estadual.

“Os policiais não sabiam exatamente o que estavam fazendo ali. Havia alegação que as caixas de som estavam provocando muito barulho e atrapalhando. Mas a praça no final de domingo estava com todos os comércios fechados e não havia movimento. Em um determinado momento, em uma discussão, um dos policiais disse que o problema não era o som, mas o tom da peça, que é uma sátira à polícia”, disse o jornalista Marcus Vinicius Batista, que acompanhava o espetáculo, em entrevista à rádio CBN. “Foi uma ação de censura.”

Em comunicado oficial, o comando de policiamento da Baixada Santista informou que requisitou registros da ocorrência e irá analisar a conduta dos policiais para verificar se princípios constitucionais foram assegurados. A oficial que estava de plantão no momento será ouvida e os organizadores também serão convidados para dar depoimento.