Archive for Janeiro, 2017

Fim da parceria entre Brasil e escola de cinema de Cuba revela ‘preconceito ideológico’

Janeiro 31, 2017

Para ex-secretários do Ministério da Cultura, fim da parceria entre o país e a Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños (EICTV) representa grande perda ao cinema nacional.

por Gabriel Valery, da RBA

São Paulo – “A decisão do Ministério da Cultura (MinC) é tacanha, baseada em uma visão ideológica tacanha de preconceito contra Cuba. Vamos ter uma perda, sem dúvida”, afirmou o ex-secretário executivo do MinC João Brant, que trabalhou na pasta até o fim do governo Dilma Rousseff (PT), sobre a descontinuidade do convênio de 30 anos entre o governo e a Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de Los Baños (EICTV), em Cuba. “É lamentável que o ministério acabe com essa política de trabalho conjunto”, acrescentou, sobre ato governo de Michel Temer (PMDB).

A EICTV é referência no ensino de audiovisual do mundo, vista como a melhor escola da área na América Latina. Fundada em 1986, teve como pioneiro e principal investidor o escritor ganhador do prêmio Nobel de literatura Gabriel García Márquez. “García Márquez e seus amigos cineastas contaram com a decisiva contribuição do Estado cubano (…) Não foi o bastante e o colombiano doou seu Nobel para a nova escola”, afirma o ex-diretor geral da EICTV Orlando Senna, em seu prefácio para a terceira edição da obra Como Contar um Conto (1997), de García Márquez. Da instituição saíram importantes nomes do cinema nacional, como Erik Rocha, vencedor do prêmio Olho de Ouro em Cannes pelo documentário Cinema Novo (2016).

O MinC oferecia bolsas de até 75% do valor do curso para os brasileiros que passavam pelo processo seletivo da escola. O curso completo tem o valor de 15 mil euros (cerca de R$ 70 mil), incluindo despesas como hospedagem, alimentação e transporte. O coordenador-geral de seleção da EICTV Brasil, Guigo Pádua, explicou que o fim do convênio não foi formalizado, e sim descontinuado. “Não houve uma comunicação. O processo do convênio vinha sendo revisto e com as mudanças na Secretaria do Audiovisual (SAV), a discussão simplesmente não foi retomada”.

Brant, que atuou na pasta durante a gestão do ministro Juca Ferreira até sua exoneração, em maio do ano passado, afirmou que “estava acertada a continuidade da parceria. Existiam diálogos durante o governo Dilma para garantir a continuidade e aprimorar o sistema do convênio. Este era o objetivo”. Pádua disse que estão tentando retomar o diálogo, mas “ainda não houve uma posição formal”. De acordo com matéria do jornal O Globo, a decisão não é definitiva e o ministro Roberto Freire teria dito que “sabe da importância da escola”.

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EICTV, fundada em 1986 por nomes como o Nobel de literatura Gabriel García Márquez

Entretanto, os interessados em ingressar na renomada instituição, que contou com docentes como Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, 1972) e o próprio García Márquez, devem arcar com os custos até o momento, de acordo com a própria instituição. “Para o próximo triênio as pessoas devem prestar a prova e, se passarem, conseguir ou um patrocínio ou bancarem. Começamos nesta semana as inscrições para as turmas de 2017 a 2020, e vão até o dia 3 de março”, disse Pádua.

‘Boçalidade não tem limite’

Ivana Bentes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do MinC, engrossou o discurso de Brant de que o preconceito ideológico deve prejudicar o audiovisual nacional. “A boçalidade não tem limite. Diferentes gerações de brasileiros passaram pela escola, e com cursos de formação que vão dos clássicos do cinema brasileiro, cubano, cinemas de toda a América Latina e do mundo até as técnicas e linguagens do cinema hollywoodiano”, afirmou, em seu Facebook.

“O golpismo tupiniquim e provinciano tem medo de Cuba. Cortaram as bolsas para os estudantes brasileiros financiadas pelos dois governos e no Brasil sob encargo do MinC”, disparou. Para Brant, o ato não significa necessariamente um corte nos investimentos, nem possui razões econômicas de austeridade. “O Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) continua, assim como os editais. Não tem relação com recursos, é apenas um preconceito específico contra a EICTV”, concluiu.

