Violeta Parra pintou, bordou, espalhou cultura e cantou a liberdade

Genebra, 1965. Em um programa da TV suíça, a crítica de arte Magdeleine Brumagne pede que Violeta Parra explique uma de suas arpilleras, uma técnica têxtil de raiz popular e também uma forma de expressão, de narrativa do cotidiano. “Estes são os que amam a paz”, responde, mostrando as figuras desenhadas: ela própria, um amigo argentino, uma amiga e uma índia chilenas.

Por Vitor Nuzzi
“As flores de cada personagem são suas almas”, prossegue Violeta. Vê-se um fuzil, “que representa a morte”. E ela conta: “Os camponeses no Chile são muito pobres, como o meu avô. E eu não posso permanecer indiferente. Essa situação me incomoda”, afirma, chamando a obra de A Rebelião dos Camponeses.

Contra la Guerra (nome oficial da tela bordada), de 1962, integra o acervo permanente do Museu Violeta Parra, inaugurado em 4 de outubro de 2015, no dia em ela completaria 98 anos. Violeta deixou a Europa e retornou definitivamente ao Chile justamente em 1965, para, como disse, pôr os pés na terra. Seus planos incluam abrir uma “universidade do folclore”, promover cursos e dar voz e espaço a artistas menos conhecidos, ampliar o espaço da cultura popular, sua paixão e missão de vida. Vida que foi abreviada no final da tarde de 5 de fevereiro de 1967, um domingo.

Violeta faria 50 anos em outubro daquele ano. Sua morte completa 50 anos, com vários eventos programados para lembrar aquela que a jornalista e pesquisadora Marisol García considera o principal nome de um imaginário título de “chileno universal”. Conforme escreveu em artigo, 10 anos atrás, apenas o presidente Salvador Allende e o poeta Pablo Neruda se aproximariam de Violeta del Carmen Parra Sandoval.

“Se analisarmos a obra de Violeta, veremos que ela não tinha travas. Se meteu a pintar, a bordar, a fazer cerâmica. Ela quis fazer um centro cultural (em La Reina) como se concebe agora, mas levar esse projeto adiante era a morte. Era simplesmente enterrar-se, que foi o que aconteceu”, disse a filha Isabel em 2008. Segundo ela, Violeta era “a vanguarda das vanguardas”, um fenômeno que o Chile não poderia compreender em sua época. Também foi, provavelmente, a primeira mulher do continente a fazer canções sociais.

“La Carpa de la Reina” foi o local da última morada e da última utopia de Violeta, que passou a vida pondo os pés na terra. Era uma área próxima a Santiago onde, sob uma lona (“carpa”) de circo, ela instalou um ponto de encontro e difusão cultural, no final de 1965. Era um lugar bonito, mas de difícil acesso, ainda mais naqueles tempos, e não teve a frequência esperada. As dificuldades financeiras cresceram, somadas a decepções sentimentais, até o dia em que um tiro pôs fim à vida da incansável artista.

Facilidade nunca existiu na vida de Violeta. Na mesma entrevista de 1965, ela fala de sua mãe, a costureira Clarisa, que procurava retalhos para costurar vestidos, como um que ela vestia diante da TV suíça. “Era muito pobre. Tinha 10 filhos para criar e muito pouco dinheiro. Bom, tampouco tem agora. Ela trabalhou muito para sobreviver. Como eu, que nunca tenho dinheiro.”

Violeta queria que as pessoas conhecessem a cultura popular de seu país. Saía pelo Chile atrás de quem pudesse contar e cantar – ela copiava e, quando possível, gravava. Gente como Rosa Lorca, uma senhora de “riso estentóreo (algo como espalhafatoso) e tabaqueiro e o seu dente de ouro”, conforme definiu Ángel Parra, filho mais velho de Violeta, no livro Violeta se fue a los cielos, lançado em 2006 e que serviu de base para um filme de Andrés Wood (2011), objeto de polêmica familiar. A cantora Tita, filha de Isabel, por exemplo, fez críticas ao longa, por considerar que sua avó não foi retratada corretamente.

Residente na França desde 1976, Ángel morreu no último 11 de março, aos 73 anos, depois de lutar muito tempo contra o câncer. No ano passado, lançou Mi Nueva Canción Chilena, Al Pueblo lo que es del Pueblo, um livro de memórias. Ao lado da irmã Isabel, ele acompanhou a mãe com apresentações na Europa nos anos 1960, e sempre testemunhou as andanças de Violeta pelo Chile em busca de preciosidades. Como Rosa Lorca.

