O que fazer quando a dura realidade impede de vislumbrar o horizonte?

Com o espetáculo ‘Luzeiros’, Companhia do Miolo leva às ruas uma instalação que aborda o conflito entre o esgotamento e a utopia na cidade. Peça será apresentada em lugares emblemáticos de São Paulo.

O vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp), o Pátio do Colégio e o Largo São Bento são palco para o novo espetáculo da Companhia do Miolo, Luzeiros, que nasceu da questão “O que fazer quando a dureza da realidade nos impede de vislumbrar um horizonte?” Ao debruçar sobre o tema das memórias coletivas de resistência e luta, o grupo pretendia entender a relação entre o esgotamento e a utopia a partir das próprias experiências.

A narrativa parte de uma cidade devastada pela guerra, onde restam apenas uma mulher e uma menina. A primeira fixa suas raízes nos escombros e a segunda almeja navegar. Elas percorrem a cidade em ruínas para sepultar os mortos. No trajeto, encontram memórias de tempos e lugares que se esgotaram em meio a exploração, ganância, pobreza e atentados. Diante da destruição, as duas sobreviventes lutam entre o permanecer e o navegar. Elas abrem a peça com a pergunta: “Era mesmo uma cidade?”

Segundo a companhia, parte da pesquisa de criação de Luzeiros foi feita em um depositário judicial no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, onde diversos tipos de objetos se acumulam, o que remete tanto à história da cidade quanto às memórias das pessoas que perderam seus pertences. O cenógrafo Eliseu Weide utiliza a metáfora de roupas-corpos-sepultados para criar uma instalação que revela um emaranhado de memórias e resquícios de mulheres e homens, construindo assim um espaço entre o que se esgotou e o que está por vir.

Com uma trajetória voltada especialmente para o teatro de rua, a Companhia do Feijão vem desenvolvendo essa pesquisa sobre esgotamento e utopia na cidade ao longo dos últimos quatro anos. Foi assim que nasceram os espetáculos Taiô, Em Caso de Emergência e Casa de Tolerância, que estreou em 2015, na sede do grupo na Penha, onde antigamente funcionava um prostíbulo doméstico. Luzeiros reflete a trajetória do grupo frente às diversas experiências que os integrantes vivenciaram nas ruas de São Paulo.

“Foi necessário nos colocarmos nessa situação limite: não reconhecer a cidade, não reconhecer mais a realidade, a fim de encontrar possibilidades de enfrentar nosso próprio sentimento de impotência”, afirma o diretor Iarlei Rangel. Para a atriz Renata Lemes, este sentimento deve ser combatido com utopia: “A imagem de milhares de pessoas que se arriscam na travessia temerosa do mar à procura de outras cidades e países nos permitiu olhar além dos cemitérios e ruínas do atual estado de coisas, e avistar pela primeira vez o mar. A poética insiste: é preciso levantar como uma cidade que se levanta! Nalgum lugar, as multidões se põem tomadas de valentia. A utopia talvez inútil é urgente!”

A peça pode ser vista nesta terça-feira (6) na Praça do Patriarca, onde será reapresentada esta quarta (7), às 18h30 e às 20h30. Nesta quinta, a encenação será no vão do Masp, nos mesmos horários. De sexta a domingo,Luzeiros estará no Pátio do Colégio e de segunda a quarta-feira, no Largo São Bento.

Luzeiros, da Companhia do Feijão
Apresentações:
Dias 6 e 7 de dezembro, na Praça do Patriarca, às 18h30 e às 20h30
Dia 8 de dezembro, no Vão do Masp, às 18h30 e às 20h30
Dias 9, 12 e 13 de dezembro, no Pátio do Colégio, às 17h e às 19h
Dias 14, 15 e 16 de dezembro, no Largo São Bento, às 17h e às 19h
Em caso de chuva, não haverá espetáculo
Mais informações: (11) 3871-0871 e www.ciadomiolo.blogspot.com.br

Ficha técnica
Direção: Iarlei Rangel
Assistente de direção: Ranieri Guerra
Dramaturgia: Rudinei Borges
Direção musical: Charles Raszl
Preparação corporal: Juliana Pardo
Atrizes: Edi Cardoso e Renata Lemes
Cenografia e figurino: Eliseu Weide
Produção: Isabela Pimentel e Cia do Miolo
Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini
Assistente de produção: Rafael Procópio
Fotos: Augusto Paiva

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