TOM ZÉ FAZ MÚSICA SOBRE DELAÇÕES: ´HOMOLOGA LOGA ESSE CASCALHO`

Janeiro 29, 2017

Cantor e compositor baiano Tom Zé divulgou na noite desta sexta-feira, 27, a música “Queremos as delações”, no momento em que o Supremo Tribunal Federal conclui os últimos procedimentos para homologar as delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht; “Pessoal, esta canção fiz com Paulo Lepetit pra gente torcer pela publicação das delações, que há quem esteja interessado em esconder”, afirmou Tom Zé em sua página oficial no Facebook; ouça

O cantor e compositor baiano Tom Zé divulgou na noite desta sexta-feira, 27, a música “Queremos as delações”, feita por ele e pelo compositor Paulo Lepetit, no momento em que o Supremo Tribunal Federal conclui os últimos procedimentos para homologar as delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht.

“Pessoal, esta canção fiz com Paulo Lepetit pra gente torcer pela publicação das delações, que há quem esteja interessado em esconder”, afirmou Tom Zé em sua página oficial no Facebook. O cantor anunciou ainda que divulgará o arranjo completo da música na segunda-feira, 30.

Ouça:

Semana da TVT tem curta sobre sobreviventes na Síria e debate do feminicídio

Janeiro 26, 2017

Nesta segunda (23), “Not Anymore”, com 80 premiações, mostra os porquês da luta dos sírios pela liberdade. Na quarta (25), os crimes de ódio contra mulheres são tema do “Bom Para Todos”.

São Paulo – O premiado documentário de curta-metragem Não Mais: uma história de revolução (Not Anymore: A Story of Revolution) é um dos destaques na programação da TVT nesta semana. O filme, dirigido pelo norte-americano Matthew Vandyke, vai ao ar nesta segunda-feira (23), no EntreTodos, às 20h30. Exibido em mais de 200 festivais e com 80 premiações, o curta aborda a guerra na Síria por meio da história de duas pessoas que tiveram a vida devastada por causa do conflito: a jornalista Nour e o lutador Mowya. O filme mostra o porquê da luta dos sírios em busca da liberdade.

Na sequência, o EntreTodos exibe o curta-metragem turco Polo Sul (South Pole), do diretor Emin Akpinar. No filme, o aposentado Muhsin, apesar da vida simples, vê sua foto no noticiário da TV, em que o repórter afirma que ele é chefe de um grupo terrorista e que será morto durante os protestos locais.

Na terça-feira (24), o Panorama faz um resumo das notícias que foram destaque da semana que passou no Seu Jornal, que vai ao ar às 19h, de segunda a sábado.

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Feminicídio é considerado a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte

Na quarta-feira (25), às 20h30, o Bom para Todos aborda o feminicídio. O alto índice de mortes de mulheres na própria residência, o machismo e os efeitos das leis antigas e banidas do Código Penal na raiz da sociedade e do Judiciário são problemas apontados. O feminicídio é considerado uma consequência do machismo, uma violência decorrente da sensação de controle da vida e da morte da mulher pelo homem. O Brasil registra uma taxa de 4,8 assassinatos em 100 mil mulheres e é o quinto país com maior índice de homicídios femininos.

Ainda na quarta, às 22h, o Art É Arte apresenta o sarau Olhares Devassos, em que artistas da periferia se apresentam em um espaço nobre da capital paulista. Essa maneira de misturar realidades distintas de exclusão e inclusão acontece Rua Pamplona, próxima à Avenida Paulista, região central de São Paulo.

Na quinta-feira (26), às 20h30, o Aula Pública reprisa o programa exibido em junho de 2016, sobre a busca do continente africano em superar o estigma de ser o símbolo mundial da pobreza. Para falar do tema, o doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador da história da África Muryatan Barbosa explica que assumir o protagonismo da própria história pode ser um movimento estratégico para compreender a dinâmica do continente, para além de explicações eurocêntricas.

Já na sexta-feira (28), o Luz, Câmera e Democracia exibe às 20h30 os filmes Jósimo: O padre negro de sandálias surradas (2016) e Agroflorestas (2013). O primeiro é um documentário de 39 minutos sobre a trajetória do padre Jósimo, na qual relata sua vida, morte e a luta por justiça social. Já o segundo mostra, em 15 minutos, a luta para o desenvolvimento de um projeto de implantação de agroflorestas, que visa a preservar e garantir sustentabilidade no campo.