“Para a minha mãe foi como encontrar uma enciclopédia no meio do mato”, escreveu Ángel. “O tesouro do ‘Ali Babá’ sem os ladrões. A sabedoria do nosso povo concentrada nesta extraordinária mulher. Dela recuperou diferentes formas de acompanhamentos de violão, a mão direita muito ágil, a maneira de tocar, arranhadelas, afinações, melodias, receitas de cozinha, tratamentos para a saúde. Soluções para afugentar o diabo, para o mau-olhado, indigestões, como caçar pirilampos, esta mulher era um verdadeiro almanaque.”

Foi também com Rosa que Violeta aprendeu mais sobre a cerimônia de velório de crianças com menos de 5 anos, os angelitos: “Pais não deviam chorar: as lágrimas umedecem as asas do angelito e o impedem de ir ao céu”.

Em outra entrevista, em 5 de janeiro de 1960, à Rádio Universad de Concepción, Violeta é apresentada como “incansável batalhadora” em defesa do folclore. O narrador é o professor de História Mario Céspedes, que após o golpe de 1973 no Chile seria preso e torturado. Ele pergunta sobre sua participação em um evento cultural, e ela se diz um pouco assustada. “Porque você sabe, Mario, eu não sou oradora, não fui à escola. Sei tão pouco para integrar esse grupo tão valioso”, afirma Violeta, para em seguida defender seu trabalho de coleta pelo país: “Fui aos cantores populares para que conhecessem sua alma, seu pensamento, tal como conheci, como os ouvi falar”.

Com humor, Violeta define sua peregrinação e sua obstinação para divulgar a cultura de seu país: “Estou batalhando quase porta a porta, e entrando pela janela”. Céspedes pergunta quais as composições do folclore de que ela mais gosta. “Eu reconheço, amo e venero o canto ao humano e ao divino, desde o ponto de vista do texto literário e do ponto de vista musical.” No ano passado, a Universidade de Concepción criou a cátedra Violeta Parra, com a presença de Isabel e Tita.

Nada fazia Violeta desistir, contou Ángel. “Nem as paixões, nem dores, nem a insensibilidade das instituições que ela pensava que podiam ajudá-la. Nem a pobreza, que às vezes nos mordia os calcanhares, a desviariam do seu objetivo”, escreveu, lembrando que ela chamava de “zero à esquerda” os que considerava medíocres. Quando o caso era mais grave, eram “sacos de fumo”. Cita o exemplo de idas à Faculdade de Música da Universidade do Chile, em busca de apoio. “Quantas vezes esperamos duas, três horas, até que um burocrata a recebesse, para dizer-lhe que voltasse passados quinze dias.”

Ángel conta que sua mãe não dava conselhos – dava exemplos. “Sem um tostão, mas com o seu exemplo andamos para a frente, quebrando esse círculo infernal que é nascer pobre e sem educação. Posso dizer que fomos feitos a mão”, disse, agradecido.

Segundo ele, os “velhotes” que Violeta procurava “sentiam-se valorizados, respeitados e ouvidos”. Uma lição para não esquecer: “A minha mãe diria, povo que esquece o caminho tropeça na mesma pedra.”


Quadro ‘Velorio de Angelito’, óleo sobre tela, de Violeta Parra (1964)

Violeta teve nove irmãos e quatro filhos. Ángel (1939) e Isabel (1943), com o primeiro marido, o maquinista de trem e militante comunista Luis Cereceda, e Carmen Luisa (1950) e Rosa Clara (1954) com o tapeceiro Luis Arce. E teve também seu angelito: Rosita morreu aos 3 anos, de pneumonia. Quando criança, viu morrer Polito, irmão mais novo, e a reação desesperada da mãe. (Cuando ella eleva los gritos,/ comprendo que el niño ha muerto./ Parece que está durmiendo/ no más aquel palomito).

Rosita se fue a los cielos
igual que paloma blanca,
en una linda potranca
le apareció el ángel bueno,
le dijo: Dios en su seno
niña, te v´a recibir
las llaves las traigo aquí,
entremos al paraíso
que afuera llueve granizo,
pequeña flor de jazmín

Ela viveria ainda com o músico suíço Gilbert Favre – a separação ocorreu já em 1967. O amor verdadeiro, escreveu Tita, em livro ainda inédito. “Gilberto era um ser extraordinário, ria de si mesmo o tempo todo, de seu sotaque gringo, do que custava para aprender tanta coisa nova. (…) Conviviam muito bem, se amavam. Foi uma alegria ter um avô tão jovem e terno, doce e divertido.”
A neta fala também de Nicanor (Tito), irmão mais velho de Violeta: “Foi seu sábio conselheiros, protetor, amigo e cúmplice. Entre os irmãos a comunicação às vezes era silêncio, risos, humor, ou lágrimas e consolo, amor condicional. Nicanor foi quem mais conheceu e compreendeu o valor de sua irmã Violeta, em todos os sentidos”.