Com origem na ditadura, pichação nasceu como forma de protesto

Janeiro 23, 2017

Pixo_Link Roots

Para Link Roots, a pichação não surgiu querendo agradar. Alvo de João Doria, morador da zona leste acredita que prefeito deveria enfrentar os problemas mais sérios. “É bem precária a situação aqui”.

por Luciano Velleda, para a RBA

 São Paulo – “Eu nunca vou pichar um muro branquinho. Pra um bom pichador, o maior prazer é chegar num muro todo pichado e procurar um espaço, nem que seja de um palmo, porque sabe que ali é tudo coisa antiga e que o picho vai ficar por muito tempo. O muro branco, no outro dia, a gente sabe que o dono vai ficar bravo e vai gastar dinheiro pra pintar e apagar”, explica Link Roots, grafiteiro e pichador há 16 anos.

Por outro lado, Link reconheça haver aqueles que picham muros lisos, sem qualquer desenho. “Isso é coisa de novato”, define.

Morador do extremo leste da cidade de São Paulo, na divisa dos bairros de Itaquera, Guaianazes e Cidade Tiradentes, ele critica a postura do prefeito João Doria (PSDB) em declarar guerra contra os pichadores em vez de iniciar seu governo enfrentando os problemas mais sérios da cidade. “O cara dá prioridade a apagar grafite enquanto a UBS (Unidade Básica de Saúde) é uma porcaria e as ruas estão todas esburacadas. É bem precária a situação aqui.”

Link Roots explica que a pichação nasceu durante a ditadura, como forma de protesto, não surgiu querendo agradar. Depois, segundo ele, evoluiu do discurso exclusivo contra os governos para uma contestação mais ampla. “Você pode rodar o planeta e vai ver que grafite é mundial, enquanto a pichação é um estilo próprio do Brasil, principalmente em São Paulo.” Nesse estilo particular, há também o que ele chama de “grapixo”, a escrita de letras com técnicas do grafite, com cor, volume, perspectiva, sombras e degradê.

Pintor profissional durante o dia, quando atende pelo nome de Diego, fala com satisfação dos encontros de grafite que ajudou a organizar no extremo-leste da cidade a partir de 2007. Atualmente, toda terça-feira à noite a comunidade faz luau e, às vezes, um sarau. “Muitos veem a pichação, mas não sabem quem está por trás. O cara picha, mas tem visão do que acontece ao redor. A sociedade não tá ligada, acha que somos todos uns sem ter o que fazer, e não é assim, tem muito pai de família, tem cara que usa droga, tem cara que não bebe uma gota de álcool, é nisso que a sociedade não tá ligada.”

Link Root participou das pinturas na Avenida 23 de Maio, promovidas pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT). Lembra que os grafiteiros tiveram a oportunidade de trabalhar em áreas grandes e para a pichação foram reservados espaços menores. Para ele, isso não importou e diz ter ficado feliz com a experiência. “O Haddad quis interagir, colocar grafiteiro e pichador junto, ele teve a intenção de unir todo mundo.”

Link não tem dúvida de que haverá reação à declaração de guerra de João Doria contra os pichadores. “Nossa voz tem que ser ouvida, seja no muro ou nos meios de comunicação”, afirma.

Já para Mundano, “artivista” do grafite e da reciclagem, o caminho para São Paulo ser uma “cidade linda”, nome batizado por Doria para seu programa de zeladoria, não deve ser baseado em um discurso de negação à liberdade de expressão, incitação ao ódio entre seus próprios cidadãos e com “referências estéticas e conceituais de uma cidade tão dispare como Miami”.

“Acredito que a missão da arte não é decorativa, e sim reflexiva. Busco no meu artivismo transformar essa cidade opressora e monocromática, que substituiu nossas áreas verdes por estruturas cinzas, que enterrou nossos rios vivos com ruas e paredões cinzas que refletem o porque do nosso céu e ar que respiramos estarem cinzas”, disse Mundano, para quem a censura é “o maior dos elogios e o maior desafio”.

Mostra exibe filmes de diretoras negras no Sesc Belenzinho

Janeiro 21, 2017

Produções promovem reflexões sobre a presença e a representatividade da mulher negra no cinema. Além da exibição de oito filmes, evento terá sessão de bate-papo com cineastas.

São Paulo – A Mostra Motumbá – Memórias e Existências Negras começou em novembro e promove até março, no Sesc Belenzinho, zona leste de São Paulo, várias atividades que valorizam a representatividade de matrizes africanas e/ou periféricas na contemporaneidade. Entre sexta (20) e domingo (22), a programação reúne quatro curtas e quatro longas-metragens de diretoras negras de diferentes nacionalidades, na mostra A Magia da Mulher Negra, que tem curadoria de Kênia Freitas.

O primeiro filme a ser exibido, nesta sexta-feira, às 16h, é Cores e Botas, de Juliana Vicente, curta-metragem de ficção que conta a história de Joana, uma menina negra que, nos anos 1980, sonha em ser Paquita no show da Xuxa. Na sequência, o longa norte-americano Pariah, de Dee Rees, narra a saga da adolescente Alike, uma garota de 17 anos que é lésbica e vive no distrito do Bronx, em Nova York. Além de sofrer de baixa auto-estima, a adolescente passa por uma crise de identidade e precisa decidir entre expressar abertamente sua orientação sexual ou obedecer aos planos que os pais têm para ela.

No mesmo dia, às 20h, será exibido o documentário Caixa d’Água: Qui-Lombo é Esse?, de Everlane Moraes, que reúne depoimentos de antigos moradores do bairro Getúlio Vargas, em Aracaju, e apresenta os costumes quilombolas herdados dos antigos escravos. Por meio de 55 entrevistas, o curta resgata a resistência da comunidade em meio à urbanização desenfreada da cidade e a tentativa de preservar a oralidade e valorizar a cultura negra sergipana. Em seguida, é a vez do documentário Família Alcântara, de Daniel e Lilian Sola Santiago, sobre a resistência de uma família cujas origens remetem à bacia do Rio Congo e a preservação de suas raízes durante séculos de tradição oral, práticas e costumes tradicionais.

CLAUDIA FERREIRA/DIVULGAÇÃOAdélia Sampaio
Adélia Sampaio, diretora de ‘Amor Maldito’, 1° longa dirigido por uma mulher negra e o primeiro filme lésbico nacional

No sábado (21), às 16h, será exibido o curta ficcional O Dia de Jerusa, de Viviane Ferreira, que traz memórias de uma moradora do bairro do Bexiga (a Bela Vista, na região central de São Paulo) durante sua conversa com uma pesquisadora de opinião, com quem compartilha lembranças de tempos felizes. Depois, a programação traz Amor Maldito, primeiro longa dirigido por uma mulher negra e considerado o primeiro filme lésbico nacional. Dirigido por Adélia Sampaio, o filme lançado em 1984 retrata a relação entre a executiva Fernanda e a ex-miss Sueli, que se apaixonam e decidem morar juntas. Quando o tédio do relacionamento toma conta da ex-modelo, Sueli se envolve com um jornalista e fica grávida. Ao ser abandonada pelo amante, ela comete suicídio e Fernanda é acusada pela morte.

Às 20h, a curadora Kênia Freitas é a mediadora do bate-papo A Magia da Mulher Negra, que reúne cineastas de três gerações: Adélia Sampaio, Lilian Solá Santiago e Viviane Ferreira. A discussão deve abordar a criação feminina negra no cinema em seus aspectos políticos e estéticos, além de incitar a reflexão sobre a presença e a representatividade da mulher negra no audiovisual.

O último dia da programação traz, domingo, às 16h, os filmes Afronauts e A Noite da Verdade. O primeiro, um curta-metragem americano dirigido por Frances Bodomo, é inspirado em fatos reais e mostra a luta da Academia Espacial de Zâmbia, que espera chegar à lua antes da missão Apollo 11. O longa ficcional de Fanta Regina Nacro, A Noite da Verdade, mostra o acordo de paz entre dois grupos étnicos de um país africano fictício e a ameaça que ressentimentos trazidos à tona possam diluir a trégua.

Todas as sessões têm entrada gratuita, com retirada de ingresso com 30 minutos de antecedência. A programação completa das mostras Motumbá – Memórias e Existências Negras e A Magia da Mulher Negra pode ser conferida no site do Sesc Belenzinho.

Mostra Motumbá – Memórias e Existências Negras/ A Magia da Mulher Negra
Onde: Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho, São Paulo (SP)
Quanto: grátis
Programação e mais informações: (11) 2076-9700 e no no site do Sesc Belenzinho

PAULO BARNABÉ E PATIFE BAND SE APRESENTAM HOJE EM SÃO PAULO

Janeiro 19, 2017

Patife Band 2016 (Foto - Daniela Ometto).jpg

Matéria publicada pela Rede Brasil Atual.

São Paulo – Ainda em plena atividade e sem jamais ter feito concessões ao sucesso fácil, a Patife Band, liderada pelo instrumentista, vocalista e performer Paulo Barnabé, volta a tocar em São Paulo nesta quinta (19), na Z Carniceria, palco que vem se firmando como referência para a música autoral na cidade. O show abre a “temporada” de sempre raras apresentações da banda, ícone da cena pós-punk paulista da década de 1980. Na programação, outro representante da “música torta”, o grupo Emicaeli, na ativa há 20 anos sendo “a banda mais desconhecida de São Paulo”, como afirmam.