Para Tita, é a partir de 1953 que nasce a “verdadeira” Violeta: “Estimulada pelo irmão Nicanor, (ela) começa a pesquisar, recopilar e ensinar a autêntica música folclórica (…). Abandona seu antigo repertório, percorrendo o Chile e seus povoados, aprendendo e compondo sua própria música. Isso significa uma reviravolta total em seu trabalho, na forma de vida, motivações e novos esforços, todos voltados a cumprir uma missão claríssima, que talvez ninguém ao seu redor compreenda bem”.

Em abril de 1964 – quando o Brasil sofre um golpe e o Chile elege o democrata-cristão Eduardo Frei, que vence o socialista Salvador Allende –, Violeta expõe pinturas no Museu do Louvre. É a primeira artista latino-americana a apresentar uma mostra individual naquele local. Depois da temporada europeia, volta ao Chile e mora algum tempo com Ángel e Isabel em Santiago, no local conhecido como La Peña de los Parra, que deu nome a um LP lançado em 1971.

La Pena tem, entre as 12 faixas, Casamiento de Negros, canção de 1966 gravada por Milton Nascimento no álbum Clube da Esquina 2 (1978). Milton também gravou Volver a los Diecisiete no disco Geraes (1976), com a cantora argentina Mercedes Sosa. Naquele mesmo ano, Elis Regina incluiu Gracias a la Vida no LP Falso Brilhante.

Violeta foi um dos principais nomes ligados à chamada Nueva Canción Chilena, movimento identificado com as transformações sociais do país entre os anos 1960 e 1970. “Em suas canções, Violeta está dizendo o que ninguém quer ou atreve a dizer ou escutar. Com esse tipo de canções vai nascer um movimento musical e autoral que dá início a uma maneira distinta de denunciar a realidade social, a injustiça, a verdade oculta e negada, tudo que se esconde por trás da pobreza e da violência”, escreve Tita.

Alguns, como Victor Jara, se alinharam à Unidade Popular, coligação que chegou ao poder em 1970, tendo à frente Salvador Allende, até o golpe de 1973. A veia crítica da compositora já estava
presente muito antes, como mostram muitas de suas canções.

Ao final daquela entrevista de 1965, Magdeleine fala das várias faces artísticas de Violeta – poetisa, música, autora de arpilleras, pintora – e pergunta se fosse para escolher apenas uma, qual seria. Ela não pensa muito para responder.

“Escolheria ficar com as pessoas. São elas que me motivam a fazer todas essas coisas.”

Cada vez mais viva

O Museu Violeta Parra promoverá neste ano mais de 80 recitais e mais de 250 visitas guiadas, além de exibição de filmes, entre outras atividades, para comemorar o centenário de nascimento da artista. No início deste ano, foi lançado o documentário Violeta – mas viva que nunca, do filho Ángel

Parra e de Daniel Sandoval. A primeira exibição, em 6 de janeiro, foi no Centro Cultural La Moneda, no emblemático palácio presidencial localizado na Praça da Cidadania, em Santiago.

Em 19 de dezembro de 2015, Ángel e Isabel subiram ao palco do museu para um concerto, ao lado dos filhos Ángel e Tita Parra. Em entrevista no ano passado, quando se preparava para ir ao Chile dar inícios as celebrações pelo centenário de Violeta, disse que era uma oportunidade para continuar um trabalho “que venho realizando há muitos anos”.

“Com Ángel (seu filho), temos nosso pequeno espetáculo, Angeles Parra Violeta, e o mesmo acontece com Javiera (também sua filha), Isabel e Tita (filha de Isabel). Há uma espécie de cadeia que nunca se desfez, e todo o que virá este ano (referindo-se a 2017) servirá para que sigamos fazendo esse trabalho.”

Outro trabalho aos interessados na vida e na obra de Violeta é o documentário, disponível na internet, Viola Chilensis, dirigido em 2003 por Luis R. Vera. Ali estão depoimentos, entre outros, de Eduardo e Lautaro Parra, irmãos da artista, dos filhos, de Tita, Isabel Allende, do cantor uruguaio Daniel Viglietti, da argentina Mercedes Sosa e do poeta brasileiro Thiago de Mello. Também está lá a crítica Magdeleine Brumagne, autora do programa suíço citado no início deste texto.

Neste mês de abril, Tita Parra se apresenta na Região de Biobío, no centro-sul do Chile, com o concerto Yo soy la feliz Violeta, em localidades atingidas por incêndios florestais no último verão. É parte do projeto La ruta de Violeta, que inclui diversas atividades (shows, oficinas, exposições) inspiradas na artista. Em 16 de maio, estudantes de escolas de todo o país participarão dos Coros para Violeta, no início da quinta Semana da Educação Artística, coordenada pelo Conselho Nacional da Cultura e das Artes e pela Fundação Violeta Parra.