A Patife Band foi fundada em 1983 e, desde então, já teve diversas formações. Sua enxuta discografia tem apenas três álbuns – Patife Band (1985), Corredor Polonês (1987) e Ao Vivo (2003), em que a marca é a mistura do erudito com o popular. Ao lado do irmão Arrigo, Paulo Barnabé é especialista em juntar o dodecafônico e a atonalidade ao pop, rock e jazz, além de ritmos brasileiros. O resultado é uma música repleta de elementos experimentais, algum barulho e muita energia. Destaques da obra da banda são os “anti-hits” Tô Tenso e Poema em Linha Reta, que fez parte da trilha sonora do filme Cidade Oculta (1986).

De estilo recluso, Paulo está gravando um novo disco com a Patife Band, trabalhando nos estúdios Zastrás. “A ideia é ir gravando à medida que as músicas ficam prontas. Não temos data para lançar por enquanto, estamos criando”, afirmou ao portal ABCD Maior, por conta de uma apresentação em Santo André, no ABC paulista, ano passado.

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Emicaeli, herdeiros da ‘música torta’ dos anos 1980, tem carreira de 20 anos, cinco álbuns e turnês mundiais

Stoner

Por sua vez, o Emicaeli, com quem a Patife Band se apresenta desde o final de 2015, foi formada em 1996, e apesar de cinco álbuns e de algumas turnês pelo mundo, segue uma ilustre desconhecida para o público brasileiro. A banda revive elementos e ideias da chamada vanguarda paulistana – movimento que teve nos irmãos Barnabé dois de seus principais representantes – como experimentações em punk rock e jazz, atonalismos e tempos musicais incomuns para os ouvidos acostumados à tocada facilmente digerível da indústria fonográfica.

Em novembro, o Emicaeli lançou Pops, quinto álbum “bem torto” de sua discografia e que marcou os 20 anos do grupo, formado por amigos de colégio, em 1996. Paulo Barnabé gravou os vocais em uma das faixas. Em sua divulgação, o grupo anuncia “15 minutos de lapada, ora derretida, ora alerta, com riffs de metal ou com psicodelia induzida”.

Os shows da Patife Band e do Emicaeli no Z Carniceria, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, 724, Pinheiros, zona sul de São Paulo, começam às 23h, com ingressos a R$ 15.

Ouça Corredor Polonês, da Patife Band:

 

Assista Emicaeli em Azul Tensão:

 

São Paulo terá ‘abraço’ no Centro Cultural contra privatizações de bibliotecas

Janeiro 17, 2017

Mobilização responde ao secretário municipal de Cultura, André Sturm, que afirmou que gestão do Centro Cultural e de 52 bibliotecas públicas da cidade será transferida a organizações sociais privadas.

São Paulo – Bibliotecários e outros servidores públicos de São Paulo irão realizar, no próximo dia 25, dia de aniversário da cidade, ato contra a privatização das bibliotecas públicas do município, com um “abraço” simbólico ao Centro Cultural São Paulo (CCSP), localizado na região central da capital. O protesto é contra uma declaração do secretário de Cultura, André Sturm, que no último dia 5 afirmou que o Centro Cultural e as 52 bibliotecas de capital passarão para a administração de organizações sociais (OS).

Segundo o secretário, seria “muito difícil” para a prefeitura fazer a gestão direta dos equipamentos. “Para poder contratar artistas tem que fazer uma série de procedimentos. É muito complexa a Cultura ligada na administração direta”, disse em entrevista coletiva. Os trabalhadores do sistema de bibliotecas municipais defendem que a privatização traz riscos de precarização das condições de trabalho e dos serviços oferecidos, além de dependência cultural.

A rede de bibliotecas municipais, considerada a maior da América Latina, é composta por 107 equipamentos, entre eles, 52 bibliotecas públicas de bairro e o Centro Cultural São Paulo, que conta com uma biblioteca referência em braile, discoteca e hemeroteca, além de biblioteca central. Todas correm o risco de serem privatizadas. De acordo com organizadores do evento, entre janeiro e junho de 2016 o sistema atendeu 518.496 pessoas, com 316.731 empréstimos num acervo de 2.473.823 materiais.