No ano passado, Tita esteve no Brasil participando do lançamento (financiado coletivamente) do álbum Violeta Terna y Eterna, do Sexteto Mundano, dirigido por Carlinhos Antunes, ex-integrante do grupo Tarancón.

Yo soy la feliz Violeta é também o nome de um livro escrito por Tita, ainda inédito. “A história social, a política e a cultura de um povo são os elementos com que Violeta Parra cria sua árvore multicolorida, nós mesmos, por assim dizer, a alma, o coração, a existência, a emoção humana, a vida popular. Em toda a sua obra ela está nos retratando”, diz a autora na introdução. (Confira, abaixo, trechos do livro.)

Ángel e Isabel levaram adiante a obra da mãe, gravando discos de músicas tradicionais. No final de 2015, fizeram um concerto no Museu Violeta Parra, acompanhados de seus filhos Ángel e Tita.

Conhecer para compreender

Leia trechos de Yo soy la feliz Violeta, da interpréte Tita Parra, “neta de Violeta, filha de Isabel Parra e mãe de Antar, avó de Miguel”, que viveu com a artista chilena até sua morte, em 1967, quando a menina tinha 11 anos.

É a época do governo de Arturo Alessandri Palma, “El León de Tarapacá”, a ditadura de Ibañez, a crise mundial de 1929. A situação social e política afeta profundamente a família de Violeta e seu entorno. Essa experiência dolorosa e as injustiças que sofreu na própria carne quando criança irão determinar seu rechaço aos governos autoritários e a ânsia de defender os oprimidos do mundo com seu violão e canto.

Ela sabe aproximar-se dos cantores, das velhinhas, sabe fazer rememorar de cada seus cantos, versos (…) Pouco a pouco, vai construindo um mapa musical em versos, ritmos, danças, estilos, formas, estruturas e variações. Violeta vai se transformando em antropóloga, musicóloga, pesquisando em profundida a autêntica arte popular chilena. E dessa mesma fonte se nutre para criar sua própria obra, em um processo dialético (…), inclui, estuda, aprende, difunde, revive. Então cria, inventa melodias própria para versos que estão sem música.

Minha avó é divertida, apaixonada por seu trabalho. Ela fala e comenta, pensa em voz alta, mostra as canções e gravações, ou fica em silêncio escrevendo, concentrada. Quando tenho 4 anos, escuto e vejo como se toca el guitarrón, o canto ao divino. (…) Amo seu cabelo comprido e fino. São dias felizes e sinto plenitude em minha avó intensa e apaixonada, não só pelo trabalho e por nós, sua família, mas pela própria vida. Nas manhãs, abrimos a porta e saudamos o sol.

Ela retrata a vida popular, seu entorno, os ritos, as tradições, as festas e conflitos, a vida familiar, seu afetos, a pobreza, problemas sociais, a injustiça, a dor, os massacres, as guerras, os sacrifícios dos povos que lutam por sua liberdade e dignidade, as penas e alegrias do povo, os camponeses, o mineiro do norte sob o sol inclemente, o pescador e o lenhador do sul e os frios invernos, as penas do povo Mapuche que perde sua terra, os rios de sangue que correm pelo mundo, e denuncia estas realidades cruéis com arte e gênio, graça, sensibilidade, sinceridade e honestidade. Com valentia, audácia, muita coragem. Ela dá sua vida por dizer a verdade, pintar a verdade, cantar a verdade.

Há muitos gêneros em cada país. Nas escolas de música no Chile pouco se aborda esse ensinamento, ou muito por alto. No Brasil, ao contrário, se estuda música brasileira no conservatório. Há escolas especializadas, como a Escola Portátil. No Chile não há onde estudar isto seriamente e profissionalmente. Violeta sonhava em fundar uma escola de Folclore e Arte Popular. Há que ensinar tambores, danças e música de raiz afro, cultura afro-americana, indo-americana e dos povos originários do Chile e toda a América. (…) O mundo está doente porque se esqueceu e se desconectou da terra. Nossos ancestrais sabem.

Sonia Montecino, prêmio nacional de Ciências Sociais e Humanidades, criou na Universidade do Chile um programa especial que se chama Cátedra Indígena. Ela fez ess trabalho que fazia Violeta, em âmbito acadêmico. Por exemplo, aproximar dos alunos a cultura Mapuche, Inca, Yoruba, Maia. Essa é a fonte de Violeta Parra. Ensinar isto é continuar seu trabalho.

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