“Nos últimos anos, as bibliotecas se fortaleceram com as inaugurações da biblioteca de direitos humanos em Cidade Tiradentes e a biblioteca feminista em Guaianazes, com a reforma de bibliotecas temáticas e com a criação do fórum de trocas de experiências de ações culturais e de mediação de leitura em bibliotecas”, lembra o texto de convocação do ato.

A concentração está marcada para as 12h e o início do ato para as 13h. Pelo Facebook, 1.400 pessoas já demonstraram interesse em participar do protesto. “Precisamos sim de novos profissionais concursados, de mais editais de apoio à cultura, de formação continuada para os profissionais que já trabalham no setor. Mas a cultura é e precisa continuar sendo pública em constante diálogo governo-sociedade civil”, reclamam os profissionais.

Leia o texto da convocação do ato:

Querem privatizar o maior sistema de bibliotecas públicas da América Latina

Nós, bibliotecários, lutamos há muitos anos para melhorar os serviços oferecidos nas bibliotecas. Para que seja um espaço agradável, acolhedor, de acesso à informação, com mediação de qualidade, que inclua crianças, idosos, pessoas com deficiência e que seja aberto à sociedade, aos coletivos culturais periféricos e a todos que se interessem.

Mesmo com todos os percalços, como falta de estrutura adequada e de pessoal, conseguimos importantes conquistas como a criação do inédito Plano Municipal do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca da cidade de São Paulo, em 2015, que visa a nortear as ações bibliotecárias, educacionais e do mercado do livro.

Todo esse esforço e toda a gestão cultural pública construída está ameaçada pela proposta de privatização do sistema pelo senhor secretário de governo, André Sturm, sob a gestão neoliberal do prefeito João Dória.

Nosso sistema é composto por 107 bibliotecas, sendo que 52 bibliotecas públicas de bairro e o Centro Cultural São Paulo, que conta com uma biblioteca referência em braile, uma discoteca, uma hemeroteca, além de uma biblioteca central, estão ameaçados pela privatização.

Somente de janeiro à junho de 2016 o sistema atendeu 518.496 pessoas, foram feitos 316.731 empréstimos num acervo de 2.473.823 materiais. Nos últimos anos as bibliotecas se fortaleceram com as inaugurações da biblioteca de direitos humanos em Cidade Tiradentes e a biblioteca feminista em Guaianazes, com a reforma de bibliotecas temáticas e com a criação do fórum de trocas de experiências de ações culturais e de mediação de leitura em bibliotecas.

Com a privatização, as organizações sociais seriam responsáveis pela gestão do sistema resultando em precarização das condições de trabalho, bem como dos serviços oferecidos e ameaçando a qualidade e a independência da proposta cultural.

Precisamos sim de novos profissionais concursados, de mais editais de apoio à cultura, de formação continuada para os profissionais que já trabalham no setor. Mas a CULTURA é, e precisa continuar sendo PÚBLICA em constante diálogo governo-sociedade civil.

Contra a privatização!! Por uma cultura PÚBLICA!!!

São Paulo recebe mostra cinematográfica de diretoras negras

Janeiro 16, 2017

Oito filmes dirigidos por diretoras negras, entre eles Amor Maldito, de 1984, de Adélia Sampaio – o primeiro longa-metragem comandado por uma mulher negra no país e também o primeiro filme com temática lésbica – serão apresentados a partir da próxima sexta-feira (20) no Sesc Belenzinho, na zona Leste da capital paulista.

A mostra, chamada A Magia da Mulher Negra, com curadoria de Kênia Freitas, também trará Cores e Botas (2010), de Juliana Vicente; Pariah (2011), de Dee Rees; e Caixa d´Água: Qui-lombo é Esse? (2013), de Everlane Moraes.

“A gente foi pesquisar, foi buscar temas e eixos, obras e atividades para falar do protagonismo negro na sociedade e nas artes de modo geral. Isso a partir da ideia de ativismo negro, das feministas negras, LGBT, das ações periféricas de São Paulo e de outras cidades”, destacou a programadora do Sesc Belenzinho, Natália Nolli Sasso.

Na mostra também serão exibidos Família Alcântara (2005), de Daniel e Lilian Sola Santiago; O Dia de Jerusa (2014), de Viviane Ferreira; Afronauts (2014), de Frances Bodomo e A Noite da Verdade (2004), de Fanta Regina Nacro.

O Sesc Belenzinho fica na rua Padre Adelino, 1000, Belenzinho. Mais informações no site http://www.sescsp.org.br/belenzinho.

Após 40 anos da estreia, filme com Bowie volta aos cinemas restaurado

Janeiro 16, 2017

Bowie

‘O Homem que Caiu na Terra’, longa-metragem dirigido por Nicolas Roeg, chega ao circuito comercial na semana em que o camaleão do rock completaria 70 anos.

No dia 8 de janeiro de 2016, o astro britânico David Bowie completava 69 anos e dois dias depois morria em decorrência de um câncer no fígado. Exatamente há um ano de sua morte e na semana em que completaria 70 anos, o camaleão do rock é homenageado com o lançamento de uma cópia digital restaurada do filme O Homem que Caiu na Terra, lançado originalmente em 1976.

Na ficção científica dirigida por Nicolas Roeg, Bowie interpreta o alienígena Thomas Jerome Newton que, recém chegado à Terra, busca a salvação para o seu planeta. Infiltrado entre os seres humanos, Newman utiliza a tecnologia alienígena para se tornar um rico empresário, detentor de diversas patentes milionárias. Mas para isso, ele terá de aprender a lidar com a feroz competição no mundo dos negócios e a tentações terráqueas, como a camareira Mary-Lou (Candy Clark), com quem se envolve intimamente.

Repleto de cenas de sexo em que o Bowie e Clark aparecem completamente nus, o filme se desenrola a partir de “saltos narrativos”. Com uma inteligência única e conhecimento muito superior ao dos terráqueos, Newton logo se vê em Nova York como dono de uma empresa de energia e mídia mundialmente conhecida. Ele contrata o professor de Química Nathan (Rip Torn), a única pessoa em que o personagem cada vez mais recluso pode confiar.

Newton precisa dominar completamente as tecnologias da Terra para poder salvar seu planeta da seca, mas ele está longe de ser um predador. Ao contrário. Gentil e delicado, o personagem interpretado por David Bowie acaba se tornando uma vítima da ganância que predomina no mundo dos negócios por aqui. Na verdade, o que fica evidente é que a vida na Terra é muito mais estranha do que a presença de seres extraterrenos entre nós.

Este foi o primeiro papel principal que Bowie teve em um grande filme. A escolha do cantor não foi à toa: assim como Ziggy Stardust, alter-ego criado por ele em 1972, seu personagem no longa tem uma aparência andrógina que se encaixa perfeitamente com o papel do alienígena Newman.

O Homem que Caiu na Terra acabou se transformando em um clássico cult e é por isso que a produtora cultural Zeta Filmes resgatou a obra no projeto Clássica, que viabiliza o (re)lançamento de filmes antigos, clássicos ou cults em formato digital nos festivais e cinemas brasileiros.

O Homem que Caiu na Terra
Direção: Nicolas Roeg
Roteiro: Paul Mayersberg
Direção de fotografia: Anthony Richmond
Montagem: Graeme Clifford
Música: John Phillips
Produção: Michael Deeley, Barry Spikings
Elenco: David Bowie, Rip Torn, Candy Clark, Buck Henry, Bernie Casey, Jackson D. Kane, Rick Riccardo, Tony Mascia
País: Reino Unido
Ano: 1976
Duração: 139 minutos
Classificação: 16 anos

Lia Sophia e a música do Brasil com sotaque do Norte

Janeiro 14, 2017

Lia Sophia faz show nesta sábado no Sesc Campo Limpo. A entrad é franca.

As duas décadas de carreira da cantora e compositora Lia Sophia deram a ela a independência na condução da própria carreira. Nascida em Caiena, na Guiana Francesa, Lia foi criada na região Norte do Brasil. Viveu em Macapá (AP) e depois em Belém (PA), onde decidiu que a música seria seu ofício de vida. Mora em São Paulo há dois anos e inicia 2017 preparando o quinto cd de carreira, um álbum especial de carimbó, além do projeto de um DVD.

O Portal Vermelho conversou na manhã desta sexta-feira com a cantora, que se apresenta neste sábado, às 20h, no Sesc Campo Limpo, na zona sul da cidade de São Paulo.

O show tem entrada franca e é resultado de um convite feito pelo Sesc em que Lia canta clássicos da música paraense. Canções amazônicas, carimbó e brega de autores daquele estado como Paulo André e Waldemar Henrique.

Na conversa Lia contou que a recente vinda para São Paulo foi motivada pelas facilidades oferecidas pela capital paulista. A agilidade com que Belém tem revelado uma nova geração de músicos ainda não se traduz em estrutura para que essa produção extrapole as fronteiras do Pará.

Vitrine paulista

“Infelizmente as distâncias fazem diferença na divulgação do trabalho, de onde você sai, como você roda o Brasil. Estar aqui te possibilita circular mais com o trabalho. Facilita, barateia e tem muitas possibilidades de divulgação de shows”, contou Lia.

Apaixonada por Belém, Lia admite que a vinda dela para São Paulo foi tardia considerando que em 2012 ela ganhou visibilidade no Brasil com a música “Ai, menina”, tema de novela da rede Globo que foi ambientada no estado. O deseja da artista é ver Belém, que completou nesta quinta-feira (12) 401 anos, se tornar um pólo nacional de produção assim como o carimbó ser transformado em um ritmo nacional, como o forró.

Símbolo da cultura paraense, o carimbó é um ritmo emblemático na carreira de Lia. Ela que sempre admirou os mestres da tradição deste batuque paraense, como Pinduca e Verequete, viu a composição Ai, Menina, o primeiro carimbó composto por ela, se transformar em um sucesso nacional.

“Até hoje acho que essa música não tá pronta porque parece faltar uma parte. Era uma experimentação. De alguma maneira para os artistas jovens, compor um carimbó era meio intimidador, como é que você vai compor, qual a tua linguagem diante desses caras que são geniais?”.

Ai, Menina foi divulgada em formato de EP, uma espécie de cd com menor número de músicas. Lançado nas plataformas digitais no início de 2011, o trabalho tinha ainda as músicas Salto Mortal e Amor de Promoção.

Raízes

“A música (Ai, Menina) foi um divisor de águas. Não chamou atenção só pra mim mas também para a música do Pará. Fico felicíssima de homenagear essa cultura. Muitos carimbós vieram depois daquele. No cd de carimbó vou cantar composições de artistas jovens como Iva Rothe e Félix Robato. É trazer um jeito de tocar o carimbó com mistura eletrônica, fazendo com que os nossos discos se comuniquem com o mundo”, explicou a cantora.

Carimbó, marabaixo (batuque do Amapá), zouk (música dos crioulos de Caiena) são alguns dos ritmos que compõem a sonoridade da trajetória de Lia Sophia. Nascida em Caiena, a artista, que é filha de paraenses, vivenciou a música tradicional dessas localidades. Viaja para esses lugares até hoje.

“O meu trabalho segue um caminho de ir para as raízes. Tem os tambores amazônicos, o carimbó, está meio nesse caminhho. Muita gente diz que eu sou uma cantora de música regional. Eu não visto este título de ser cantora de música regional. Não visto porque quero muito que o carimbó seja reconhecido no Brasil como é o forró. Que seja uma música nacional que você escuta em qualquer lugar do Brasil. É um dos meus sonhos. Eu sou uma sonhadora”, definiu Lia.

Da criação à produção

Multi-instrumentista, Lia está produzindo as bases do quinto cd. Até 2013 ela gravou os cds Lia Sophia (2013), Amor, Amor (2010), Castelo de Luz (2009) e Livre (2005). Toca violão, banjo, guitarra, “arranha” teclado, nas palavras dela. No pequeno estúdio que mantém, ela toca, canta, arranja. Lia gosta que o trabalho fique com a identidade dela. “Às vezes, mesmo mandando as referências fica com o espírito do produtor e não com o seu espírito”, observou.

Nessas duas décadas Lia arregaçou literalmente as mangas. Mesmo vindo de uma família musical (a mãe foi cantora do rádio e o pai e os irmãos tocam instrumentos mesmo tendo outras profissões), encontrou resistência quando resolveu viver de música e trocar a carreira de psicóloga pela de cantora. Batalha desde os 17 anos e investe na carreira buscando espaços para compartilhar a sua produção musical.

“A sorte é aliada do trabalho. Há muitos anos eu faço meu trabalho com muita garra e muita insistência. Nesses 20 anos que eu não tinha nem internet lembro de gastar dois, três mil reais com postagem de correio para jornalistas. Plantei isso, trabalhei para que o meu nome estivesse ali para que as pessoas ouvissem. Canto as coisas que eu acredito, a minha aldeia, o que me diferencia dos outros. Quero que a minha música conte a minha história”, enfatizou.

No show do Sesc, além de um repertório conhecido que mostra diversas expressões da música paraense, o público poderá ouvir a composição que entrará no novo cd de Lia: Quero ver se segurar. Também nome do show, a música adianta que a plateia paulista vai experimentar altas temperaturas da música tropical.